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“Guerra” contra manifestantes

Outubro é seguramente o mês com maior instabilidade desde que começou 2017, com as províncias do centro e norte a liderarem os casos de insurgência social que fizeram a morte de mais de 21 pessoas, em 20 dias, perfazendo uma média de uma morte por dia.

“Contra estes bandidos, contra estes energúmenos, contra estes vândalos, contra estes desinformadores, contra estes manifestantes ilegais haverá tolerância zero e vamos continuar a reprimir e combater, porque tem cobertura legal”, avisou Inácio Dina, ontem, numa conferência de imprensa convocada pelo Comando-Geral da Polícia para dar o ponto de situação da ordem e segurança públicas no país.

A intervenção, de ontem, é uma clara declaração de guerra contra quaisquer manifestantes no país, até porque Inácio Dina anunciou que elementos dos Serviços de Investigação Criminal e de Informação e Segurança do Estado estão no terreno a investigar, não só para esclarecer os casos que aconteceram, como também para desactivar qualquer tentativa futura de instabilidade social.

Na ocasião, foi analisada a agitação que aconteceu no distrito de Gilé, na província da Zambézia, devido ao alegado fenómeno de “chupa-sangue” que para a população está a ter protecção das lideranças comunitárias e da Polícia, por isso, “marcharam até às residências dos líderes comunitários locais, incendiaram as suas casas e a residência do director da cadeia distrital, vandalizaram as instalações policiais. A Polícia, mais uma vez, foi obrigada a repor a ordem pública”, disse o porta-voz do Comando-Geral.

Até aqui houve cinco detidos e a Polícia não fala de mortos. Entretanto, o nosso jornal falou com o comandante distrital de Gilé, que assegurou que houve duas crianças mortas, vítimas de balas perdidas disparadas pelos agentes da Polícia durante a repressão da manifestação.

Sobre a situação de Mocímboa da Praia, em Cabo Delgado, a corporação diz que a ordem pública foi reposta e continua a investigar os integrantes e as motivações dos ataques a unidades da Polícia que mataram alguns agentes. Inácio Dina reitera que a Polícia vai usar violência contra a violência.

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