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Há condições para Moçambique aliviar restrições por causa da COVID-19, diz virologista Pedro Simas

O virologista português Pedro Simas entende que Moçambique tem condições para adoptar o desconfinamento, na sequência das restrições impostas com o Coronavírus. Para Simas, desde que as medidas de prevenção sejam continuamente respeitadas.

Pedro Simas, pesquisador em saúde e virologista português com créditos em diversas instituições de ensino e de saúde lusófonas, partilhou diversas leituras sobre a evolução do Coronavírus no mundo e, em particular, com uma óptica para o caso de Moçambique, no programa Noite Informativa da STV Notícias, edição de ontem.

Para o especialista, o que se diz em relação a vários países “terem atingido o pico”, abarca a “primeira vaga” e que, no seu entender, “foi muito bem controlada pela maioria dos países europeus, ao se aperceberem de que o vírus se transmitia por gotículas respiratórias”.

“O que nós fizemos foi a combinação das regras de distanciamento físico, o uso da máscara e a higiene das mãos, que controlaram muito bem essa primeira vaga. Mas eu queria realçar que estes picos não correspondem ao pico da pandemia como um todo, porque para a pandemia desaparecer é preciso que haja uma determinada percentagem de infecções que confere uma imunidade populacional. E nos vários países da Europa essa percentagem média anda a volta de 5 a 10%”, afirmou o virologista.

Simas referiu ainda que o facto de ter existido a “primeira vaga”, poderá haver uma segunda.

“A pandemia só fica paralisada quando atinge o equilíbrio de disseminação do vírus num contexto em que a maioria da população já é resistente à disseminação exponencial. A segunda vaga, terceira vaga, ou então a quarta depende do comportamento do ser humano”, explicou.

O virologista exemplificou a transição das diversas estações em que o vírus se comporta no organismo humano, ao referir que o microrganismo “precisa de hospedeiros”. Nesse sentido, o comportamento humano determina a sua evolução. Aqui, atitudes como o distanciamento físico, o uso de máscaras e outras medidas de prevenção são decisivas.

Por outro lado, um outro aspecto abordado pelo virologista diz respeito a idade ser considerada um grupo de risco. Para o especialista, esse pensamento torna-se anacrónico uma vez que o grupo de risco não tem a ver, directamente, com a idade. “Parece ter que ver porque a probabilidade de as pessoas mais velhas terem atingido várias doenças é maior, mas se uma pessoa jovem tiver apanhado também algumas dessas doenças é, também, grupo de risco”, elucidou.

 

A leitura sobre o contexto moçambicano

Questionado sobre Moçambique, no tocante aos baixos registos de mortes e internamentos pela doença, comparativamente aos demais países da região e do continente em geral, o virologista disse que o facto pode significar que o país tem muito pouca infecção. “Agora, porquê Moçambique tem pouca infecção não sei explicar”, afirmou, tendo sublinhado “não acreditar que seja porque os moçambicanos são geneticamente diferentes do resto do mundo”.

“É possível que Moçambique tenha uma camada muito grande em que os grupos de risco estejam bem protegidos e que não haja bastante vírus a circular, bem como não tenham sido identificados tantos casos de infecção, ou que não haja pessoas a ir ao hospital fazer testagem”, expôs o especialista em saúde.

Pedro Simas, que tem sido apologista a uma visão não globalmente pessimista quando se fala sobre o vírus, comentou, igualmente, sobre o vaticínio feito pela Organização Mundial da Saúde em relação à possibilidade da doença ser controlada nos próximos dois anos.

“Daqui a ano, se voltarmos a falar, acho que as coisas já estarão muitíssimo bem. Eu penso que, de forma gradual, os países vão construindo a diferentes ritmos uma imunidade de grupo por uma infecção natural, e também, o próprio facto de controlamos a situação com máscaras e distanciamento social, permite-nos desacelerarmos um pouco”, declarou, em perspectivas.

Polémico e divisório de opiniões sempre que debatido, Simas debruçou-se, por último, sobre o desconfinamento. Para o médico, “desde que Moçambique tenha atenção a estas regras (de prevenção) e boa capacidade de testagem”, o país pode buscar pela “nova normalidade” em desconfinamento. O virologista do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa, assinala que Moçambique, assim como qualquer outro país, “tem condições para desconfinar”.

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