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Governo condecora 77 antigos combatentes na cidade de Maputo

Foto: O País

A secretária de Estado na cidade de Maputo, Sheila Santana Afonso, galardoou, esta quarta-feira, 77 antigos combatentes pelo seu contributo na luta de libertação de Moçambique.

Num contexto de prevenção da COVID-19, a secretária de Estado na capital moçambicana não fez a entrega dos galardões como o habitual. Os condecorados receberam os títulos separadamente antes do início da cerimónia e longe dos holofotes.

Outra medida tomada foi dividir os 77 antigos combatentes em três grupos para evitar a presença de um número acima do previsto no Decreto Presidencial sobre o a Situação de Calamidade Pública.

Segundo Sheila Santana Afonso, o objectivo destas distinções é “valorizar a participação” dos cidadãos, abrangidos pelo reconhecimento na luta de libertação nacional e “no engajamento patriótico na investigação, consolidação e no desenvolvimento da República de Moçambique”.

A governante orientava a cerimónia em representação do Presidente da República, Filipe Nyusi. Eventos similares aconteceram em todo o país e foram distinguidas 1.682 entidades nacionais com a “Medalha Veterano da Luta de Libertação de Moçambique”.

Olhando para a bandeira hasteada no Instituto de Ciências de Saúde do Infulene, Francisco Farinha, um dos galardoados, conta que lhe vem a nostalgia daqueles tempos em que Moçambique independente era um projecto para o qual era preciso levantar e literalmente ir à luta. Farinha é um dos que se levantaram e hoje têm na independência o maior ganho.

Francisco juntou-se às fileiras em 1967, depois de ter sido preparado militarmente na Tanzânia. Nas suas memórias, há várias batalhas enfrentadas e vencidas, mas a Operação Nó Górdio do general Kaúlza Arriaga é a que mais medo causou. “Ele havia ocupado a terra e o mar e também tinha disponibilizado uma força mais sofisticada e, por via disso, tentou nos convencer”, conta.

Mas não passou de uma frustrada tentativa, porque a força de vontade e a união dos guerrilheiros moçambicanos venceu, até porque ao longo da luta, outros jovens iam reforçando as fileiras. Jorge Dique foi um dos reforços, em 1972. Ele lutou por dois anos na província de Tete, onde está guardado o acervo dos maiores desafios.

Houve mais dificuldades “nos combates rodesianos, antiga Rodésia do Sul, complicaram muito o movimento de libertação na frente de Tete, no distrito de Mágoè, Changara e no Zumbo, onde houve muitas batalhas férreas contra o movimento de libertação nacional. Não havia um dia sequer que tivéssemos paz”, disse Jorge Dique.

Os combatentes não tiveram paz naquela altura para garantir libertação das gerações de hoje. E é por essa razão que Jorge Dique, Francisco Farinha e outros 75 ex-combatentes foram condecorados esta quarta-feira, no contexto da celebração do Dia dos Heróis Moçambicanos.

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