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Inspecção dos campos: KO para Costa do Sol e OK para Ferroviário de Nampula

Os trabalhos de inspecção aos locais desportivos que vão acolher a actividade desportiva assim que forem relaxadas as medidas de prevenção iniciou e esta segunda-feira foi a vez dos recintos de futebol, com o campo do Costa do Sol a ser o ponto de partida. Das constatações verificadas naquele recinto, caso os treinos retomassem hoje, o Costa do Sol não seria autorizado a arrancar. O campo do Ferroviário de Nampula foi outro recinto inspecionado esta segunda-feira.

A inspecção do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado do Desporto, acompanhado pela Liga Moçambicana de Futebol, escalou o campo do Costa do Sol como ponto de partida para averiguar as condições dos recintos desportivos que vão acolher o futebol, caso seja autorizada a sua retoma. E no local constatou-se anomalias que devem ser sanadas para que o recinto esteja apto para treinos.

De acordo com o Inspector-geral do Desporto, Sidónio Chavisse, este é um trabalho que vem sendo feito de há um tempo a esta parte, tendo sido feito já inspecção em outros locais, como o Couts do jardim Tunduro e outros locais.

Para o futebol, o trabalho é feito por uma comissão que inclui pessoal da Secretaria de Estado do Desporto, do Ministério da Saúde e da Liga Moçambicana de Futebol, para preparar a retoma do desporto em caso de autorização.

“Estamos a observar o protocolo e olhar como está a ser preparação dos clubes que vão ao Moçambola, assim como os ginásios. O campo do Costa do Sol foi o ponto de partida e depois vamos seguir para outros locais da cidade e província. É um processo estarmos a verificar aquilo que foi a nossa proposta, e a proposta do Ministério da Saúde e as orientações da Organização Mundial da Saúde”, clarificou Sidónio Chavisse o trabalho que está a ser feito.

Na ocasião, o Inspector-geral do Desporto felicitou a direcção do Costa do Sol pelo trabalho que está fazer e “vimos aqui aquilo que são as regras emanadas e os aspectos que notamos são sanáveis, nomeadamente o trabalho que está a ser feito ao nível do balneário”. Mas dessa visita houve recomendações deixadas, tendo em conta que haviam falhas, nomeadamente “os cacifos que serão usados, que devem estar nominados”.

Sidónio Chavisse espera voltar ainda esta semana para verificar se as recomendações que foram deixadas terão sido ultrapassadas antes da aprovação final do campo do Costa do Sol.

Relativamente aos testes que devem ser feitos aos atletas antes da retoma, Chavisse disse que “pelo que percebemos teremos uma retoma sem os atletas terem feito os testes e isso será controlado a partir dos sintomas que cada um for apresentando ao longo da fase inicial dos treinos e ai haverá a intervenção da saúde para os cuidados necessários”. E nesta primeira fase “o controlo vai ser feito através da medição da temperatura e em caso de suspeita o atleta vai ser isolado”, por isso teria se deixado a recomendação para que o Costa do Sol crie uma sala para isolamento enquanto contacta-se os serviços de saúde em caso de suspeitas.

 

Costa do Sol foi chumbado pelo MISAU

Já o representante do Ministério da Saúde que fez parte da delegação que inspecionou o campo do Costa do Sol falou das anomalias encontradas naquele campo e que impendem que os “canarinhos” retomem imediatamente com as actividades desportivas.

De acordo com Valdo Mega, “temos que ter em conta algumas particularidades que nós encontramos aqui, que é a falta de uma zona para desinfecção dos pés, para os sapatos, mas também temos a questão dos desifectadores que ainda não estão fixos nas paredes e a questão dos balneários, onde deve-se demarcar os indicadores do fluxo dos jogadores e a ordem que garanta que cada um vai ao seu cacifo e vai ao campo de treino ou para casa”, disse.

Outrossim é que o clube deve garantir que o atleta saia do carro directamente para o campo sem entrar em contacto com outra pessoa, tendo em conta que estarão todos sem máscaras, e o treinamento será sem máscara, por isso da pertinência de haver distanciamento de cinco a dez metros. “E como MISAU deixamos recomendações e a posterior voltaremos para fazer a avaliação para averiguar se foram sanadas essas recomendações, incluindo os cartazes de prevenção”, alertou Mega.

Especificamente, a recomendação deixada pelo MISAU é que o Costa do Sol deve indicar as áreas de acesso, tanto do campo como do local dos cacifos, as zonas de desifencção dos pés, fixar os desinfectadores automáticos nas paredes ou então garantir balde com sabão e garantir o fluxo. Também devem garantir que algumas salas estejam encerradas, como a sala do treinador, que é pequena e não reúne condições e devem encontrar outra sala.

E por falar em entradas e saídas, no relvado não poderão estar todos atletas ao mesmo tempo. De acordo com Ananias Couana, presidente da Liga Moçambicana de Futebol, que acompanha a comissão de inspecção da SED e do MISAU, “numa primeira fase os treinos serão sem público e mesmo os plantéis não serão todos treinar ao mesmo tempo. Numa primeira fase será um terço do plantel e depois vão se seguir outras fases até termos a certeza e a segurança de que estamos a cumprir com todos os aspectos e os próprios atletas estão saudáveis para podermos entrar na parte prática e efectiva do nosso campeonato nacional”, garantiu.

Aliás, o que realmente a Liga Moçambicana de Futebol está a fazer é garantir que o protocolo sanitário apresentado seja respeitado e “sabemos que nesta primeira fase sairão recomendações que os clubes deverão seguir e caso o clube ou o recinto desportivo não reunir as condições para a retoma, nesta primeira fase, para os treinos, significa que não haverá condições para o efeito”. Mas todos os clubes estão sensibilizados e estão a trabalhar nisso, segundo disse Ananias Couana.

Ananias Couana garantiu ainda que os clubes já tinham começado a preparar, tendo em conta que o protocolo foi divulgado a todos eles, esperando apenas que todos os clubes que se preparam para disputar o Moçambola possam completar aquilo que está em falta para que havendo condições, ou ao nível do Governo serem autorizados para o regresso, estarem preparados para a parte dos treinos.

“Caso o clube não reúna as condições, terá que fazer um esforço para que tenhamos aquilo que está no papel, como protocolo, fisicamente a se verificar com o clube a ter essas condições. Estamos convictos que os clubes todos que querem participar e retomar as suas actividades terão que fazer um esforço adicional para que se cumpra com aquilo que está estabelecido no protocolo sanitário”, disse convicto o presidente da Liga Moçambicana de Futebol, Ananias Couana.

 

Ferroviário de Nampula também inspecionado e teve aval para os treinos

O campo 25 de Junho, local que é usado pelo Ferroviário de Nampula para os jogos do Moçambola, também foi alvo de inspecção esta segunda-feira e da avaliação feita recebeu um OK para poder iniciar com os treinos. Ou seja, o campo 25 de Junho foi aprovado para o regresso aos treinos, mas ficou com algumas recomendações por cumprir como a marcação de assentos no banco técnico, a colocação de limpa-pés em todos acessos e também a disponibilidade do álcool-gel individual para todos atletas.
Outras recomendações deixadas pela equipa que realizou a inspecção ao Campo 25 de Junho, nomeadamente Técnicos do Departamento do Desporto, Inspectores de Desporto e Técnicos de Saúde Pública da Direcção Provincial de Saúde, englobam o fecho de todos pontos de acesso, com a excepção do principal; assegurar a existência de meios de lavagem de mãos; treinos sem espectadores; restringir o número de pessoas com acesso ao treino; medição de temperatura de todos envolvidos nos treinos; desinfecção de todos equipamentos de treinos; e o clube deve garantir que os atletas vão ao treino devidamente equipados para evitar o uso do balneário, segundo escreve o jornal electrónico Lance.

Para além do campo do Costa do Sol, em Maputo e do campo 25 de Junho, em Nampula, outros locais serão inspecionados pela Secretaria de Estado do Desporto e o Ministério da Saúde, tendo em conta que esse foi uma das condicionantes colocadas pelo executivo moçambicano para o relaxamento das medidas para a retoma da prática do desporto, em particular o futebol.

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