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Há cada vez mais vendedores nas estradas e pontes da cidade e província de Maputo

Foto: O País

O número de pessoas que praticam o comércio informal em locais expressamente proibidos, na cidade e província de Maputo está cada vez mais a aumentar. A Polícia Municipal conhece o problema, mas não tem uma solução a vista.

É uma das práticas mais antigas nas principais cidades do país e não só.

O Comércio informal sempre foi alternativa para quem não consegue encontrar um trabalho formal.

Estrada nacional N1, N4, circular de Maputo e tantas outras vias, na cidade e província de Maputo, têm algo em comum. É que, quando o relógio marca 13 horas, pessoas vindo de diferentes bairros começam a montar as suas bancas nas bermas da estrada, para caçar quem por ali passa.

Nestes locais vende-se quase tudo, desde frutas, verduras, roupas e calçados diversos, ou seja, tudo aquilo que pode facilmente aliciar os automobilistas que percorrem as vias. As razões são várias.

“Nós não temos para onde ir. Sabemos que proíbem estar aqui, mas nós não temos mercado no bairro”, disse Aida Diamantino, comerciante informal, que vende ao longo da circular de Maputo, no bairro Chihango.

A ousadia destas pessoas, maioritariamente mulheres, é tanta que nem a presença da Polícia Municipal, nem a existência de placas dizendo “Proibida Venda”, lhes intimidam.

“Proíbem-nos vender aqui. Quando a Polícia chega arranca-nos ou pisa os nossos produtos, mas onde iremos vender porque não temos mercado”, desabafou aos nossos microfones a senhora Olinda Cossa, também comerciante.

Vendedores contam que deste local, ao longo da Estrada Circular de Maputo, parece que a Polícia cansou-se de lhes expulsar, pois eles sempre voltam.

As pontes pedonais também não escapam à busca pela sobrevivência. Seja em cima ou em baixo, as pessoas que aqui vendem ignoram todo tipo de perigo, isto porque, segundo eles, os clientes não compram nos mercados.

São pontes projectadas para o tráfego de peões para evitar atropelamentos nas auto-estradas, porém o crescimento do comércio informal fez nascer em quase todas as pontes aéreas de Maputo e Matola, autênticos “dumba-nengues”.

Aqui todos estão expostos ao perigo, mas ignoram-no pois a luta pela sobrevivência fala mais alto.

Conversamos com várias pessoas que vendem por cima da ponte. Cada um com seu negócio. Vende-se tomate, roupas, bijuterias, calçados e tantas outras coisas. Há gente a atravessar de um sentido para outro. Uns param para apreciar, outros simplesmente passam.

Edson Alberto vende há dois anos, reconhece que “vender aqui em cima da ponte é mau, mas como nós queremos dinheiro, acabamos ficando, principalmente porque todas as pessoas passam por aqui e compram”, disse.

Um outro “caçador de clientes aéreos” responde pelo nome de Hélton Tomás. Vende na ponte pedonal do Benfica, há poucos meses, mas tens memórias.

“Lá em baixo, nos passeios, estão a proibir a venda, nos mercados está cheio e os clientes não entram. Aqui onde estamos ajudamos também a manter a ponte limpa”, disse.

E o movimento que eles tanto procuram, encontram nas pontes, pois há quem já nem vai ao mercado para fazer compras.

“Esse é um outro dilema. Eu sou moradora deste bairro, mas nunca entrei no mercado para comprara algo. Compro tudo aqui. Não sei qual deveria ser a educação cívica deveria se passar para os munícipes sobre este assunto”, disse Nelsa Santos, alguém que encontramos apreciando roupa usada nas várias bancas montadas no topo da ponte da Casa Branca, ao longo da estrada nacional N4.

Um outro cidadão jurou de pés juntos que nunca tinha comprado algo na ponte e condenou quem o faz.

“Fica mal que, numa ponte como esta haja pessoas a praticarem comércio como se de um mercado se tratasse. Nos mercados há muito espaço, mas as pessoas gostam de estar aqui, serem corridas diariamente pela polícia municipal”, declarou Venâncio Xavane.

A empresa sul-africana Trac, gestora da estrada nacional N4, reconhece o problema, porém diz não ter muito a fazer, senão apostar na sensibilização.

Fenias Mazive, Porta-voz da TRAC, diz que a situação é antiga e por várias vezes, inclusive em coordenação com a Polícia Municipal, levaram a cabo uma serie de actividades de sensibilização, mas não tem surtido o efeito desejado, o que, segundo ele, é reflexo da situação económica do país.

“Nos sensibilizamos sempre. Algumas acatam outras não. O mesmo acontece com as pessoas que atravessam na via pública. Já tivemos uma situação de acidente que envolvia duas senhoras que vendem refeições na via pública. Quando elas se recuperaram voltaram para o mesmo local. É complicado”, disse.

A mesma acção tem sido aposta da Polícia Municipal de Maputo, embora pareça não estar a surtir efeito.

“Não só vender, mas existem munícipes que compram, achamos que, deforma estratégica, se nós abrangermos o munícipe para evitar comprar, pode ser uma acção para desencorajar o vendedor a permanecer naquele local”, disse Mateus Cuna, Porta-voz da Polícia Municipal Maputo.

Só na cidade de Maputo, há dezenas de mercados vazios, no entanto as pessoas preferem se aventurar na via pública, disputando os espaços com os carros, cidadãos e Polícia Municipal, tudo pela busca de clientes.

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