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Inundações na Matola travam ida de crianças às aulas

Foto: O País

Há alunos que não vão à escola devido a inundações de residências e intransitabilidade de ruas em vários bairros, na Província de Maputo, devido à chuva que caiu nos últimos três dias.

A chuva que cai desde domingo último, nas cidades de Maputo e Matola, veio mais uma vez colocar a nu a situação precária a que muitos cidadãos estão sujeitos.

A frase “é sempre assim quando chove” ouve-se sempre que a nossa equipa escala os bairros assolados pelas inundações. É que, na verdade, o cenário é sempre o mesmo e a pergunta é: até quando as populações continuarão a sofrer?

Escalamos o bairro Nkobe, no Município da Matola, Província de Maputo, e o que ao longe parecia uma simples rua alagada, quanto mais nos aproximávamos, ficava visível a triste situação em que Énea Vilanculos e os seus dois filhos passam desde Dezembro do ano passado.

“Estamos a passar mal aqui, já passaram seis meses com água dentro do quintal. Se tivesse uma vala de drenagem, talvez fosse ajudar, porque assim, não está a dar. Pedimos socorro”, disse Énea Vilanculos.

As ruas ficaram intransitáveis, as casas inundadas e a água tomou conta de tudo. Até do direito de circular na própria casa.

Dona Énea conta que, para sair e entrar, tem de ter botas. “Aqui, está cheio de água. As crianças já nem podem brincar à vontade, pois não sabemos o que pode existir nela”, desabafou.

No bairro Nkobe, na Província de Maputo, circular pelas ruas requer botas ou encarar a água. Mas, em consequência da intransitabilidade das ruas, os filhos da dona Énea perdem aulas há semanas.

“As crianças estão há duas semanas sem irem à escola, por causa da chuva e da água que inundou as ruas. Nós não temos dinheiro para comprar botas e, enquanto isso, porque não conseguem chegar lá, só podem ficar por aqui, a brincar”, concluiu Énea Vilanculos.

Igual a Zita e Edson, filhos da Énea Vilanculos, estão tantas outras crianças do bairro Nkobe e arredores que, no lugar das aulas, brincam na água e, ter infecção nos pés é frequente e o tratamento é local.

“De tanto andar na água, temos tido problemas nos dedos dos pés e tratamos com óleo e água quente. Mas depois voltamos à mesma água”, disse Sónia Manhique, também mãe de duas crianças que não vão à escola devido à intransitabilidade.

Na casa da dona Sónia, a água ocupou todo o quintal. Para lavar roupa, cozinhar, ir à casa de banho, ela pensa duas vezes, pois tudo deve ser feito no mesmo quintal, cheio de água.

O grito de socorro vem de todos os lados, mas nem todas as crianças optam por gazetar as aulas. Com recurso a botas, muitas são as que atravessam as poças, mas há quem vá mais longe em busca do conhecimento, contra todos os riscos.

Contudo, não são só as casas que sofrem os efeitos da chuva.

As estradas da Matola têm sido a principal vítima nos últimos dias. A chuva vem pôr à prova a qualidade das mesmas e o resultado não é dos melhores, segundo a avaliação dos automobilistas.

“Estamos mal nesta estrada. O que estou a ver é que o Município [da Matola] não conhece esta estrada, apenas conhece os chapas da Liberdade. É um sacrifício andar aqui, ainda nós que fazemos mais de cinco viagens por dia”, declarou Nélson Manhique, motorista de transporte público de passageiros, que faz a rota Liberdade – Losalite.

Está tão mal que visitar o mecânico passou a ser actividade diária. São buracos, uns maiores que outros. “Temos que trocar as rótulas e a suspensão quase sempre. Nestas condições não dá para nada.”

Aos buracos da Liberdade juntam-se os da Machava 15, Damaso Ferreira, Nkobe, Patrice e tantos outros bairros, que clamam por reabilitação urgente.

“Só estamos a andar por falta de alternativas, pois a estrada está péssima. Com esta chuva, está pior e, com a ameaça de mais chuva, poderá ser impossível transitar”, declarou António Tomás, um dos automobilistas que desafiou a estrada de Nkobe.

Segundo os automobilistas, a chuva só veio piorar a degradação das vias, mas está insustentável circular de viatura, quer por degradação, quer por charcos, em pleno asfalto.

Ainda em consequência das chuvas intensas, está interrompida a circulação rodoviária no troço entre o posto administrativo de Catuane e a localidade de Madubula e ainda prevê-se a interrupção no troço entre a localidade de Madubula e o posto administrativo de Bela Vista.

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