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Fundação Leite Couto lança colectânea de poemas

A Revolução de Outubro de 1917, na Rússia, foi um episódio com eco mundial, inclusive, com impacto em Moçambique. Reconhecendo a importância que o fenómeno político e social teve na vida das pessoas do séc. XX, a Fundação Fernando Leite Couto resolveu assinalar os 100 anos da efeméride com o lançamento de uma obra literária, intitulada: “Sombras de Outubro”. O livro é uma colectânea de poemas e biografias de autores russos – traduzidos para a língua portuguesa com grande contribuição literária de Mia Couto – que marcaram épocas e gerações.

O livro, que será lançado próxima quarta-feira, na sede da Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo, às 18 horas, de acordo com Fernando Couto, representa uma necessidade de deixar algum marco que fique para a posteridade. “Este livro será uma contribuição para o conhecimento geral de uma literatura que é extremamente rica e influenciadora de géneros literários por toda a parte do mundo”, explicou.

“Sombras de Outubro” é uma colectânea de 40 poemas, de sete poetas russos. Alguns deles foram executados por escrever poesia.
Segundo Fernando Couto, a poesia da Revolução de Outubro teve uma influência directa em alguns dos maiores poetas moçambicanos. “Por exemplo, José Craveirinha tem vários poemas dedicados a alguns poetas russos e alguns dos seus poemas foram sem dúvidas inspirados na poesia daquela época”.

A obra literária foi idealizada pelos irmãos Couto, com ajuda de uma equipa muito grande. Por exemplo, a Mia Couto “coube uma contribuição na tradução daquilo que o poeta pretendia dizer”, explicou o irmão mais velho do Prémio Camões 2013.

Depois de ser lançado no próximo dia 25, “Sombras de Outubro” será distribuído nas escolas e bibliotecas públicas.

Revolução de Outubro: a exposição
Mesmo antes do lançamento de “Sombras de Outubro”, entre várias actividades inseridas nas celebrações dos 100 anos da Revolução Russa, como saraus e conversas, a Fundação Fernando Leite Couto inaugurou uma exposição de cartazes, patente na sede até Novembro. A exposição é um atractivo para mostrar em que medida a Revolução de 1917 tem algumas paridades com o que se passou nos anos pós-independência em Moçambique. “Noventa por cento da população russa era analfabeta e era necessário que os artistas e escritores chamassem atenção com imagens sem que fosse necessário palavras”, referiu Fernando Couto ao transmitir a importância dos cartazes em exposição.

A revolução Russa foi um acontecimento que inspirou, nos quatro cantos do mundo, lutas pela afirmação num contexto de denominação pelas potências imperialistas, e que deixou um legado cultural imenso. “Grande parte da publicidade usada nos dias de hoje segue técnicas que foram produzidas para a criação de cartazes naquele tempo”, disse, dando como exemplo os cartazes usados na campanha de Obama.

O cartaz principal da exposição e que dá capa ao livro “Sombras de outubro” é “As mulheres na vanguarda”. Tudo propositado, “porque as mulheres sempre participam na resolução de grandes problemas, sobretudo quando há catástrofes e guerras, elas são o símbolo da coragem”.

Bailado clássico: “Branca de Neve”
Ainda esta semana, sexta-feira, a Fundação Fernando Leite Couto vai levar os ecos da revolução de Outubro a um espectáculo de bailado clássico, intitulado “Branca de Neve”. O evento terá lugar no Centro Cultural da UEM, em Maputo. Primeiro, porque o bailado diz muito à cultura russa. Segundo, porque, de acordo com Fernando Couto, há mais de 40 anos que Moçambique não assiste a um espectáculo de bailado. Como forma de mostrar outra expressão cultural diferente, nesse caso uma dança clássica, a Fundação decidiu fechar o mês da Revolução com ballet.

O mês da Revolução Russa de 1917, na Fundação, contou também com uma palestra, uma peça teatral intitulada “Os Malefícios do Tabaco”, encenada por Horácio Guiamba, e música clássica com Orquestra Xiquitsi.

 

 

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