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Há professores que não dominam as matérias que leccionam

Foto: O País

Há professores que não dominam o currículo da 4ª classe do Sistema Nacional de Ensino. A informação foi avançada pelo Reitor da Universidade Pedagógica de Maputo, que falava hoje, durante a assinatura de um memorando de entendimento entre a sua instituição, o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano e a Universidade Eduardo Mondlane.

Jorge Ferrão reconhece haver desafios enormes no sector da educação, que, segundo dados partilhados pela Faculdade da Educação da UP-Maputo, 80% dos professores não têm domínio dos conteúdos leccionados na quarta classe.

“Não queria falar sobre o domínio nas áreas de Matemática e da Língua Portuguesa, porque essas habilidades estão muito abaixo daquilo que seria o esperado e daquilo que deveria ser o normal desempenho dos nossos professores”, disse Jorge Ferrão.

Para este facto, é responsabilidade das instituições que formam os professores e apela para que assumam integralmente.

“A responsabilidade também é nossa. Não podemos sacudir a água do capote e achar que são os outros os culpados. Nós, a UP-Maputo e todas as universidades que têm faculdades de educação, temos que assumir esta responsabilidade. E já devíamos ter assumido há algum tempo”, referiu.

Este memorando é assinado numa altura em que o país se depara com desafios ligados à qualidade na formação de professores e à qualidade do ensino, havendo já estratégias, a destacar as reformas no Sistema Nacional do Ensino, com a implementação da Lei 18/2018.

Aliado a isto, o Reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Orlando Quilambo, diz que a instituição que dirige está ciente dos problemas que o sector enfrenta, por isso espera que, com o memorando, haja desenvolvimento nas áreas de pesquisa, formação de professores e maximização do conhecimento que é produzido nas e pelas faculdades e centros de formação e pesquisa em educação.

“A universidade de investigação que queremos construir é uma instituição cuja qualidade e relevância são cruciais. Antevemos neste memorando um enorme potencial para a incubação de iniciativas que respondam às demandas de educação no nosso país. Por parte da UEM, o memorando será cumprido na íntegra, fazendo coro para que o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano se beneficie de todo o conhecimento que a universidade possui”, disse o Reitor da UEM.

Por seu turno, Carmelita Namachulua aponta este memorando como um caminho para o alcance da qualidade de que tanto se fala, que tem como o epicentro a formação de professores.

Através deste memorando, ficam estabelecidas as formas de colaboração e coordenação interinstitucionais, no domínio académico, tecnológico, desenvolvimento curricular, de pesquisa, inovação e extensão, supervisão pedagógica, formação e capacitação de professores, formadores e gestores das instituições de ensino e formação de professores”, disse Namachulua.

A governante espera que este acto permita o reforço na melhoria da qualidade de ensino, através da formação e/ou capacitação dos professores dos subsistemas de educação de adultos, educação geral e educação e formação de professores.

“Os Institutos de Formação de Professores, instituições de referência ao nível do sector da Educação, devem estar na vanguarda desta nobre missão de moldar o cidadão, em geral, e os nossos jovens, em particular, que são o futuro deste país, em conhecimentos e habilidades, por forma a dar resposta aos diversos desafios que a sociedade nos coloca, fazer as nossas crianças saberem ler, escrever e calcular”, afirmou a ministra.

“Temos que estar todos engajados na formação de professores de qualidade, que, no exercício das funções, consigam incutir no seio dos nossos jovens em tenra idade escolar de valores éticos, morais, do espírito de cidadania, patriotismo e solidariedade que irão consubstanciar no amor ao próximo”.

O memorando ora assinado vai reforçar a implementação do Plano Estratégico da Educação, 2020-2029, aprovado em 2020, que visa, entre vários aspectos, o alargamento das oportunidades educativas e garantia do acesso e retenção, a melhoria da qualidade de ensino e reforço da capacidade institucional.

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