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Governo ainda sem Plano de Contingência para época chuvosa 2021/2022

A duas semanas para o início oficial da época chuvosa 2021/2022, o Governo ainda não tem o Plano de Contingência e “O País” soube de uma fonte do INGD que o instrumento está em elaboração.

As chuvas que caem de forma tímida desde a madrugada de sábado na cidade e província de Maputo indicam um prenúncio da época chuvosa 2021/2022 que, oficialmente, arranca no dia 15 de Outubro.

Sucede, porém, que, quando faltam menos de duas semanas, o Governo ainda não sabe como vai prestar apoio a mais de um milhão de pessoas que se espera que sejam afectadas pelas chuvas, ou seja, não existe o Plano de Contingência.

O plano pode até não existir, mas a preocupação já se faz sentir em algumas famílias que são, ciclicamente, afectadas por inundações quando chove. Biana Chissano é disso um exemplo.

“Aqui (referindo-se à sua casa), quando chove muito, a água entra nas casas e somos obrigados a abrir covas ou caminho para a ela (a água) passar até à rua”, contou Biana Chissano, residente no bairro Ferroviário, na cidade de Maputo.

Mas, nem sempre a água sai para rua, fica estagnada nas residências e o dia-a-dia faz-se em meio ao improviso. “Fica muito cheio. Para circular ou sair para o quintal é um problema. Usar a cozinha para confeccionar alimentos, nem pensar. Pior quando a chuva cai muito”, expôs Biana Chissano.

E, quando chove muito, há inundações no bairro Ferroviário que forçam Azarias Bila a abandonar a casa, onde nasceu e cresceu para procurar um local seguro, até a poeira.

“Vamos para casa de familiares ficar um ou dois dias e regressamos quando a situação ficar controlada”, revelou Azarias Bila, residente no bairro Ferroviário, na capital do país.

Regressam para um sítio que é, ciclicamente, inundado pelas águas das chuvas. Contudo, às vezes houve em que foram levados para os centros de acomodação, mas parece que a experiência não foi assim tão boa.

“Chegados lá (no centro de acomodação) deram-nos cadeiras e cheque de 10 mil meticais para cada pessoa, mas não era em dinheiro e sim em bens. Íamos à loja levarmos o que quiséssemos, o que correspondesse àquele valor”, explicou Azarias Bila.

Para a presente época chuvosa, que também se esperam cheias para as zonas centro e sul, Azarias não se vê a ir para um centro de acomodação. “Se a chuva piorar, porque ainda estou a construir, não vou sair. Aguentarei até a situação estar normalizada”, teimou Azarias Bila.

Não sabem quando poderá chegar o apoio do Governo, mas o facto é que Azarias Bila e Biana Chissano são das mais de um milhão de pessoas que poderão ser afectadas por cheias na época chuvosa 2021/2022 e o Executivo ainda não tem o Plano de Contingência.

Reunido na trigésima sessão ordinária, o Executivo disse que o instrumento será apresentado oportunamente. “Penso que o trabalho esteja a ser feito, consolidado e será apresentado nas nossas próximas sessões de briefing. A época chuvosa está prevista para breve e vamos pronunciar-nos sobre isso”, assegurou Filimão Suaze, porta-voz do Conselho de Ministros.

Entretanto, “O País” sabe de uma fonte do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) que o instrumento está em elaboração, sendo que só ao final do mês passado, Setembro, é que as províncias mandaram as informações que poderão constar do documento.

A nossa fonte não revelou, entretanto, quando é que o documento poderá ser aprovado e publicado.

Na passada época chuvosa (2020/2021), o número de pessoas afectadas por cheias foi de 1.7 milhões de pessoas e o Governo, só duas semanas depois, apresentou o Plano de Contingência orçado em 7,2 mil milhões de meticais.

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