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“Grandes” do futebol moçambicano sem financiamento em tempos da Covid-19

Os chamados clubes do futebol moçambicano, nomeadamente Costa do Sol, Ferroviário de Maputo, União Desportiva do Songo e Associação Black Bulls, esta última recentemente promovida ao Moçambola 2020 e que aguarda pela sua estreia, queixam-se da redução do financiamento financeiro por parte das empresas integradoras, por conta da pandemia do novo coronavírus

É uma situação nova e que surpreendeu todo mundo, com particular realce para o desporto mundial e nacional, em particular, bem como os seus fazedores e os patrocinadores. A Covid-19 obrigou a mudanças profundas na colecta de receitas das empresas que apoiam ou financiam os clubes nacionais, e estas, por seu turno, já se recentem com esta falta de financiamento.

Com a recente aprovação do pagamento de salários por parte dos clubes aos jogadores de futebol, mesmo em período de pouca produtividade futebolística, nomeadamente em 50 e 40%, dependendo da robustez financeira de cada clube, já há reclamações.

Os clubes estão prestes a entrar para o vermelho, tendo em conta as despesas que tem com os seus trabalhadores das respectivas sedes, mas também com a manutenção das suas infraestruturas, numa altura em que não há nenhuma prática da modalidade das massas, em virtude da prevalência do novo coronavírus.

Falando ao jornal electrónico Lance, alguns dirigentes desportivos falaram das dificuldades financeiras a que passam, devido a fraca participação das empresas que tutelam ou que apoiam aos clubes nacionais. Luís Canhemba, representante da União Desportiva do Songo, diz que os patrocinadores de alguns clubes também se ressentem da crise causada pela Covid-19, dando como exemplo a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, HCB, empresa integradora dos “hidroeléctricos”, que viu as suas receitas diminuírem por conta do “lockdown” na África do Sul, o que precipitou a redução do valor alocado à responsabilidade social, com destaque ao clube de Songo.

No encontro da passada sexta-feira, entre os clubes, o Sindicato de Jogadores de Futebol, a Federação e a Liga Moçambicanas de Futebol, a Associação de Treinadores de Moçambique e as secretarias da Juventude e Emprego e do Desporto, Luís Canhemba defendeu a proposta dos clubes de pagar 50% dos salários, como forma de defender os interesses dos jogadores, sem que se chegue à Lei de Trabalho em relação a este aspecto, que prevê que no primeiro mês se paga 75%, no segundo mês 50% e no terceiro mês 25% do salário dos trabalhadores, no caso concreto os jogadores e treinadores.

 

Restantes também “choram”

Os outros “colossos” não ficam atrás e também sentem o aperto financeiro. Jeremias da Costa, Presidente do Costa do Sol, disse, ao Lance, que alguns patrocinadores estão a enfrentar dificuldades para honrar com o seu compromisso e já deram conta que vão rever os acordos de patrocínio. Uma situação que deixa tranquilo Da Costa, que tem suas responsabilidades com jogadores e treinadores, mas também como os restantes trabalhadores do ninho do canário. Aliás, este sublinhou, no encontro da passada quinta-feira, que a proposta colocada pelos clubes já olha para o lado humano, vincando a necessidade da proteção dos contratos dos jogadores e treinadores. 

Pelo mesmo diapasão entrou o Presidente do Ferroviário de Maputo, Teodomiro Ângelo, que assumiu que os ferroviários, na sua extensão, também se ressentem desta crise, já que o patrocinador é o mesmo, no caso concreto a empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM). Foi por isso mesmo que Teodomiro revelou que a empresa integradora já alertou que vai ocorrer uma redução significativa do apoio financeiro por conta da redução da actividade nos portos e caminhos-de-ferro em todo o país, onde as receitas não são as mesmas dos tempo antes da COVID-19. 

Quem também deixou ficar o seu sentimento em relação aos apoios aos clubes, principalmente os que vão disputar o Moçambola 2020 é o empresário Juneid Lalgy, Presidente da Associação Black Bulls, equipa que ascendeu ano passado ao principal campeonato nacional. Lalgy, falando ao Lance, referiu que desde o confinamento obrigatório na vizinha África do Sul, decretado pelo respectivo presidente, Ciryl Ramaphosa, os camiões da sua empresa (Transporte Lalgy) estão sem transportar minério para o Porto de Maputo, razão pela qual já assume que vai trazer deficits nas receitas, o que vai prejudicar o apoio que tem dado ao desporto, no âmbito da responsabilidade social da empresa.

O facto mesmo é que estes clubes terão que fazer das “tripas coração” para que consigam pagar os salários, não só dos jogadores e treinadores, mas também de todos os trabalhadores que tem a responsabilidade de garantir a manutenção das infraestruturas dos mesmos.

 

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