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O País – A verdade como notícia

O Presidente da Guiné, Mamady Doumbouya, e o seu homólogo da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, acordaram em reforçar a cooperação bilateral em áreas como segurança, comércio e política.

Doumbouya chegou a Abidjan na sexta-feira, tendo mantido conversações com Ouattara. Durante um encontro realizado no domingo, os dois Chefes de Estado defenderam o aprofundamento das relações entre os dois países, com particular atenção para os desafios de segurança que afectam a região.

O Presidente guineense destacou a necessidade de fortalecer a cooperação no domínio da inteligência, considerando-a fundamental para fazer face ao crime transfronteiriço e ao terrorismo.

“Assim como vocês, estou convencido de que não pode haver desenvolvimento sem paz e estabilidade”, afirmou Doumbouya, defendendo maior intercâmbio de informações e uma acção conjunta entre os dois países.

Segundo um comunicado divulgado pelo gabinete de Alassane Ouattara, Doumbouya apontou igualmente o combate à mineração ilegal de ouro como uma questão estratégica para a região.

Um relatório divulgado em 2024 estima que até 40 por cento do ouro produzido em África não seja declarado, situação que representa milhares de milhões de dólares em receitas perdidas para os países africanos.

 

As autoridades da Indonésia informaram este domingo que perderam o contacto durante a madrugada com um navio de passageiros que transportava 240 pessoas numa rota pelo mar de Java e que se encontrava a sul da ilha de Bornéu.

A Agência de Busca e Salvamento da Indonésia indicou através de um comunicado que  o navio deixou de transmitir a sua posição por volta da 01:00, hora local (19:00h de sábado em Moçambique). 

De acordo com o relatório preliminar da agência de salvamento, durante o último contacto, a tripulação informou que a embarcação enfrentava “condições meteorológicas adversas” e as últimas coordenadas situam o navio a cerca de 80 milhas náuticas a sudoeste da localidade de Basirih, no sul de Bornéu.

De acordo com o registo de embarque, 240 pessoas encontravam-se a bordo.

Os acidentes marítimos são comuns na Indonésia devido a infraestruturas precárias, sobrecarga de passageiros e mercadorias, cumprimento pouco rigoroso das normas de segurança e condições meteorológicas adversas.

Em 2018, mais de 150 pessoas morreram afogadas quando um  navio naufragou num dos lagos mais profundos do mundo, na ilha de Sumatra, num dos piores acidentes deste tipo na história recente do país.

Os líderes dos BRICS apelam à máxima contenção perante a escalada do conflito no Médio Oriente e defendem o diálogo e a diplomacia como caminhos para travar o agravamento das hostilidades.

A posição foi assumida na Declaração de Nova Deli, adoptada este sábado, durante a 18.ª Cimeira dos BRICS, que reúne os líderes dos países membros na Índia.

O bloco manifesta profunda preocupação com o aumento das tensões na região e pede às partes envolvidas que evitem qualquer acção que possa agravar ainda mais o conflito.

Os BRICS defendem igualmente a protecção da população civil e das infra-estruturas civis, além do respeito pela soberania e integridade territorial dos Estados, em conformidade com os princípios da Carta das Nações Unidas. 

Mas a preocupação do grupo vai além da dimensão militar. Os líderes alertam para os impactos da crise sobre o comércio internacional, as cadeias de abastecimento e a segurança energética, defendendo a manutenção do fluxo regular de bens e energia.

O bloco rejeita ainda medidas coercivas e sanções unilaterais que considera contrárias ao direito internacional, numa referência que ocorre num contexto de fortes tensões envolvendo o Irão e de medidas económicas contra Teerão e Moscovo. 

A declaração ganha particular relevância porque os BRICS reúnem países com posições distintas perante a actual crise. Entre os membros está o Irão, directamente envolvido no conflito, enquanto os Emirados Árabes Unidos mantêm uma relação estratégica com os Estados Unidos.

A Arábia Saudita condenou um ataque com drones contra o seu oleoduto Leste-Oeste, afirmando que a ofensiva foi lançada a partir do território iraquiano e provocou feridos e danos materiais.

Em comunicado divulgado na sexta-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros saudita informou que o ataque atingiu infra-estruturas nas regiões de Riade e Medina. O Reino decidiu, para já, não responder militarmente, depois de o primeiro-ministro iraquiano ter solicitado o adiamento de qualquer acção de retaliação.

Segundo as autoridades sauditas, a decisão pretende dar ao Governo iraquiano tempo para adoptar medidas destinadas a impedir novos ataques contra a Arábia Saudita a partir do seu território.

O Ministério da Energia saudita anunciou, entretanto, o encerramento preventivo do Oleoduto Leste-Oeste, depois de este ter sido alvo de vários ataques. Equipas de emergência e técnicos foram mobilizados para avaliar os danos e garantir a segurança da infra-estrutura.

O oleoduto desempenha um papel estratégico para a Arábia Saudita, transportando petróleo bruto dos campos situados no leste do país para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, permitindo evitar a passagem pelo Estreito de Ormuz.

O Governo iraquiano condenou o ataque e saudou a decisão de Riade de adiar uma eventual retaliação. As autoridades iraquianas garantiram que o seu território e espaço aéreo não serão utilizados como plataforma para ataques contra outros países.

O primeiro-ministro iraquiano e comandante-em-chefe das Forças Armadas, Ali al-Zaidi, ordenou uma investigação urgente para identificar os responsáveis pelo ataque e prometeu que os envolvidos serão responsabilizados nos termos da lei.

Mais tarde, o porta-voz do comandante-em-chefe das Forças Armadas iraquianas, Sabah al-Numan, revelou que as investigações confirmaram que o ataque foi lançado a partir de um local situado na província de Maysan, no sul do Iraque.

Na sequência desta descoberta, foi ordenada a constituição de uma comissão de investigação no Comando de Operações de Maysan e a destituição do comandante militar da província.

O Governo iraquiano reiterou que não tolerará qualquer actividade que ameace a segurança do país ou prejudique as relações com Estados vizinhos e países amigos.

Seis cidadãos nigerianos ligados a uma alegada rede criminosa organizada foram extraditados da África do Sul para os Estados Unidos da América, onde deverão responder por acusações de fraude electrónica e branqueamento de capitais.

Os seis homens, detidos na Cidade do Cabo em 2021, são acusados de integrar a rede criminosa conhecida como Black Axe, apontada pela Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) como uma das organizações envolvidas em crimes financeiros e cibernéticos à escala internacional.

Segundo as autoridades sul-africanas, os suspeitos terão lesado mais de 100 mulheres norte-americanas em mais de seis milhões de dólares, através de alegados golpes românticos praticados na internet.

Entre as vítimas estarão reformados e empresários que terão sido abordados através de plataformas digitais, onde os suspeitos terão desenvolvido relações afectivas com as vítimas antes de lhes solicitar dinheiro sob diferentes pretextos.

Os seis suspeitos foram entregues a agentes do FBI e do Serviço Secreto dos Estados Unidos, no Aeroporto Internacional da Cidade do Cabo, para serem transportados para os Estados Unidos, onde deverão responder judicialmente pelas acusações.

A porta-voz da polícia sul-africana, Katlego Mogale, confirmou que a transferência foi coordenada pela Interpol na África do Sul e envolveu a deslocação dos suspeitos de um centro de detenção para o aeroporto.

A Black Axe é apontada pelas autoridades internacionais como uma organização criminosa transnacional envolvida em diferentes modalidades de fraude, incluindo golpes românticos, esquemas relacionados com criptomoedas e falsas oportunidades de investimento.

A extradição ocorre numa altura em que as autoridades internacionais intensificam as operações contra redes criminosas da África Ocidental envolvidas em crimes cibernéticos e branqueamento de capitais.

Numa operação recente da Interpol contra organizações criminosas da região, foram detidas 58 pessoas e identificados 263 suspeitos alegadamente ligados a diferentes redes envolvidas em crimes financeiros semelhantes.

Na África do Sul, a operação incluiu buscas em sete locais na cidade de Joanesburgo, relacionados com uma rede suspeita de aplicar golpes românticos e de investimento contra reformados de países de língua inglesa.

Durante a operação, a polícia sul-africana deteve 39 pessoas, apreendeu activos avaliados em 2,67 milhões de dólares e bloqueou mais de 250 contas bancárias.

As autoridades dizem que as operações visam desmantelar as redes de branqueamento de capitais, identificar os principais suspeitos, recuperar bens obtidos de forma ilícita e reforçar a cooperação internacional no combate ao crime organizado e às fraudes financeiras praticadas através da internet.

A Assembleia Nacional da Nigéria proibiu todas as visitas oficiais de representantes do país à África do Sul, na sequência da continuidade dos actos de violência contra imigrantes naquele país.

A medida abrange igualmente as interacções oficiais em plataformas digitais e surge em resposta aos relatos de ataques contra cidadãos nigerianos residentes na África do Sul. Segundo a Assembleia Nacional, há cidadãos nigerianos que terão sido mortos, feridos, deslocados ou obrigados a abandonar os seus negócios devido à violência.

As autoridades nigerianas afirmam que não podem ignorar os ataques persistentes contra os seus cidadãos no estrangeiro e acusam a África do Sul de não estar a fazer o suficiente para prevenir e combater a violência contra imigrantes.

A tensão voltou a aumentar na última semana, em Durban, onde manifestantes invadiram um acampamento que acolhia cidadãos congoleses, provocando confrontos violentos.

A África do Sul, uma das economias mais industrializadas do continente africano, tem atraído, há décadas, imigrantes de diferentes países, tanto em situação regular como irregular. Contudo, o país enfrenta elevados níveis de desemprego, fragilidades na prestação de serviços sociais e elevadas taxas de criminalidade.

Analistas consideram que, perante estes problemas, os imigrantes têm sido cada vez mais apontados como responsáveis pelas dificuldades económicas e sociais, apesar de vários dos problemas estarem relacionados com décadas de ineficiência na governação.

A Nigéria tem assumido uma posição crítica em relação à situação, exigindo das autoridades sul-africanas medidas mais eficazes para garantir a segurança dos cidadãos estrangeiros e travar os ataques xenófobos.

O candidato a Presidente do Brasil Flávio Bolsonaro é investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro no financiamento de um filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, numa investigação tornada pública hoje.

A abertura do inquérito foi determinada pelo juiz André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em julho passado, mas foi tornada pública hoje, após o presidente dessa instituição, Edson Fachin, retirar o sigilo do caso do Banco Master na noite de quinta-feira.

Na decisão, Mendonça escreve que a PF requereu a instauração das diligências para apurar “a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos, que teriam sido praticados, em tese” por Flávio Bolsonaro.

A acção decorre “no contexto de financiamento para a produção de obra cinematográfica denominada Dark Horse junto ao Banco Master do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro”, escreveu o juiz na decisão que autorizou a abertura do inquérito.

A Procuradoria-Geral da República, consultada por André Mendonça, não se opôs à abertura do inquérito, ao apontar “indícios de condutas ilícitas”, além de determinar a investigação de propostas legislativas do também senador, e agora candidato a Presidente, ou apoiadas por ele em defesa do Banco Master.

O financiamento da cinebiografia do seu pai é um calcanhar de Aquiles na campanha de Flávio, desde que o portal The Intercept Brasil revelou áudios em que pede dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro preso por fraude no sistema financeiro.

À época das revelações, Flávio Bolsonaro primeiro negou, depois admitiu ter pedido e recebido dinheiro de Vorcaro para financiar o filme, e prometeu, mas não cumpriu, fazer a prestação de contas financeiras do filme em até 30 dias.

Vorcaro ajudou a financiar Dark Horse em negociações e conversas diretas com Flávio Bolsonaro, que além de pedir dinheiro, também cobrou mais de uma vez que os pagamentos, segundo o cruzamento de informações da PF.

Uma das principais suspeitas dos investigadores é que parte dos recursos foram usados para as despesas do seu irmão Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde se encontra desde fevereiro de 2025.

O financiamento do filme Dark Horse é investigado em dois inquéritos no Supremo brasileiro, sendo o primeiro, relatado por Mendonça, trata do percurso e finalidade dos recursos feitas por Vorcaro para custear o longa-metragem.

O segundo inquérito, sob responsabilidade do juiz Flávio Dino, investiga se a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme, de facto usou verba pública, entre elas de emenda parlamentar, para custear despesas com o filme.

Questionado hoje em conferência de imprensa, Flávio Bolsonaro associou o fim do sigilo e novas operações policiais autorizadas pelo STF, ao facto dele ter passado numericamente Lula da Silva, seu principal adversário, em algumas sondagens de intenção de voto.

A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta para a persistência da corrupção, da violência e das violações dos direitos humanos no Sudão do Sul, a poucos meses das eleições previstas para Dezembro deste ano. A advertência surge depois de uma comissão de direitos humanos das Nações Unidas ter concluído que o país não registou progressos significativos na luta contra a corrupção e na estabilização política.

O Governo sul-sudanês pretende realizar as eleições em Dezembro, naquela que será a primeira votação desde a independência do país, conquistada há 15 anos. Entretanto, a situação política e de segurança continua marcada por fortes tensões entre as forças leais ao Presidente Salva Kiir e as ligadas ao líder da oposição, Riek Machar.

Segundo a comissão da ONU, o agravamento dos confrontos ocorre num contexto de colapso do acordo de partilha de poder entre os dois rivais políticos. A instabilidade tem sido acompanhada por graves violações dos direitos humanos, incluindo assassinatos, deslocamentos forçados, violência sexual e detenções arbitrárias.

A comissão considera que continuam ausentes várias condições necessárias para a realização de eleições pacíficas, livres e credíveis. O espaço político e cívico no país terá igualmente diminuído, dificultando a participação e a actuação de diferentes sectores da sociedade.

No domínio da corrupção, a ONU afirma que pouco mudou desde a publicação, no ano passado, de um relatório que denunciava o desvio de milhares de milhões de dólares provenientes das receitas petrolíferas por elites governamentais.

Os recursos, segundo o documento, terão sido desviados enquanto o país continuava com graves carências em áreas fundamentais, como educação, saúde e construção de instituições públicas.

O comissário da ONU, Carlos Castresana Fernandez, defendeu a realização de investigações independentes às alegadas violações e práticas de corrupção, alertando que a impunidade contribui para o agravamento da violência.

Por sua vez, a presidente da comissão, Yasmin Sooka, afirmou que os padrões de violação dos direitos humanos pouco se alteraram, enquanto o custo humano da crise continua a aumentar.

As eleições no Sudão do Sul já foram adiadas duas vezes, em 2022 e 2024, devido à incapacidade do Governo de criar as condições e estruturas necessárias para a sua realização.

A recente ordem do presidente queniano William Ruto para fechar pequenos negócios de propriedade de imigrantes gerou pânico no país. Mas agora, buscando reverter a situação, o Quénia alertou os trabalhadores estrangeiros de que eles têm 90 dias para regularizar sua situação.

O ministro das Relações Exteriores do Quénia insistiu que as novas regras não representam uma proibição total. Musalia Mudavadi afirmou: “O Quénia não está implementando uma proibição geral para estrangeiros que atuam em pequenos negócios, mas busca garantir que sua participação esteja em conformidade com o Protocolo do Mercado Comum da Comunidade da África Oriental e com a legislação nacional aplicável.”

O anúncio de Ruto gerou temores de que o Quênia pudesse presenciar o tipo de violência xenófoba vivenciada na África do Sul nos últimos meses. Nairóbi procurou dissipar essas preocupações.

Musalia Mudavadi afirmou: “O Quénia está aberto ao comércio em pequena e grande escala por parte de estrangeiros, desde que cumpram os requisitos de imigração, autorização de trabalho, registro e licenciamento. A abordagem do Quênia é, portanto, mais regulatória do que discriminatória.”

O anúncio inicial causou particular preocupação entre muitos burundianos que ganham a vida vendendo produtos nas ruas de Nairóbi.

No início da semana, centenas de burundianos acorreram à embaixada do Quénia, buscando retornar para casa. Em seguida, o ministro adjunto das Relações Exteriores do Quênia emitiu um pedido de desculpas, antes que o gabinete do presidente declarasse que “realizará um processo de regularização ordenado” nos próximos 90 dias para garantir que os migrantes possuam a documentação correcta.

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