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Guterres alerta para possibilidade de incumprimento das decisões da COP 26

Foto: UNAIDS

A COP 26 arrancou com baixas expectativas de que os acordos a serem alcançados contribuam para limitar a subida da temperatura no planeta em 1,5 graus Celsius. O Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse à saída das 20 economias mais desenvolvidas do mundo que há um sério risco dos entendimentos saídos de Glasgow não serem cumpridos.

Esta é a imagem do entendimento saído de Paris em 2015, visando essencialmente limitar o aumento da temperatura global ao máximo de 2ºC em relação aos níveis da era pré-industrial.

No entanto, seis anos depois, os países continuam com altos níveis de uso de combustíveis fósseis e desmatando a taxas incompatíveis com o Acordo de Paris. Nos últimos anos, o mundo passou por uma série de desastres climáticos relacionados às mudanças climáticas, desde ciclones como o Idai e Keneth em Moçambique, até inundações severas a incêndios florestais ao redor do mundo.

A COP 26 é descrita como uma espécie de última chance para os países salvarem o planeta. Aliás, domingo na abertura da Conferência das Nações Unidas, o Presidente da COP, Alok Sharma, reconheceu que, sob o ponto de vista ambiental, o mundo está a ficar pior.

“Amigos, em cada um dos nossos países, estamos a ver o impacto devastador das mudanças climáticas. E nós sabemos que o nosso planeta compartilhado está a mudar para o pior e só podemos resolver isso juntos por meio deste sistema internacional”, disse

Optimista, o Presidente da COP comentou, em conferência de imprensa, após a reunião técnica, sobre o tema da transição energética que interessa bastante a Moçambique, país que está a explorar carvão mineral em Tete, uma fonte de energia não limpa. Numa altura em que o carvão de Moatize é um dos principais produtos de exportação de Moçambique, foi anunciado em Glasgow que a China assumiu o compromisso de reduzir o financiamento internacional ao carvão.

“O que aconteceu no mês passado, eu acho que foi bastante notável em termos de compromissos para acabar com o financiamento internacional do carvão. Claro, vocês viram a China a declarar de forma muito significativa, na Assembleia Geral da ONU, através do Presidente Xi Jinping, que também encerraria o financiamento internacional do carvão”, acrescentou.

Entretanto há baixas expectativas sobre a COP 26. É que terminou este domingo na Itália a cimeira dos 20 países mais industrializados do mundo e que são responsáveis por 80 por cento dos gases de efeito estufa libertados para o meio ambiente. E dos 20, apenas 12 aceitaram continuar a emitir gases poluentes até 2050. A China, Índia e Rússia já disseram que têm outras prioridades.

É por isso que, à saída da Cimeira do G20, o Secretário-geral das Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, assumiu que há sérios riscos de os compromissos de Glasgow virem a falhar.

“Na véspera da COP 26 em Glasgow, todos os caminhos para o sucesso passam por Roma. Mas, sejamos claros, há um sério risco de que Glasgow não cumpra. Vários anúncios recentes sobre o clima podem deixar a impressão de um quadro mais optimista. Infelizmente isso é uma ilusão”, lamentou Guterres.

O receio de ilusão que António Guterres tem é também sustentado pelo facto de os Presidentes da China, da Rússia e também do Brasil não se fazerem presentes à Conferência, que arrancou neste domingo, e se estende até 12 de Novembro.

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