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Iliteracia digital entre os desafios do comércio electrónico no país

Foto: O Pais

O comércio electrónico no país ainda é deficitário, devido a limitações de acesso à internet, baixa literacia digital e falta de infra-estruturas tecnológicas robustas. Esta ideia foi defendida no segundo painel do primeiro dia da Moztech.

Desde a eclosão da pandemia da COVID-19, as vendas e compras através da internet cresceram a 90 por cento em todo o mundo, estatísticas nas quais Moçambique está longe de se destacar, dados os desafios de vária ordem.

Os participantes do painel subordinado ao tema Disrupção pelo E-Commerce da Moztech consideram que o país tem que resolver questões básicas e que o comércio electrónico deve ser feito em função das condições locais.

“Temos que começar com o que já temos e não estarmos a procurar outras condições para podermos funcionar. Portanto, o ideal é fazermos usos das capacidades que possuímos para responder à exigência do mercado, claro sem deixar de pesquisar outras alternativas”, afirmou Shaida Sene, uma dos painelistas.

No tocante à literacia digital, Abdul Mueid, gestor de uma plataforma de vendas digital, aponta que tem sido muito difícil fazer comércio electrónico num contexto em que as pessoas desconhecem as ferramentas digitais.

No seu entender, Mueid disse que Moçambique pode fazer melhor, mas é preciso ultrapassar as limitações mais básicas que interferem nas vendas e compras via online.

“Oportunidades existem, mas aqui, em Moçambique, há falta de talentos da área de tecnologia. Por exemplo, nas nossas operações, temos muito mais trabalho, para além de vender temos que explicar como esses sistemas funcionam”, referiu-se Abdul Mueid.

Para além do fraco acesso à internet, formação e infra-estruturas, a insegurança electrónica é também um dos aspectos que dificultam o desenvolvimento do comércio electrónico no país.

Segundo Lourino Chemane, director do Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação, apesar de o país contar com uma lei de segurança electrónica, ainda são necessários regulamentos específicos que possa orientar as operações digitais.

“Há previsões sobre o comércio electrónico, mas ainda não temos o regulamento em si. Felizmente, estamos a caminho de preparar esse instrumento e tomaremos em consideração a dinâmica actual do mercado”, afirmou Lourino Chemane.

Segundo o dirigente, a regulamentação do comércio electrónico poderá atenuar as vendas digitais informais. Outro desafio é a inexistência de dados estatísticos sobre o comércio informal, o que dificulta uma possível formalização.

Lourino Chemane diz, entretanto, que o regulador tem que ser cauteloso na tomada de algumas medidas sobre o comércio electrónico, para não retrair o mercado.

Por outro lado, Chemane entende que a regulamentação do comércio electrónico não cabe apenas a nível interno, mas também é um desafio na esfera global.

“Há desafios de dimensão internacional em termos de regulamentação do comércio electrónico e a participação equitativa de actores nacionais e internacionais na dinamização na dinamização de países em via de desenvolvimento”, disse Lourino Chemane.

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