O País – A verdade como notícia

George Floyd: vítima de racismo ou oportunidade de promoção de  uma raça superior?

George Perry Floyd Jr. um cidadão norte-americano, negro,  assassinado em Minneapolis no dia 25 de maio de 2020, estrangulado pelo “policia branco Derek Chauvin, que ajoelhou-se sobre o seu pescoço durante uma abordagem por supostamente ter tentado usar uma nota falsa de vinte dólares em um supermercado.

Foi assim que o mundo descobriu este novo episódio dos polícias BRANCOS qualificados de racistas. Quando fui levar meu filho Kensyle na escola, ele me falou que um BRANCO havia morto um PRETO porque o tal branco é racista. Eu como não sabia e ainda não sei se é verdade ou não que um branco matou um preto, porque é racista, perguntei a kensyle. Filho, mas como sabes tu que ele é racista? O puto olhou para mim e disse é o que todos dizem. Eu na verdade vi um ser humano covarde matar outro ser humano indefeso, disse-lhe.

Das várias vezes que me deparei com situações envolvendo racismo duas me marcaram particularmente, a primeira foi em Moçambique, quando um amigo do meu irmão mais velho vendo que a minha ex-esposa era estrangeira perguntou “Os pais da tua mulher enviam dinheiro todos os meses?” Essa pergunta surgiu quando ele soube que eu era o único a trabalhar na altura. A segunda foi a quando da minha chegada a Bélgica, um preto de nome Jean-Pierre diz para mim numa conversa, “É melhor ires ao CPAS (assistência social), não te metas em ser empreendedor”.

Nestes dois casos podemos ver dois indivíduos que sofrem de graves problemas de complexo de inferioridade e que é o nível mais elevado de racismo. Nós fomos condicionados a pensar  e nos vermos de uma forma. Embora alguns ainda queiram culpar a escravatura, hoje nós pretos somos os principais promotores desse racismo. Nós somos corajosos o suficiente para que em cada Telejornal digamos aos nossos filhos que assistem que para construirmos nossas estradas, escolas e mesmo para as nossas doenças precisamos que o BRANCO (estrangeiro) seja a solução. Depois de anos e anos a  “auto educar” desta forma, não é surpreendente que tenhamos pessoas a pensarem como os dois exemplos acima citados, não?

Para os que acreditam que brancos são racistas, gostava de dizer que tal como pretos, brancos têm sentimentos, são humildes, bons, maus, susceptíveis de serem manipulados, sentem frio, amam, detestam. Neste caso, se eles são racistas então nós também somos. Tal como preto está sendo manipulado a se ver inferior, o branco também está sendo manipulado a se ver como superior.  Pouco tempo após ter-me instalado a Charleroi (Bélgica), estava sentado no terraço de um café Turco, quando vem um jovem branco e diz-me: “Na boa? Eu te conheço, te vejo aqui na zona. Olha, quando me vires não exite, podes me dizer bom dia, eu não sou racista”. Olhei para ele e respondi, “Eu sou muito racista e não aprecio gente de raça branca. Os proprietários do café,  que já me conheciam, explodiram de rir e o tipo ficou a olhar para mim como se eu tivesse dito que sou Bill Clinton. Aqui temos um exemplo de alguém que sofre do mesmo problema de “mediatização racial”, este jovem sofre do mesmo problema de racismo que os dois pretos que mencionei acima. Ele foi ensinado que é superior, mas ao mesmo tempo acha que deveríamos ser tratados de forma igual. Não sabe lidar com a situação.

 

Emancipate yourselves from mental slavery. None but ourselves can free our minds.” – Bob Marley

Porque as potências descobriram que esta emancipação é difícil de ser implementada, decidiram tirar proveito dela. Os verdadeiros promotores do racismo (uma pequena minoria de raça branca) compreenderam que os seres humanos têm dificuldade em pensar, preferem que lhes seja dado tudo já pensado e concluído. Então, eles usam seu poder (mídia) para passar o pensamento que eles querem que as pessoas tenham. A mídia ocidental diz que um BRANCO matou um PRETO e branco é racista. É assim como eles querem que racismo seja apercebido. Gostava de voltar para o caso de George Floyd e perguntar aqueles que dizem ou pensam ainda que o policia é racista. Afinal, como sabem que ele assassinou George Floyd porque é racista? Pode ser um psicopata, não? Porquê racista então? Alguém esta(va) na cabeça do policia para saber o que realmente o motivou? Eu não digo que é uma ou outra coisa, apenas sei que não sei porque ele fez o que fez. sei também que não me posso guiar pela opinião de pessoas que procuram sem descanso elevar uma raça  em detrimento da outra.

Como é possível nunca termos visto ato de racismo de um preto contra branco a ser mediatizado? Será que preto não pode ser racista? Para os que preferem ficar condicionados, como é o caso do homem do café Turco, sim. Para ele preto não tem nível para ser racista. Para o amigo do meu irmão idem, preto não tem capacidade para sustentar um branco. É assim como ambos foram condicionados. É por esta razão que Bob Marley diz na música “Redemption song” que devemos nós mesmos nos livrarmos do complexo de inferioridade e/ou superioridade.

Black Lives Matter

Caro leitor, já se perguntou porque é que nenhum grupo de direitos cívicos nos EUA e no mundo tem a mesma mediatização que este? Eu creio que a força deste slogan serve os interesses dos verdadeiros promotores do racismo. Este slogan diz “Vidas Negras Importam”. Sem nos apercebermos nós estamos a dizer, olha raça superior, nossas vidas “também” são importantes. Podem vocês nos dar direito a existência? E essa tal raça superior conseguiu ver aqui uma forma de lembrar a raça inferior que para vossa existência vocês tem de nos pedir autorização. Imagine a vergonha que sente o universo (Deus) quando olha para nós (pretos) nos humilharmos dessa forma? É com olhos incrédulos que vejo pais a levarem seus filhos para manifestações e dizerem, venho aqui mostrar meu filho que ser preto é duro. como quem diz, venho lhe mostrar o que te está destinado.

Por incrível que pareça, este complexo de inferioridade é confortável, razão pela qual não o queremos abandonar. Ser vítima é excelente, não requer nenhum esforço, motivação e nem uso da inteligência. Reparem que, de todas as vezes que saímos para reclamar sobre o racismo, acusamos os ditos racistas de explorar as nossas riquezas, de nos negarem oportunidades e fingimos acreditar, ou ainda acreditamos mesmo, que se o tal racismo desaparecer o mundo será melhor para nós. Neste caso, como eles é que são racista só eles é que estão em posição de acabar. Veja que aqui atribuímos a eles (os tais racistas) a responsabilidade sobre nosso futuro e sendo assim, nós não podemos fazer mais nada senão sentar e esperar pelo fim do racismo. No entanto, se decidirmos agir como Bob Marley sugere, aí temos de trabalhar, daí nossa dificuldade, por isso que é confortável ser vítima do racismo.

Antes mesmo de ter sido descoberto o primeiro caso de COVID19 em Moçambique, o presidente Francês diz em conferência de imprensa: “Temos de nos organizar para ajudarmos os nossos irmãos africanos”. Essa é uma mensagem clara que vocês pretos não precisam pensar. Deixe que nós vamos fazer por vocês. É disto que nós gostamos.

No Jornal O País, do dia 10 de Agosto 2021, na rubrica económica, Ernesto Martinho fez um artigo sobre o trabalho nefasto da fundação Bill Gates em África, precisamente sobre as consequências para a segurança alimentar em África, do lobbying para alteração das leis sobre sementes. É a este grupo de gente que a promoção do racismo  interessa. Por outro lado, será que não seria este um sério motivo para sairmos as ruas e defendermos nossos interesses. Aqui estamos a falar, talvez mesmo de modificações no nosso sistema imunitário. Mas é evidente que não vamos fazer nada, como não nos foi dado nenhum pensamento e nem conclusão sobre o assunto e nem está sendo mundialmente mediatizado, tudo fica como está e certamente que a lei para alteração de sementes defendida pela fundação em África vai ser aprovada.

Cultura / Racismo

O maior medo dos seres humanos quando vêem pessoas diferentes chegarem na sua comunidade é de perder sua cultura. Não necessariamente medo da raça. A Bélgica é um país que ilustra bem esse exemplo, duas comunidades (Flamenga e Francófona) numa luta frequente para preservarem as suas respectivas culturas. Embora essa diferença, ambos decidiram se unir e criar riqueza para o seu país. A comunidade negra é na minha opinião a mais rica neste momento, que sejam em termos culturais, de recursos naturais e mesmo em termos de capital humano. É nossa responsabilidade  perceber que racismo é apenas uma ideia e uma visão de exploração que está sendo muito bem mediatizada (por uma minoria) e que pessoas brancas no geral não são racistas como nos pretendem fazer pensar. A partir do momento que compreendermos que a diferença cultural é o único problema que realmente diverge os seres humanos, vamos nos aperceber que nossa raça não é um problema. Nosso problema é ignorância com relação a nossa inteligência e potencialidade. Precisamos concentrar nossas energias no que realmente nos interessa. Educar os nossos filhos com a nossa história, traçarmos planos de desenvolvimento econômico e sobretudo pararmos definitivamente com o espirito de vitimização. Temos de ter vergonha desse sentimento.  EU ACREDITO EM NÓS.

 

Recomendação de livro para o mês de Setembro 2021: Imparável – “Bento Mário”

Samuel Gerson Andrisse

Especialista Internacional em Recrutamento

Autor do livro “Be ready for your next job interview”.

www.kensyle-recruitment.com

Partilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on telegram
Share on whatsapp
Share on email

RELACIONADAS

+ LIDAS

Siga nos