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Governo e operadores da área 4 próximos do acordo

O impasse nas negociações entre o Executivo de Maputo e o consórcio liderado pela ExxonMobil e Eni no projecto de exploração de gás na área 4, da bacia do Rovuma, deverá conhecer o seu desfecho já nas próximas semanas.

O ministro dos Recursos Minerais e Energia, Max Tonela, anunciou para breve, o acordo entre o Governo e operadores da área 4, da bacia do Rovuma, para a viabilização do bilionário projecto de Gás Natural Liquefeito (GNL).

“Nas próximas semanas vamos aprovar o plano de desenvolvimento do GNL, apresentado pelo consórcio, depois de quase cinco meses de discussões em torno do documento”, revelou o governante.

Trata-se de um documento crucial para tomada da Decisão Final de Investimento (DFI) na área 4, da bacia do Rovuma, para exploração de hidrocarbonetos, cujos prazos iniciais apontavam para primeiro trimestre de 2019.

O DFI não avançou no período inicialmente previsto, devido a reprovação do primeiro draft do plano de desenvolvimento do gás nesta área, apresentado pelas petrolíferas em Julho de 2018, uma vez que o mesmo continha muitas lacunas e violava uma série de requisitos.

Um dos pontos de discórdia entre o Governo moçambicano e o consórcio liderado pela ExxonMobil e Eni, tem que a ver com limite de extracção do gás na área 4.

No plano de desenvolvimento apresentando ao Executivo, as petrolíferas exigem entre 21 e 22 triliões de pés cúbicos (TCF) de gás para alimentar o seu projecto offshore (no mar), quantidades abaixo do limite autorizado pelo Governo (12 TCF).

“O País” sabe que da pretensão dos operadores da área 4, da bacia do Rovuma, cinco triliões de pés cúbico do gás, virão do complexo Coral Sul, sendo que o complexo Mamba deverá produzir entra 16 a 17 TCF para completar a quantidade total necessária.

Questionado sobre o assunto, o ministro dos Recursos Minerais e Energia confirmou o impasse, mas, sem no entanto, avançar com o consenso já alcançado entre as partes. Ou seja, não se sabe se o Governo terá cedido ou não a pressão das petrolíferas.

“O que interesse neste momento é garantir que parte do gás a ser explorado alimente o mercado doméstico. É isso que deve acontecer e está a ser negociado”, declinou Max Tonela.

Refira-se, através do consórcio Mozambique Rovuma Venture (MRV), a norte-americana ExxonMobil vai liderar a construção e operação das unidades de liquefação e infra-estruturas associadas, em terra (onshore), enquanto a italiana Eni irá liderar a construção e operação das infra-estruturas ‘upstream’, ou seja, de extracção do gás dos depósitos subterrâneos, debaixo do fundo do mar, até à superfície, para depois ser conduzido até à fábrica.

MRV tem, para além, da ExxonMobil, Eni e CNODC que conjuntamente possuem uma participação de 70 por cento na concessão da área 4, cabendo três parcelas de 10% à coreana Kogas, Galp Energia e Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).

 

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