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Galp diz que deve haver competência para que gás moçambicano seja competitivo

A Galp diz que as autoridades moçambicanas e os investidores devem ser competentes para que Moçambique se torne competitivo no mercado global de gás. O CEO da empresa revela ainda que o projecto de gás liderado pela Eni que arranca em 2022 começa a operar em pleno em 2023.

Em exclusivo ao “O País”, o Presidente Executivo da Galp, Carlos Gomes da Silva, falou das expectativas da empresa relativas ao projecto de gás, Coral Sul, no qual detém 10%, na Bacia do Rovuma, cuja decisão de investimento foi aprovada em 2017 e prevê-se que arranque em 2022.

Embora acredite que no final da próxima década Moçambique possa ser verdadeiramente um player à escala global, o CEO da empresa de capitais portugueses sublinha que tal só poderá acontecer se houver competência tanto das autoridades moçambicanas como dos investidores.

“Temos que ser competentes, todos, autoridades locais e aquilo que são os investidores para que possamos fazer de Moçambique verdadeiramente um player competitivo à escala global. Eu acredito que isso vai acontecer”, considera o CEO de Galp.

No que diz respeito a fases que seguem até atingir a produção plena de gás no projecto da Área 4, na bacia do Rovuma, consórcio liderado pela italiana Eni, Carlos Gomes da Silva esclarece o seguinte. “Normalmente temos um crescendo da produção até que ela atinja o patamar de funcionamento, o que acontece entre seis meses e um ano. Acreditamos que 2023 seja um ano de pleno funcionamento dessa primeira unidade”, refere o presidente executivo da Galp.

O CEO falava nesta quarta-feira à margem do Congresso Rio Oil and Gas, realizado no Rio de Janeiro, considerado o maior evento da indústria de petróleo e gás latino-americano.

À margem do evento, a nossa fonte disse ainda que Moçambique está numa posição geoestratégica excelente e geográfica equidistante das várias plataformas de consumo, seja ela, a plataforma continental americana, do Médio-Oriente/Europa, seja ainda do sudoeste asiático.

“Nós costumamos a dizer também que Moçambique é um novo Qatar e verdadeiramente concorrente na escala global”, afirmou.

A BP deverá comprar a totalidade do gás que deverá ser extraído na área 4 da Bacia do Rovuma numa primeira, entretanto, o consórcio liderado pela Eni está a trabalhar para chegar a um acordo com outros compradores para as próximas fases, revelou o Presidente Executivo da Galp.

Para a empresa portuguesa, a questão de venda de gás é um dos elementos importantes, ao lado da tecnologia a ser usada, ao lado do conceito de desenvolvimento, do financiamento e do quarto regulatório, daí que os investidores e reguladores concessionários estão todos empenhados para que o projecto seja implementado dentro de um tempo que seja o economicamente adequado.

Além da Galp, na área 4 da Bacia do Rovuma, a companhia italiana Eni detém 25% do consórcio, assim como a norte-americana Exxonmobil (25%), a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos é detentora de 10% e a sul-coreana Kogas também detém 10% e a chinesa CNODC (20%).

A operar no Brasil há 20 anos, actualmente, a Galp diz ter um dos projectos mais importantes daquele país e ocupar a terceira posição entre os operadores do sector de petróleos. Segundo o CEO, a experiência adquirida naquele país sul-americano será replicada em Moçambique.

“A Galp atingiu o marco histórico dos 100 milhões de barris de petróleo e gás produzidos no Brasil, onde tem vindo a consolidar a sua posição como 3ª maior produtora concessionária de petróleo e gás natural, através da sua subsidiária Petrogal Brasil”, informou a firma portuguesa.

Os 100 milhões de barris foram ultrapassados no segundo trimestre deste ano, período em que a Galp assinalou outro importante marco no país: a produção média superior a 100 mil barris diários de petróleo e gás no Campo Lula, no pré-sal da Bacia de Santos, no Brasil.

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