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“Homens como Hortêncio Langa não morrem jamais, apenas dormem”

O Conselho Municipal de Maputo homenageou, a título póstumo, esta quarta-feira, Dia da Cidade de Maputo, o músico Hortêncio Langa. Na cerimónia realizada no Átrio do Passos do Município estiveram a família e eternos amigos do artista versátil.

 

Em 1977, Stewart Sukuma chegou a Maputo. Nessa altura, tinha 14 anos de idade e, como se fosse ontem, o artista lembra que a primeira música que ouviu na rádio, “Teresa”, de Hortêncio Langa, era um hit nacional. Daí em diante, o tema ficou no seu coração.

A música a que Stewart se referiu no Átrio do Passos do Município, esta quarta-feira, momentos antes de a interpretar na cerimónia de homenagem póstuma a Hortêncio Langa tem como protagonista uma mulher. Teresa é nome da personagem que, certo dia, se vai embora, deixando para trás, entende-se, o marido e os filhos menores que clamam pela presença da mãe. Por isso mesmo, o sujeito afectado pela ausência da mulher, faz uma ode a pedir o regresso da amada, ora reforçando o seu amor, retratando a dor das crianças, ora pedindo que Teresa volte para casa.

De facto, 44 anos depois de Stewart Sukuma ter-se deixado encantar por “Teresa”, a interpretou na homenagem àquele que considera um dos seus compositores favoritos. “Tive o privilégio de privar com ele, de cantar com ele e tenho influência dele na minha música. Hoje, Hortêncio Langa continua a ser uma referência do que eu componho”.

Além de “Teresa”, Stewart Sukuma interpretou “Lirandzu”, outra música que significa muito para si, sempre acompanhado por Walter Mabas na guitarra.

A música de Hortêncio Langa foi cantada por várias vozes que o admiram. Num dos momentos mais simbólicos da cerimónia, Xixel Langa cantou três músicas em memória do pai. No palco, a cantora não esteve sozinha, fez-se acompanhar pelos seus manos: Dário Langa (na guitarra) e Texito Langa (bateria). Antes de cantar, com efeito, a autora do álbum Inside me confessou: “Esta é a primeira vez que vou cantar sem o dono das músicas. Já estava habituada a ser corrigida depois de as interpretar, mas me preparei bem e espero que gostem”.

Xixel cantou como sabe e os dois irmãos tocaram de forma particular os temas daquele que continua a ser inspiração para a família Langa. Os munícipes de Maputo e o seu presidente ouviram o trio. Mais tarde, quando se dirigiu ao pódio, Eneas Comiche afirmou: “Para que fique registado na História, decidimos honrar a memória de Hortêncio Langa, homenageando publicamente na data em que Maputo celebra 134 anos da sua elevação à categoria de cidade”. Continuou Comiche: “Hoje, os munícipes e o Conselho Municipal de Maputo curvam-se a este homem que cantou a realidade de Maputo, de forma exímia. Celebrando a sua obra, recordamos a carreira de um homem que se tornou referência graças aos seus temas e aos seus ritmos musicais”.

Segundo Eneas Comiche, Hortêncio Langa é digno de admiração e respeito por ter internacionalizado a música e a cultura moçambicanas, por exemplo, através da sua participação em festivais musicais e eventos artísticos no estrangeiro.

Reconhecendo o gesto do Conselho Municipal, em nome da família, Dário Langa, primeiro, lembrou o pai como um educador por excelência e artista versátil. Segundo, afirmou que as obras deixadas pelo pai vão influenciar novas gerações. “Homenagear Hortêncio Langa”, disse Dário Langa, “é prestar homenagem à cultura moçambicana por ele ter procurado soluções e reconhecimento para os artistas”.

Para os filhos, Hortêncioo Langa foi um homem com um carácter sem igual, firme, mas carinhoso. Sempre bem-disposto. Disse Dário Langa: “A família recebe esta homenagem com imensa gratidão. Homens com ele [Hortêncio Langa] não morrem jamais, apenas dormem”.

O último conjunto a interpretar composições de Hortêncio Langa, na cerimónia de homenagem, foi a banda Alambique, de que o músico fez parte até à morte. Antes de cantar, Arão Litsure revelou: “Levantamo-nos dos escombros musicais para homenagear Hortêncio Langa.

Na sessão que contou com a presença da viúva de Hortêncio Langa, o Conselho Municipal de Maputo ofereceu um diploma de honra e 100 mil meticais à família do músico que cantou “Maputo, u xonguile demais”.

 

 

 

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