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Fotógrafos expõem ‘catchupa e matapa’ no Franco

Exposição fotográfica De: catchupa para: matapa foi inaugurada esta quinta-feira, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, na Cidade de Maputo. A mostra ao ar livre junta trabalhos de 10 fotógrafos e pode ser visitada até próximo mês.

Catchupa até pode parecer uma palavra estranha para muitos moçambicanos. No entanto, quem já saboreou a gastronomia cabo-verdiana deve saber que, na verdade, catchupa é o nome de um prato característico daquele arquipélago, contendo carne ou peixe que se mistura com feijão e milho estufado. Claro está, a explicação é desajeitada, mas isto é tudo menos um artigo sobre receitas ou coisas assim. Na verdade, o termo aparentemente crioulo é para aqui convocado por catchupa é parte do que os fotógrafos moçambicanos ‘servem’ na colectiva patente nas grades exteriores do Centro Cultural Franco-Moçambicano, na Cidade de Maputo.

Ora, para os que não gostam ou não pretendem experimentar a catchupa, provavelmente por ser um prato exótico, ‘malta’ Mauro Vombe, Nuno Silas, Yassmin Forte, Edilson Tomás, Emídio Jozine, Vladimir Sousa, David Aguacheiro, Tina Krüger, Filomena Mairosse e Silasse Salomone, que nem são cozinheiros, também ‘servem’ outro prato. Mas esse é bem mais familiar para os moçambicanos: matapa. Ou seja, De: catchupa para: matapa sugere algo gastronómico e com algum movimento. No entanto, esse é o título da exposição fotográfica que pode ser visitada até próximo mês.

A colectiva fotográfica resulta de residências artísticas designadas Catchupa factory – novos fotógrafos e é realizada pela Associação AOJE, de Cabo Verde. As residências incluem fotógrafos e artistas em ascensão dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). O objectivo da residência é incentivar a criação artística, afirmando-se como uma rede com mais de 40 criadores africanos.

Ao fim de cinco anos participando, cada um no seu momento, os fotógrafos moçambicanos que integram a iniciativa decidiram apresentar parte do que experimentaram em Cabo Verde. Quem sabe, assim, a catchupa deixa der algo estranho para quem está habituado a comer matapa? Yasmin Forte não respondeu à pergunta que a ela não foi colocada. Além disso, esta quinta-feira, durante a abertura da exposição, explicou: “Em cada uma das cinco edições do Catchupa factory, participou pelo menos um moçambicano. O que nós fizemos foi trazer um pouco do trabalho de cada um desses fotógrafos. Este é o resumo do que foi feito nessas residências”.

Conforme entente a curadora Forte, expor as obras ao ar livre dá aos fotógrafos a capacidade de chegarem a muita gente, incluindo àquela que, de outro modo, não iria ao Franco-Moçambicano para visitar a colectiva. Quem também pensa assim é Tina Krüger: “É muito bom ver como é que diferentes pessoas, que trabalharam em anos diferentes, apresentam os seus pontos de vista. Temos aqui nesta exposição muitas particularidades do que encontramos na Ilha de São Vicente. E a ideia dos curadores apresentarem as obras nas grades exteriores é muito bonita e deve continuar a acontecer mesmo depois da COVID-19”.

Para Filomena Mairosse, outra fotógrafa, a ideia da exposição nas grades exteriores é igualmente bonita porque constitui uma forma de os integrantes interagirem com a cidade e com os munícipes de uma forma mais aberta.

Assim, a qualquer altura, até 12 de Setembro, os apreciadores da fotografia podem visitar a colectiva nas grades exteriores do Franco. Aí entenderão a outra metáfora por detrás da catchupa e da matapa.

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