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INAE suspende actividades no Matadouro de Inhambane

Foto: O País

Poucas horas depois de uma reportagem veiculada pelo “O País”, na qual retratava o cenário de imundice que se vive no Matadouro de Inhambane, a Inspecção Nacional de Actividades Económicas (INAE) fez-se ao local para ver de perto a situação.

Os inspectores visitaram cada compartimento do Matadouro, a começar pela sala de processamento de carne, onde constatou-se que a mesma estava suja. Aliás, há muito que não se fazia limpeza naquele local e a alegação era de que não havia água canalizada e, por isso, não havia condições para fazer limpeza.

Na mesma sala, foram encontrados sacos já bastante usados e que estavam sujos. Os inspectores questionaram a função daqueles sacos e o gestor do Matadouro disse que eram usados no transporte de carne do Matadouro para o local de venda.

Sobre o transporte de carne, a mesma é acondicionada na carroçaria de uma viatura de caixa aberta, exposta ao sol e poeira.

A seguir os inspectores da INAE foram ao compartimento de abate de animais e constataram que os animais são abatidos e processados no chão e só são levados ao guincho apenas para o corte. Sobre o assunto, a instituição defende que o processamento da carne no chão é, por si só, um risco à saúde e que a mesma deveria ser feita pendurada no guincho.

Outro compartimento que preocupou os inspectores é o de processamento dos membros do animal, nomeadamente a cabeça e as patas que estava imundo e com cheiro nauseabundo.

O local de descarte dos resíduos feitos durante o processamento dos animais é outra preocupação. O descarte é feito a céu aberto, a apenas 20 metros da praia, colocando em perigo a vida das pessoas e a vida marinha, além do cheiro nauseabundo característico daquela região.

Sobre as condições de trabalho, no local não existem sanitários onde os trabalhadores podem se lavar antes e depois do trabalho. Para satisfazer as suas necessidades biológicas, recorrem ao mesmo local em que são descartados os resíduos saídos durante o processamento dos animais.

Não há naquele Matadouro um vestiário onde os trabalhadores podem trocar de roupa e colocar a sua roupa de trabalho, que por sinal não existe na totalidade, pois a única coisa que têm é um par de botas e uma bata.

O local usado como vestiário era, na verdade, o ponto em que se fazia o abate e processamento de suínos e aves.

Diante da situação, a INAE decidiu pela suspensão das actividades daquele estabelecimento, até que estejam criadas as condições.

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