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Inundações em Maputo afectam também “zonas de luxo”

Alguns bairros tidos como nobres, nas cidades de Maputo e Matola, não escaparam aos impactos das chuvas. Várias casas ficaram inundadas e as águas estagnadas colocam a causa a qualidade do saneamento.

As águas da chuva arrasaram as ruas de alguns bairros da “elite”, na cidade e província de Maputo. Após a chuva, durante o trajecto, as águas acharam um obstáculo que, geralmente, é uma das casas de luxo construída no “caminho natural”. As águas ficavam estagnadas e as outras habitações sofriam as consequências: inundações.
No bairro Belo Horizonte, por exemplo, a paisagem dos majestosos edifícios foi ofuscada pela fúria das águas.

“Como é que vamos chamar isto? Rio Belo Horizonte? Está mal. Nem para ir trabalhar dá”, lamentou um dos residentes da zona, num vídeo por si filmado e que “O País” teve acesso.

Outro cidadão fez, igualmente, um vídeo no qual “desabafa” por conta dos estragos causados pelas chuvas.

“Isto não é normal. As pessoas são obrigadas a mergulhar na água para poderem passar. Que situação”, lamuriou.
Ora, as inundações não afectam apenas o Belo Horizonte, tal como documentam as imagens partilhadas nas redes sociais. No Triunfo, na cidade de Maputo, as águas das chuvas importunam os moradores dos “edifícios de luxo”.

“Quando cai a chuva, não temos como circular e a situação fica mais complicada para os carros. É que há uma bacia e quando chove a água fica estagnada. Desde sábado, por exemplo, nem carros e muito menos pessoas saíram de casa”, contou Coisaque Ernesto, residente do bairro Costa do Sol, na cidade de Maputo.
Um problema agudizado pela construção desornada que, em algum momento, caracteriza este bairro.

“Antigamente, a água tinha passagem porque era antes de se construírem novas casas. Hoje passamos mal. Os moradores dessas residências também passam por dificuldades”, expôs Hegino Safrauno, morador do bairro.

“Antes disso, a água passava à vontade, mas as residências começaram a fechar o caminho das águas e elas não têm outro trajecto senão esse já obstruído”, acrescenta Coisaque.

Além dos luxuosos edifícios já construídos na zona baixa do bairro Triunfo, cidade de Maputo, há ainda assim moradores que preparam terrenos para erguer suas casas no chamado “percurso natural das águas”.

As novas construções não param de surgir e, como consequência, as camadas mais desfavorecidas passam por dias difíceis sempre que chove.

“Quando chove, nós enfrentamos situação de inundações. As águas invadem nossas casas. As ruas estão também alagadas”, indicou Clácia Fernando.
Rafael Pedro, residente, também morador do bairro, diz saber da origem do problema das inundações:
“Isso acontece porque a vala está obstruída e todas as casas estão perto da vala. O mesmo cenário se repete nas ruas. A água não tem passagem. Construções novas são uma barreira”, apontou.

A “moda” de construir casas de luxo em zonas propensas às inundações também reina no bairro Chihango.

Mesmo com a chuva a reprovar a construção de casa nesses locais, as obras não param e, como resultado, os quintais das “mansões” viram autênticos riachos.
“As águas não têm passagem por causa de outras obras que fazem aterros, bem como outras ruas não têm aterros”, narra Fernando Sigaúque.

“Para podermos passar, tivemos que perfurar alguns muros para a água poder ter passagem até ao mangal. Caso contrário, a água não passa. Só quando o sol aparece, ela dura um mês e alguns dias para desaparecer”, explica Sigaúque, morador de Chihango, acrescendo que grande parte dos proprietários das casas não ficam nelas, daí que torna-se difícil abordar sobre esta questão.

“Algumas pessoas têm condições em relação às outras. Por isso, levantam suas casas, sabendo que a zona enfrenta problemas de inundações. Antes disso, a água chegava até ao mar. Quando a chuva cai, a água já não chega ao destino”, constatou Sigaúque.

De lembrar que para dar lugar a alguns dos edifícios no Triunfo, alguns mangais foram removidos. Contudo, o Conselho Municipal de Maputo assegurou há semanas que vai retirar títulos de Direito de Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT) atribuídos a esses locais.

 

 

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