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Investimento da Sasol anima distribuidoras de gás de cozinha

Distribuidoras de gás de cozinha dizem estar satisfeitas com o investimento que será feito pela petroquímica sul-africana Sasol que vai permitir a produção de 30 mil toneladas por ano em Inhambane, segundo o anúncio feito pela empresa e o Governo moçambicano há uma semana.

De acordo com o presidente da Associação Moçambicana de Empresas Petrolíferas (AMEPETROL), Michel Ussene, a refinaria da Sasol irá cortar os custos das empresas distribuidoras, poupar divisas ao país e reduzir o preço praticado ao consumidor final.

A reacção das empresas distribuidoras do gás de cozinha surge poucos dias após a Sasol ter anunciado que vai investir 760 milhões de dólares em novos reservatórios na província de Inhambane que vão permitir a instalação da primeira fábrica de gás de cozinha no país.

“Esta é uma grandiosa notícia porque Moçambique vai deixar de exportar divisas. Nós comprávamos GPL (gás de cozinha) fora, então devíamos pagar. Agora vamos consumir nosso GPL e os dólares que nós pagávamos vão ficar no território nacional”, disse Michel.

O empreendimento a se instalado vai também gerar tecnologia no país e vai permitir a ampliação da produção de gás. “Então, estamos muito satisfeitos com esse anúncio feito”, disse o presidente da Associação Moçambicana de Empresas Petrolíferas (AMEPETROL), Michel Ussene.

Ussene acredita ainda que o investimento da Sasol vai ter impacto no preço final ao consumidor.

“Embora a produção seja feita na província de Inhambane, logisticamente ela está próxima às províncias do centro, de Manica, de Sofala e Tete, e isso vai fazer com que o gás chegue a um preço mais acessível”, assegurou o presidente da AMEPETROL.

O presidente da Associação Moçambicana de Empresas Petrolíferas convidou as empresas de metalomecânica a olharem para o investimento como uma oportunidade que lhes permite produzir a nível local e vender botijas, atendendo que até aqui, as usadas são importadas.

Por sua vez, o CEO da Galp, Paulo Varela, uma empresa de capitais portugueses que importadora e distribuidora do gás de cozinha em Moçambique há décadas diz que a nova fábrica da Sasol a ser instalada em Inhambane poderá permitir abastecer o gás ao mercado sem muitas restrições.

“A vantagem do GPL ser produzido aqui em Moçambique, por um lado, desde logo, permite uma maior fluidez no fornecimento. Uma das dificuldades que existem tem a ver com alguma intermitência, uma dificuldade em garantir o abastecimento regular e dentro do prazo definido. Por vezes, existe alguma escassez do produto no mercado. É difícil conciliar a disponibilidade dos navios. As próprias condições climatéricas levam a que haja alguma imprevisibilidade nas datas do fornecimento e por vezes pode causar problemas no abastecimento. O facto de o produto ser produzido em Moçambique vai permitir um abastecimento mais regular e vai retirar da cadeia de abastecimento essa imprevisibilidade”, disse o CEO da Galp, Paulo Varela.

A construção da fábrica da Sasol poderá arrancar em Junho próximo, segundo anunciou a empresa sul-africana na sexta-feira passada. Com o investimento, a petroquímica sul-africana espera produzir em termos globais 23 milhões de giga joule de gás natural por ano.
Pretende-se com o investimento desenvolver reservatórios adicionais de gás natural ao redor dos campos de Inhassoro e Temane, em Inhambane, no âmbito do Contrato de Partilha de Petróleo que teve o Plano de Desenvolvimento revisto pelo Governo em Setembro de 2020.

Está previsto ainda no projecto gerar 450 megawatts (MW) de electricidade na Central Térmica de Ciclo Combinado de Temane, a ser distribuída pela rede nacional para a electrificação do país.

“O restante do gás produzido será exportado para a África do Sul para sustentar nossas operações”, faz saber a companhia de petróleo sul-africana em um comunicado emitido na última sexta-feira.

Com a produção das 30 mil toneladas por ano de gás de cozinha (GPL), Moçambique deixa de importar cerca de 75% do produto, assegura o Ministério dos Recursos Minerais e Energia. O projecto contempla ainda a produção de 4 mil barris de petróleo leve por dia para exportação.

Segundo a Associação Moçambicana de Empresas Petrolíferas, actualmente, apenas 3% da população moçambicana tem acesso às energias domésticas limpas para cozinhar, enquanto na África Austral 17% da população tem acesso e no continente africano, 29% dos habitantes.

Importa lembrar ainda que a produção de gás em Temane iniciou em 2004, com uma capacidade contratual de 120 milhões de giga joule/ano e um investimento inicial de 1.2 biliões de dólares. Em 2009, aumentou-se a capacidade de produção de 120 para 183 milhões de giga joule/ano.

Segundo o Instituto Nacional de Petróleo (INP), regulado do sector dos hidrocarbonetos no país, em 2015 expandiu-se novamente a capacidade de produção de 183 para 197 milhões de giga joule por não. Essa é a produção actual, incluindo o gás queimado e o gás usado em operações.

Parte do gás natural produzido pela Sasol é comercializado no mercado sul-africano e outra parte é disponibilizada ao mercado moçambicano para a geração de energia eléctrica, transporte em veículos e como combustível utilizado em diferentes indústrias.

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