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Há enchentes nas conservatórias para registar crianças e “ganhar” matrículas

Foto: O País

Cinco dias após o início das matrículas da primeira classe para o ano lectivo de 2022, o processo nas escolas decorre ainda de forma tímida. Mas, as conservatórias do registo civil verificam enchentes de pais que querem registar os seus filhos para o processo de matrículas.

A situação não é nova, quase todos os anos, quando chega o período das matrículas, as conservatórias de registo civil ficam abarrotadas de pais querendo registar os seus filhos.

A primeira Conservatória de Registo Civil da Cidade de Maputo é disso exemplo. Na manhã desta quarta-feira, pais, junto dos seus filhos menores, aglomeraram-se no local para fazerem o registo.

Rogério Joaquim é encarregado de educação de Mário Joaquim, menor que, em Janeiro de 2022, irá completar seis anos, mas só esta quarta-feira é que se tentava registar o menino.

“Não registei antes por falta de tempo. Trabalhava na província de Cabo Delgado, longe do menino e agora que consegui voltar é que vim fazer isso. Estive aqui ontem, não fui atendida, estava muito cheio, hoje tentei chegar cedo, não sei se seremos atendidos, porque todos esses querem registar os seus filhos”, disse.

As filas eram longas, cada um arranjava um canto para descansar enquanto aguardava pelo momento para ser atendido. Carla João contou ao jornal “O País” que chegou ao local por volta das seis horas, e até às 11 horas, ainda não tinha sido atendida.

“Está muito cheio aqui. Eu sou adulta e já não aguento, imagina esta criança?”, reclamou Carla João.

A situação criou embaraços não só para os que queriam registar, mas também para quem queria tratar outros documentos, como Figueiro Zefanias, que pretendia tratar certidão de óbito do seu ente querido.

“Estamos a sofrer, porque perdemos o nosso familiar e agora também estamos a sofrer nessa fila, desde ontem, dizem que a prioridade é para os que querem fazer registo de nascimento, não faz sentido. As nossas cerimónias estão dependentes desta certidão”, reclamou o munícipe.

Enquanto as conservatórias vivem enchentes, o cenário inverso verifica-se nas instituições de ensino, como é o caso da Escola Primária Unidade 25, pois, até esta quarta-feira, apenas 15 encarregados foram inscrever os seus filhos, segundo explicou o director da escola, Paulo Cumbane.

A escola tem disponíveis 241 vagas para o ano 2022, e o responsável da instituição acredita que, até 31 de Dezembro, último dia das inscrições, as metas serão alcançadas.

Cenário igual vive-se na Escola Primária Khurula que tem, actualmente, 1743 alunos e que dispõe de 300 vagas.

“O movimento está muito fraco, ontem, matriculámos três alunos, hoje, dois alunos. Ontem, teríamos matriculado quatro, entretanto uma das crianças só completa seis anos em Novembro e vai contra o diploma ministerial que diz que só são elegíveis crianças que completem seis anos até 30 de Junho”, avançou a directora da Escola, Isabel Marote.

A professora apela aos pais e encarregados de educação para matricularem os seus filhos o mais cedo possível, por questões organizacionais, tanto da parte da escola, quanto da parte dos encarregados.

As matrículas iniciaram a 01 de Outubro e terminam a 31 de Dezembro de 2021.

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