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Governo deve conter preços de transporte e pão, defendem economistas

Foto: O País

Octácio Manhique e Egas Daniel, ambos economistas, são da opinião de que o Estado deve intervir no mercado para evitar um aumento generalizado de preços, influenciado pelo aumento, esta semana, dos preços dos combustíveis.

Os combustíveis determinam o preço de vários produtos de primeira necessidade em Moçambique e no mundo e a pergunta que não se cala é: o que vem depois do reajuste feito na quarta-feira? A subida da taxa de inflação, ou seja, o aumento generalizado de preços, é um cenário difícil de conter, na visão do economista Octávio Manhique, que propõe que o Banco de Moçambique tome medidas.

É que, para o economista, “há indicadores macro-económicos que podem ser monitorados e um desses indicadores são as reservas internacionais, a disponibilidade de moeda para as importações”. Segundo Manhique, esses indicadores podem “de certo modo, estabilizar um pouco o câmbio e minorar o efeito, no consumidor final, das outras importações”.

Fora ao regulador do sistema bancário moçambicano, há outras instituições do Estado com um papel determinante por desempenhar. Um dos aspectos fundamentais é a fiscalização. “Estado deve é activar os mecanismos de supervisão das entidades que, geralmente, fiscalizam o aumento de preços, e uma delas é a INAE (Inspecção Nacional das Actividades Económicas)”.

A ideia da nossa fonte é que “se evitem aumentos injustificados de preços sob alegação de preços dos combustíveis”, afirma, concluindo que “o Governo, através das entidades apropriadas, venha a público explicar qual é o pensamento que existe para controlar a inflação”.

E é mesmo sobre a responsabilidade do Governo que se concentra o economista Egas Daniel. Para ele, “o impacto que os combustíveis vão gerar sobre o preço do trigo devem ser geridos”. E isso passaria por “da mesma forma que (o Executivo) cortou taxas para que o combustível não subisse tanto, se for necessário até subsidiar o preço do trigo para que o preço do pão não suba”.

Outro sector sensível, segundo defende o economista, é o do transporte, “porque assim que subiu o preço do combustível, o transporte também vai seguir a mesma linhagem”.

 

ESTADO DEVERIA FAZER MAIS PARA CONTER PREÇOS

Os economistas comentam também sobre a redução de taxas sobre o preço do combustível decidida 24 horas antes do anúncio e entrada em vigor nos novos preços. Para Egas Daniel, existe ainda “uma margem de manobra, embora muito baixa, para os próximos tempos. Mas, por agora, conteve-se o aumento do preço numa magnitude maior”.

Não obstante as medidas já anunciadas para conter o preço do combustível, o Governo anunciou, há menos de duas semanas, que iria preparar e tornar público um plano de mitigação dos efeitos da guerra entre a Rússia e a Ucrânia sobre a economia nacional.

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