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Investidos USD 250 milhões na importação de óleos

Moçambique gasta anualmente 250 milhões de dólares na importação de óleos alimentares e seus derivados. Entretanto, o Governo diz que o cenário pode começar a mudar com o aumento dos níveis de produção de oleaginosas.

A informação foi avançada, esta segunda-feira, pelo ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, durante o seu discurso na cerimónia de assinatura do memorando de entendimento entre o Governo e a Ente Nazionale Idrocarburi S.p.A. (ENI Moçambique).

Na ocasião, foi avançado que, nos últimos anos, Moçambique registou consideráveis avanços. Só na campanha 2020-2021, a produção cresceu 26 por cento e o destaque vai para a produção do girassol, que cresceu em 55%, do algodão 37%, da soja 35%, e do gergelim em 25%.

Celso Correia aponta ainda que a “produção de oleaginosas em Moçambique é essencialmente feita pelo sector familiar, com uso mínimo de tecnologias de produção e envolve cerca de 750.000 famílias”.

“Actualmente, Moçambique produz cerca de 400.000 t de oleaginosas diversas, sendo gergelim com 150.000 t, o amendoim com 104.000 t, a soja com 70.000 t, o algodão com 50.000 t, a copra com 23.000 t e o girassol com 7.000 t”, disse o ministro

Apesar destes níveis de produção, o país continua refém da importação do óleo alimentar e seus derivados.

“Moçambique importa anualmente cerca de USD 250 milhões (15,8 biliões de Meticais) em óleos alimentares e seus derivados e esta cifra representa cerca de 25% das importações agrícolas nacionais. O mercado doméstico de óleo alimentar e seus derivados em Moçambique é de cerca de USD 500 milhões (31,5 biliões de Meticais)”, reiterou.

Celso Correia destacou ainda a necessidade de se investir mais na produção interna, por forma a sair da dependência.

“Moçambique, com a vasta rede de produtores, terra disponível e clima favorável, tem um grande potencial para expandir a produção de oleaginosas e de seus derivados e gerar um volume de negócio anual de até USD 2 biliões (126 biliões de Meticais) nos próximos três anos e de até USD 5 biliões (315 biliões de Meticais) até 2030”.

O Governo quer reverter a situação de dependência, criando mais oportunidades de investimento e a estratégia passa por produzir mais e importar menos e quem apresentou as estratégias, que ao mesmo tempo são oportunidades de negócio, foi a directora-geral do Instituto de Algodão e Oleaginosas de Moçambique (IAOM), Yolanda Gonçalves.

“Substituição de importações – Moçambique importa anualmente cerca de USD 250 milhões de óleo alimentar e derivados. Alimentação e nutrição animal – mercado potencial de 500.000 t por ano de bagaço a nível nacional; substituição de importações regionais de óleo alimentar e derivados a região da SADC, cerca de USD 1.5 biliões; exploração de mercados emergentes <transição energética>, mercado potencial de USD 200 milhões a nível nacional e exploração de mercados emergentes <transição energética>, mercado potencial de USD50 biliões a nível internacional”, explicou.

É neste contexto que o Governo, através do Instituto do Algodão e Oleaginosas de Moçambique, assinou um memorando de entendimento com a empresa ENI, para a produção de biocombustíveis com espécies oleaginosas.

Com este entendimento, espera-se que haja cooperação e desenvolvimento de projectos agrícolas em Moçambique, com o objectivo de produzir oleaginosas que serão usadas como matéria-prima para produção de biocombustíveis.

Giorgio Vicini, administrador delegado da ENI Moçambique, apresentou a efectivação da parceria em três dimensões: salvaguarda de produção de oleaginosas para consumo alimentar e abastecimento local; integração de agricultores familiares em cadeias de valor produtivas; priorização de oleaginosas não alimentares a serem cultivadas em terras degradadas e ou em terrenos agrícolas abandonados que não estejam em concorrência com a produção de alimentos e ração animal.

Sobre isso, o ministro disse que “a produção doméstica de biocombustíveis não deve ser vista somente como alternativa de combustíveis mais limpo do que os combustíveis fósseis convencionais, mas como uma grande oportunidade de mercado interno alternativo para a produção agrícola nacional”.

Segundo disse, as oleaginosas, quando cultivadas em rotação com outras culturas (as de segurança alimentar), garantem o aumento da comercialização da produção agrícola dos produtores familiares, o que gera potenciais benefícios de desenvolvimento económico de segunda ronda para as suas comunidades”.

O acordo visa priorizar outras sementes oleaginosas, a serem cultivadas em terras degradadas, ou em terrenos agrícolas abandonados, onde não haja concorrência destas culturas com a produção de alimentos e ração animal.

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