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Há escolas que não desinfectam salas de aula em Maputo

Na sequência do anúncio da retoma das aulas presenciais no país, o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, em coordenação com o Ministério da Saúde, elaborou uma série de procedimentos que visam evitar a propagação da COVID-19 nas escolas públicas e privadas e educação pré-escolar, com cumprimento de carácter obrigatório.

Actualmente, com a terceira vaga da doença a ameaçar cada vez mais, com alguns registos preocupantes em escolas públicas e privadas, é mais do que indispensável o cumprimento escrupuloso do protocolo sanitário, para travar a propagação do vírus no recinto escolar.

Entretanto, apesar dos constantes apelos para o cumprimento das medidas de prevenção, ainda há escolas que não cumprem na íntegra este protocolo e as justificações são inúmeras.

A chefe de repartição da Educação na cidade de Maputo, Sandra Machaieie, disse que as escolas receberam orientações claras para o cumprimento do protocolo sanitário, sem excepção.

Sandra Machaieie assegura que a sua instituição ainda não ter recebido quaisquer relatórios sobre a falta de desinfecção nas escolas.

“Existem documentos que indicam como devemos proceder e todas as escolas receberam. Nós temos estado a fiscalizar e a monitorar o processo, para garantir que haja cumprimento. Nas escolas existe material suficiente para a desinfecção”, afirmou

Entretanto, a realidade no terreno mostra o contrário. Uma ronda feita pelas escolas primárias, na cidade de Maputo, provou haver alguns estabelecimentos que ainda têm dificuldades para cumprir na íntegra o protocolo sanitário.

O défice orçamental e a falta de trabalhadores estão entre os motivos apontados pelos gestores escolares para o incumprimento.

A Escola Primária Completa de Alto-maé, por exemplo, diz que tem cumprido com as medidas emanadas pelo sector da Educação, entretanto há entraves.

“Nós temos espalhado pela escola baldes para lavagem das mãos, sabão, temos ainda higienizado as salas de aula, pelo menos três vezes por dia, mas isto nem sempre tem acorrido”, desabafou Alberto António, director da escola.

Alberto António disse ter toda a escola empenhada em garantir que não haja contaminações, entretanto, há vezes que os seus esforços são reduzidos a nada e o vilão é a insuficiência do orçamento que é alocado às escolas primárias.

“Todas as escolas primárias, pelo menos no distrito Municipal Kampfumo, ressentem-se da insuficiência do orçamento do estado alocado, que um mês pode vir, no outro não. Há tempos, os encarregados de educação é que nos ajudavam a suprir algumas necessidades, mas com a COVID-19, tudo piorou, principalmente com as despesas diárias que temos que suportar em prol da saúde das nossas crianças”, explicou, acrescentando que “se não tivermos uma ajuda nos próximos dias, corremos o risco de enfrentar dificuldades para a lavagem das mãos”.

Na Escola Primária Completa Unidade 10, a realidade é um pouco melhor. O material, segundo o director, é suficiente, tanto que são cumpridas todas as medidas de prevenção.

“Logo à entrada os alunos são medidos a temperatura, tem disponíveis baldes para lavagem das mãos, controle de uso de máscaras constante, roteiro de circulação, entre outros. Julgamos que com estas medidas estamos a combater a doença na nossa escola”.

Entretanto, mesmo em meio a tantos cuidados, a nossa equipa de reportagem constatou que, na mudança de turnos, as salas de aula não são sempre desinfectadas. Questionado sobre o facto, Amilcar Bata, director da Escola Primária Completa Unidade 10, afirmou não ser habitual esta atitude, tendo imediatamente procurado se informar.

Confirmada a constatação, o responsável pelo processo de desinfecção das salas e de todos os espaços comuns, que na altura cumpria outras tarefas, foi chamado, e, embora tarde, iniciou a higienização das salas, apenas as que ainda não estavam ocupadas pelos alunos do turno seguinte.

Nunca antes a COVID-19 tinha infectado, matado tanto no país e afectado sobremaneira os estabelecimentos de ensino como nesta terceira vaga, em que há registos de mais de 20 pessoas infectadas, entre alunos e professores, só na cidade de Maputo.

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