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“Hackers” exigem dinheiro para não vazar dados confidenciais do Governo

Os piratas informáticos, que atacaram portais do Governo, exigem uma quantia não muito clara de dinheiro para não vazar dados confidenciais, incluindo do Ministério da Defesa. Já o INAGE diz que esta informação não constitui preocupação e que a prioridade é repor a segurança das páginas.

Até à tarde desta segunda-feira, o Instituto Nacional de Governo Electrónico tinha garantido que a situação de portais do Executivo, que foram alvos de ataque informático, estava controlada, ou seja, que toda a informação foi recuperada e aos piratas não foi pago nenhum valor de resgate.

De facto, quase todas as páginas estão operacionais, mas a do Ministério da Defesa chama atenção. Do cache consta uma mensagem dos hackers exigindo ao Governo um valor de resgate, não muito claro, para não vazarem informações que consideram confidenciais.

Olá, estamos de volta. Avisamos o Governo que está completamente infiltrado, incluindo 34 Ministérios do seu Governo. Se esta quantia (de 20.000 mil dólares) não for transferida em Bitcoin, dados confidenciais serão vazados, incluindo o Ministério da Defesa e todas as informações dos oficiais e e-mails secretos. O limite de tempo é de 24 horas”, lê-se no recado dos piratas informáticos.

Confrontamos o director-geral do Instituto Nacional de Governo Electrónico com esta informação e disse que não constitui preocupação. “Quando eu gravo algo num computador e se não limpar, em algum momento pode vir aquela informação associada por mais tempo. Não sei se é uma questão de cache, eu teria que entrar, porque fiz refresh. Não fui para o Google porque conheço o site do Ministério da Defesa e abriu. Agora, se tem uma informação associada, talvez seja algo que esteja no cache”, explicou Hermínio Jasse, director-geral do Instituto Nacional de Governo Electrónico.  

Assim sendo, perguntamos ao director do INAGE se tal pode significar que os piratas tenham mandado a mensagem de pedido de resgate há muito tempo e a resposta não foi esclarecedora.

“Não sei responder-lhe, neste momento, porque daquilo que me disse e explicaram e o que eu sei como docente, mas também como um profissional da área de informática. Tentei explicar o que é cache e como isso funciona e o que poderá ter acontecido. Para eu lhe dar informações conclusivas, nem hoje, nem amanhã vou estar em condições, porque nós temos as prioridades. A prioridade para nós é trabalhar gradualmente e isso pode ser um trabalho de uma semana ou mais. As nossas equipas, neste momento, estão a trabalhar. Só não posso dizer que tipo de trabalho está a ser feito, porque são questões confidenciais, mas está a ser feito um trabalho para aumentar os níveis de segurança”, disse Hermínio Jasse.

Hermínio Jesse vai mais longe e esclarece que conteúdos que constam de cache podem ser verdadeiros, assim como falsos. “Como eu lhe disse, há prioridades da instituição e do Governo. A prioridade número um, aquele que está em Nicoadala, Singué, Zumbo, Caia, eles têm que conseguir ter informações de que precisam. Nós achamos que isto que está a trazer, pode até ser verdade. Teríamos de consultar, mas, mesmo sendo verdade, não achamos que isso inviabiliza o cidadão de ter a informação. A preocupação é ver se todas as pessoas conseguem ou não aceder às páginas. Deixem-nos trabalhar”, sublinhou o director-geral do Instituto Nacional de Governo Electrónico.

E por falar em trabalho, os portais do Governo estiveram inoperacionais por algum momento, nesta terça-feira, mas o Instituto Nacional de Governo Electrónico tranquilizou e disse não se tratar de um ataque cibernético.

Através de um comunicado de imprensa, explicou: “Esta medida decorre da necessidade de intensificação e reforço de mecanismos de segurança cibernética, pelo que parte dos portais pode estar temporariamente inacessíveis para consulta”, consta do documento.

Algumas páginas, apesar de estarem operacionais, ainda apresentaram uma informação segundo a qual continuam controladas pelos piratas informáticos.

O INAGE acrescenta que os ataques cibernéticos não cessaram, o que justifica e sustenta a manutenção técnica do servidor para garantir a integridade dos dados. 

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