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Gasolineiras querem mais subidas de preço de combustíveis

As gasolineiras querem aumento dos preços do combustível em mais de 10 Meticais. Os operadores entendem que a subida não precisa de ser de uma vez só. Por isso, sugerem que reajustes ocorram mensalmente para reduzir os prejuízos que têm estado a registar.

Ainda não passaram 30 dias depois que os combustíveis ficaram mais caros em Moçambique e parece que mais subidas podem chegar. Isto se a Associação Moçambicana de Empresas Petrolíferas conseguir convencer à Autoridade Reguladora de Energia sobre este aumento.

Ricardo Cumbe, em representação da AMEPETROL, explicou que, desta vez, “de acordo com os cálculos que fizemos, a variação devia ser acima de dois dígitos”, ou seja, acima de dez Meticais.

Entretanto, as gasolineiras sabem que, no bolso dos moçambicanos, não há dinheiro suficiente para suportar uma subida tão brusca e, principalmente, num contexto em que o impacto da última subida ainda está a afectar vários sectores.

Como solução, os operadores sugerem que o Governo, através da Autoridade Reguladora de Energia, faça a aplicação da lei, que prevê que se actualize a tabela mensalmente, tendo-se como base a variação, a nível internacional, dos últimos dois meses.

Todavia, Cumbe alerta que a medida pode ser sufocante já que “não sabemos quanto tempo vai levar esta tendência crescente. Por isso, temos de ter a consciência de que há um desafio relacionado com o preço dos combustíveis”.

Segundo as gasolineiras, essa tendência não está ligada apenas aos preços que estiveram em alta devido ao conflito russo-ucraniano, até porque, neste momento, o Brent, que é o que usamos em Moçambique, está a ser vendido a 100 dólares por barril, com os 130 atingidos nos primeiros dias do ataque russo à Ucrânia.

O facto é que, tal como explicou Cume, “desde Outubro que os preços, ao consumir, se mantiveram estáticos, porém havia condições para variação”.

Não ocorreu a actualização, porque as gasolineiras e o Governo fizeram um acordo com base no qual os operadores manteriam o preço estável a nível doméstico e o Executivo pagaria pela diferença. Uma espécie de subsídio, na verdade. Nada disso aconteceu.

Esse contexto originou que o Governo acumulasse dívidas de cerca de 120 milhões de dólares com a AMEPETROL. Com isso, há um risco de os moçambicanos serem as grandes vítimas das dívidas.

O que pode suceder é que, mesmo que o preço do barril no mercado internacional continue a baixar, como está a acontecer, o Governo pode não baixar os preços, como forma de compensar a dívida que tem com as petrolíferas.

Mas essa é uma decisão que a AMEPETROL diz que caberia ao próprio Governo tomar. “Aí é que vem, na verdade, o papel do Governo, na decisão, no sentido de o que pretende manter no país nos próximos dias, se a redução pode ocorrer ou manter o preço para fazer a compensação do período de desde Outubro”.

Ademais, “O País” sabe que das 29 gasolineiras filiadas à AMEPETROL, apenas abaixo de 20 é que estão a importar combustíveis para vender em Moçambique, outras só importam para trânsito, o que dá menos receitas ao Estado.

E a Autoridade Reguladora de Energia prometeu falar ao jornal “O País” esta quarta-feira, para dizer qual deverá ser o futuro dos preços dos combustíveis em Moçambique. Em todo o caso, o Presidente do Conselho de Administração da ARENE, Paulo da Graça, já tinha reconhecido, em Março, que a subida tinha sido abaixo do que era de se esperar.

AS ISENÇÕES NA IMPORTAÇÃO DE COMBUSTÍVEIS

Um dia antes do anúncio dos novos preços, em Março, o Governo decidiu pela redução das taxas de manuseamento portuário em 5% para o gasóleo e para a gasolina; a redução de custos de infra-estrutura logística do combustível destinado aos postos de abastecimento em 60%; a redução dos custos para o fundo de estabilização em 50%; a redução do valor das margens de instalações centrais de armazenagem em 30%; a redução das margens do distribuidor em 15%; e a redução das margens do retalhista em 15%.

Trata-se de custos que têm impacto directo nos preços de combustíveis praticados no país. São taxas que reduzem a pressão às empresas importadoras de combustíveis.

 

COMBUSTÍVEL BARATO PRESSIONA CÂMBIO

Na última conferência de imprensa, dada pelo Banco de Moçambique, o governador, Rogério Zandamela, explicou que a prática de preços baixos em Moçambique tem estado a pressionar o nível das reservas internacionais e isso pode fazer com que a nossa moeda perca o seu valor.

Sucede que, enquanto em Moçambique os preços são geridos para não estarem excessivamente acima do que é a real capacidade dos moçambicanos, os outros países da região aplicam preços do mercado.

Com isso, os transportadores dessas regiões vêm a Moçambique comprar combustível e isso faz com que o país gaste as suas reservas e divisas a favor de outros, o que pode criar escassez de dólares no país e, assim, o Metical perder o seu valor.

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