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Frelimo busca inspiração do II Congresso para enfrentar desafios do futuro

Entre 20 e 25 de Julho de 1968, realizou-se no Posto Administrativo de Matchedje, no distrito de Sanga em Niassa, o segundo Congresso da Frente da Libertação de Moçambique. Hoje, passaram 50 anos desde que aquela magna reunião terminou, por isso, o partido Frelimo reuniu seus membros e simpatizantes, veteranos da Luta Armada de Libertação Nacional entre outras entidades no monumento erguido em memória daquele evento, exactamente no local onde ocorreu para celebrar a efeméride.

A cerimónia, que foi dirigida pelo Presidente da Frelimo e da República, Filipe Nyusi, compreendeu a deposição de flores no momento que é composto por três pilares que representam as três formações políticas que em 1962 se uniram formando a Frelimo e contando cada um os nomes dos delegados que participaram do II congresso. A seguir os participantes, incluindo, Filipe Nyusi, visitaram o centro de interpretação onde estão em exposição permanente as fotos que ilustram os principais momentos que caracterizaram a magna reunião bem como os discursos de Eduardo Mondlane, então presidente da Frelimo e que foi reeleito na reunião, as teses do congresso, as resoluções e outras decisões importantes.

A visita guiada passou pelo acampamento que em 1968 foi erguido no local que era uma mata serrada e sem nenhum infra-estrutura. No local podem ser vistas as cabanas onde dormiram os dirigentes da frente durante os dias em que a congresso decorreu. A visita viria a terminar num tronco onde Eduardo Mondlane e Samora Machel foram fotografados nos intervalos das sessões do congresso a conversarem. Na ocasião, o actual e o antigo Presidente da República, Filipe Nyusi e Joaquim Chissano, respectivamente repetiram a foto tirada por Eduardo Mondlane e Samora Machel.

O ponto mais alto das celebrações foi a realização do comício popular bastante concorrido onde para além de discursos tiveram lugar actividades culturais. Na ocasião Filipe Nyusi apresentou alguns dos antigos dirigentes da Frelimo que participaram no segundo congresso e cada um deixou ficar o seu depoimento sobre como é que viveu aqueles dias de muito frio em Matchedje em 1968. Mas também fez questão de apresentar os actuais dirigentes da Frelimo presentes na cerimónia a começar pelos membros da Comissão Política, do Secretariado, os Primeiros Secretários Provinciais da Frelimo, mas também o antigo Presidente da Tanzânia, Benjamim Nkappa que se fazia acompanhar por uma delegação do partido Chama Chama Mapinduzi.

No seu discurso, Filipe Nyusi recuou para Julho de 1968 para recordar o ambiente em que decorreu aquele congresso que era marcado pela intensa luta armada de libertação nacional e que apesar do perigo a decisão de Eduardo Mondlane de organizar o congresso em Niassa nas zonas libertadas foi um sinal clara dos objectivos que se pretendiam alcançar. Nyusi entende no entanto que as decisões que foram tomadas foram cruciais para o alcance da independência e da construção do país. E hoje os mesmos ideias devem servir de inspiração para se continuar a lutar contra os desafios que o país tem pela frente.

“A invocação do segundo congresso não pode ser encarada como uma praxe retórica, mas deve assumir-se como um compromisso agregador de diferentes gerações, aglutinador de um ideal nacional ao serviço da soberania do povo e do desenvolvimento da pátria. Os ideais que semeou venceram a dimensão do tempo e perduram porque estão inscritas nos corações de cada um de nós e continuarão a ser o guia da edificação da nossa pátria amada”.

Por outro lado, Filipe Nyusi quer que o legado do segundo congresso sirva igualmente para a coesão e unidade dentro do partido Frelimo de modo a fortificar a sua missão de vanguarda da criação do bem-estar económico e social dos moçambicanos. “Abraçar esta memória significa cada um de nós redobrar o emprego de disciplina, obediência dos estatutos, observar as orientações emanadas das estruturas aos vários níveis, implica a humildade e o espírito de entrega que sempre corporizou o conjunto de valores inegociáveis da Frelimo. À semelhança das decisões saídas do segundo congresso e com um único propósito, hoje ninguém é tão grande como o partido. Cada um de nós, combatente, homem, mulher, jovem cada um é uma partícula que compõe este histórico e glorioso partido Frelimo. Cada militante deve continuar a inspirar-se na voz real das bases e do povo moçambicano. A nossa actuação deve ir ao encontro das vontades e da satisfação das preocupações e aspirações do povo” enfatizou Nyusi.

Festival Nacional da Cultura abre esta quinta-feira em Lichinga

Esta quinta-feira, Filipe Nyusi deverá, ainda na capital provincial de Niassa, Lichinga, dirigir a abertura do décimo Festival Nacional da Cultura que junta naquela cidade mais de quatro mil artistas que representam várias expressões culturais de todas as províncias do país que durante uma semana vai expor a diversidade cultural do país em vários palcos instalados em Lichinga. Referir que o festival decorre debaixo de dificuldades financeiras e o Governo só conseguiu alocar 23 milhões de meticais contra 60 milhões necessários para organizar o evento. No entanto, apoios de várias empresas privadas tem estado a minimizar a exiguidade de recursos.

Ressaltar que neste festival deverão participar grupos culturais provenientes de Angola, mas também de Portugal e da Suécia. Ainda esta quinta-feira, Filipe Nyusi deverá proceder a entrega de mais de cinco mil carteiras às escolas das províncias de Niassa fabricadas localmente através da madeira apreendida na Operação Tronco levada a cabo em todo o país pelo Ministério de Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural.

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