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Há mais de 500 mil pessoas com HIV/SIDA sem acesso aos anti-retrovirais no país

Pelo menos 546 mil pessoas, de um total de 2.100.000, com HIV/SIDA no país, continuam sem acesso ao tratamento anti-retroviral, segundo o Ministério da Saúde. Não obstante a situação, as autoridades revelam haver redução do número de infecções e de mortes causadas pela doença.

Durante três dias, a contar a partir desta quarta-feira, especialistas de Saúde em matérias de doenças de transmissão sexual, das quais o HIV/SIDA, vão discutir, na capital do país, as melhores estratégias de prevenir e combater a doença, bem como formas de atingir as metas traçadas.

Na abertura da VIII Reunião Nacional do Programa Nacional de Controlo às ITS e HIV/SIDA, o ministro da Saúde, Armindo Tiago, disse que houve progressos na luta contra a doença. Mas, apontou a violência armada em Cabo Delgado, a instabilidade perpetrada pela Junta Militar da Renamo em Manica e Sofala, os desastres naturais e a pandemia da COVID-19 como obstáculos às acções que visam travar as doenças de transmissão sexual.

“Actualmente, 74% das pessoas vivendo com HIV/SIDA em Moçambique estão a receber gratuitamente o tratamento anti-retroviral e 94% da nossa rede sanitária pública oferece serviços TARV. Nos últimos anos, temos observado uma tendência de redução de infecções e de mortalidade por HIV. Esta tendência encoraja-nos e sabemos que não está a acontecer por mero acaso, mas sim é fruto de um trabalho árduo e que merece ser consolidado nos próximos tempos”, introduziu o dirigente.

Armindo Tiago disse que o risco de infecção continua alto entre adolescentes e jovens e reiterou a necessidade de vencer o estigma e a discriminação.

No país, a maior vulnerabilidade à infecção por HIV recai sobre as raparigas e adolescentes entre 15 e 19 anos de idade, estimada em 6.5%. A vulnerabilidade da mulher ao HIV/SIDA, para além de factores biológicos, também se deve a factores socioculturais e económicos que afectam negativamente a rapariga e a mulher jovem.

“Segundo estimativas, no ano passado houve, no país, 98.000 novas infecções, 38.000 mortes e 94.000 mulheres grávidas positivas para o HIV”, considerou o ministro da Saúde.

A sociedade civil e os parceiros de cooperação na luta contra as doenças de transmissão sexual encorajam as acções em vigor, visando reduzir o impacto da chamada “doença sexual”, junto ao tecido social e económico do país e entendem que o Ministério da Saúde deve continuar a buscar soluções para encontrar resposta ao HIV/SIDA.

Entre os países africanos de língua oficial portuguesa, Moçambique apresenta o número mais elevado de pessoas infectadas pelo HIV/SIDA.

A VIII Reunião Nacional do Programa Nacional de Controlo da enfermidade decorre sob o lema “Juntos Rumo ao Controlo do HIV em Tempos de Emergência”.

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