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Guerra na Ucrânia não coloca combate ao terrorismo em segundo plano

Foto: GPR

Moçambique e Portugal dizem que a guerra e crise humanitária na Ucrânia não vão reduzir o apoio a Moçambique para combater o terrorismo em Cabo Delgado. Filipe Nyusi e Marcelo Rebelo de Sousa concordam também que não é problemática a abstenção de Moçambique na resolução da ONU contra a Rússia.

Marcelo Rebelo de Sousa chegou esta quinta-feira a Maputo para uma visita de quatro dias. Chegou num voo comercial que aterrou no Aeroporto Internacional de Maputo e foi recebido com honras militares e gestos culturais que só os moçambicanos ostentam. Não tardou até que Marcelo Rebelo de Sousa se sentisse em casa.

“Depois de Portugal, Moçambique é minha casa”, disse o Chefe de Estado português que rumou dali para a Presidência da República, onde foi recebido por Filipe Nyusi para um tête-à-tête há muito programado, mas a quarta vaga da COVID-19 na Pérola do Índico obrigou o adiamento.

Moçambique e a sua componente de segurança estiveram em primeiro na reunião bilateral, com os dois dirigentes a garantirem que “a guerra e crise humanitária na Ucrânia não vão colocar o combate ao terrorismo em segundo plano”, significando que nada torna irrelevante um assunto de carácter global e que já fez mais de três mil mortos e 800 mil deslocados em quatro anos (no país), para além de danos infra-estruturais e crise humanitária gerada.

“Em Moçambique, nós temos uma experiência recente com a pandemia da COVID-19. É a pior dos últimos tempos, mas, mesmo com ela, não deixamos de combater a malária. Com isto, quero dizer que as acções de combate no Teatro Operacional Norte continuam. Estamos a responder ao terrorismo com os nossos parceiros que estão no terreno e com os outros parceiros como Portugal, cujo Presidente está aqui connosco e vai visitar os centros de treinamento de Katembe, na Cidade de Maputo, e Dongo, em Manica, onde há jovens a serem preparados militarmente com a ajuda da União Europeia”, declarou Filipe Nyusi.

O Presidente de Portugal, país que contribui com a maior fatia dos 15 milhões de euros destinados à melhoria das forças armadas moçambicanas, deixa garantias: “não deixaremos de apoiar Moçambique, bilateralmente e no quadro da União Europeia, na formação, nas capacidades e no apoio financeiro adequados ao combate ao terrorismo”.

Marcelo Rebelo de Sousa acrescenta explicando que “uma coisa é a posição em relação à Ucrânia no quadro da UE, da NATO e Nações Unidas, outra coisa é uma realidade que vem de antes, como esta, num país irmão””.

No encontro que decorre num contexto internacional difícil, Filipe Nyusi aproveitou para explicar a abstenção de Moçambique na monção de censura das Nações Unidas contra a Rússia.

Moçambique não está de acordo com a guerra e isso está claro! Nós defendemos que haja diálogo e não ficamos de um ou outro lado. Aliás, “estamos felizes com o facto de os dois lados terem começado com as conversações”, disse Chefe de Estado moçambicano, fazendo referência à recente luz verde que os grupos de negociação da Rússia e da Ucrânia, que fizeram uma espécie de pré-acordo com 15 pontos de referência, incluindo um cessar-fogo imediato.

Filipe Nyusi diz que esta posição, já criticada publicamente pelo Embaixador dos Estados Unidos da América em Moçambique, Hendrick Vrooman, não compromete a candidatura do país ao cargo de membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU. Marcelo Rebelo de Sousa secunda.

“É bom que fique claro que Portugal apoia a candidatura de Moçambique desde o primeiro momento. Moçambique não votou contra aquilo que foi a posição generalizada da comunidade internacional, absteve-se. Isso é uma precisão que é importante fazer”, explicou.

Sobre as vantagens energéticas que Moçambique pode tirar com a crise energética que se vive na Ucrânia, Nyusi disse dispensar vantagens que derramam sangue. “A oportunidade até pode ser real, mas nós não gostaríamos que surgissem oportunidade fruto da morte de pessoas”, encerrou.

Moçambique e Portugal reviram os programas estratégicos de cooperação, alguns com passos mais concretos agendados para breve. A visita de Marcelo Rebelo de Sousa ao país é de quatro dias.

Esta é a terceira vez em que Rebelo de Sousa visita o país enquanto Presidente de Portugal. A primeira foi em 2016 e a segunda em 2020.

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