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Inundações provocam encarecimento de hortícolas no Infulene 

Mais de 30 hectares de culturas diversas do Vale do Infulene são dados como perdidos devido às últimas chuvas que caíram na cidade e província de Maputo. O facto está a influenciar a subida de preços nos campos agrícolas, assim como nos revendedores.

Teresa de Fátima, com balde de nas mãos, inclina para a terra que muito bem conhece, tentando resgatar o pouco que sobra das suas culturas depois da última chuva que caiu na zona sul do país. Ela é agricultora no Vale do Infulene ou, simplesmente, cintura verde da cidade de Maputo.

“O que sobrou são apenas estes canteiros onde fui colhendo o que escapou das águas. Mas do outro lado, todas as folhas de abóbora que tinham semeado foram arrasadas por inundações”, lamentou Fátima de João, agricultora no Vale do Infulene.

Pouco ou quase nada sobrou depois daqueles quatro dias de chuva. A mulher que pratica a agricultura desde os anos 70, tinha 33 canteiros e destes sobraram-lhe, apenas, quatro. Já os 103 (entenda-se canteiros) das folhas de abóbora nem sequer sobrou algo.

“Não temos culturas. Estamos expectantes em relação à nova sementeira para ver no que é que vai dar”, disse a agricultora, num tom de resignação.

O futuro é, ainda, uma incerteza para estes homens, mulheres e jovens cujas vidas estão dependentes da agricultura, mas nem com isso se deixam abalar. Lançaram novas culturas à terra fértil mesmo que o preço das sementes seja demais para seus bolsos.

“O que nos causa dores de cabeça é o preço das sementes. Está muito caro e nós não temos tal dinheiro. Cultivamos os canteiros em dias diferentes porque as sementes são caras, 50 meticais o copo”, reclamou Fernanda Jaime, também agricultora na cintura verde da cidade de Maputo.

Ainda que as sementes não sejam baratas, os agricultores do Vale do Infulene, na cidade de Maputo, não puderam subir os preços das hortícolas. “Quando chove, nós somamos prejuízos. Até vendemos por 100 ou 50 meticais o canteiro porque os produtos estão estragados”, expôs Ana Alberto, sublinhando não ser possível subir o preço porque os seus clientes não têm dinheiro.

Contudo, o secretário-geral da Associação Agrícola Sombras das Enxadas não descarta a possibilidade do aumento de preços das hortícolas por conta das inundações que, em 40 hectares daquela agremiação, arrasaram por completo, 20.

“A maior extensão das nossas terras estão submersas e assim há escassez de produtos. Uma vez que há esta escassez, teremos de subir o preço, ou melhor, já subiu”, revelou Lourenço Banze, secretário-geral da Associação Agrícola Sombras das Enxadas.

O preço das hortícolas nos campos agrícolas já subiu e os revendedores também subiram. Por isso, sempre que aparece um carro correm até às viaturas para venderem os produtos, mas os clientes, estes, sentem-se retraídos.

“O negócio não vai nada bem porque compramos as hortícolas a preços elevados e quando a gente chega aqui (nas bermas da estrada da 2M) marca um preço para podermos ganhar alguma coisa dizem que estamos a roubar para eles (os clientes)”, referiu Geraldina Macarringue, vendedeira de hortícolas nas bermas da estrada da 2M, na cidade de Maputo.

A vendedeira explica, por exemplo, que o alface vendiam a 50 meticais e agora fazem 60 porque nas machambas há escassez de produtos e “o machambeiro só marca o preço e vai embora sem se importar com a qualidade do que vende. Os preços que não estão abaixo de 1000 meticais”.

Penitência Eugénio, vendedeira de hortícolas, secunda, apontando os factores por detrás deste cenário: “O preço subiu agora porque com a chuva que caiu, as machambas perderam muitas culturas”, justificou.

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