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Fortificam-se mecanismos de acesso aos serviços de saúde humanizados

O acesso aos serviços de saúde humanizados continua aquém do desejado. Os cidadãos ainda enfrentam muitas dificuldades para terem acesso à saúde, sobretudo nas comunidades, chegando a percorrer longas distâncias para acederem a uma unidade sanitária.

O acesso aos serviços de saúde ainda constitui um enorme desafio no país, pois, apesar das inúmeras conquistas que o sector da saúde tem registado, com a construção de mais unidades sanitárias em todos os distritos e com a disponibilização de profissionais qualificados, os mesmos não são acessíveis e não respondem às necessidades dos utentes.

As mulheres são as que têm enfrentado enormes dificuldades para terem acesso aos serviços de saúde humanizados, sobretudo aos de obstetrícia. A maioria das mulheres tem tido uma experiência traumatizante durante o processo pré-parto, parto e pós-parto, o que faz com que elas tenham algum receio em aceder às unidades sanitárias.

Por exemplo, as vítimas de violência baseada no género, ao procurarem os serviços de saúde, não encontram uma resposta eficaz às suas necessidades. Aliás, o acesso limitado e a fraca disponibilidade dos serviços levam-nas a sentir-se desamparadas por quem deveria as proteger.

 

SERVIÇOS DE SAÚDE DEVEM SER MELHORADOS

Há dois anos, Julieta Banze, de 36 anos de idade, passou por momentos dramáticos, pois, na sua comunidade, no interior do distrito da Manhiça, não tem uma unidade sanitária. Conta que deu à luz ainda a caminho do hospital, na vila. Segundo ela, se houvesse uma unidade sanitária na sua comunidade, isso não teria acontecido. Por isso, é da opinião de que é preciso que os serviços de saúde estejam cada vez mais perto dos cidadãos.

Por seu turno, José Romão, de 43 anos de idade, considera que o acesso aos serviços de saúde de qualidade no país ainda é um enorme desafio. Apesar de reconhecer os esforços nesse sentido, diz que é necessário que se faça um trabalho apurado, de modo a permitir que o acesso à saúde não seja um privilégio, mas sim um direito que todos cidadãos têm.

 

CAMPANHA “ACTIVA-TE” COMO SOLUÇÃO

Para fazer face a esse problema, a Aliança para a Saúde, uma rede de organizações que defendem o direito à saúde, lançou a campanha denominada “Activa-te”, cujo objectivo é garantir que os cidadãos moçambicanos tenham acesso aos serviços de saúde.

Esta rede defende que, para que tal aconteça, é necessário que os serviços estejam disponíveis e que, acima de tudo, sejam de qualidade. Segundo a Aliança para a Saúde, o grande diferencial desta rede é trabalhar com o foco na saúde como direito humano fundamental e no fortalecimento, promoção e defesa dos cuidados de saúde primários, com uma abordagem integral e holística de saúde, baseada nos seus determinantes sociais.

Apesar de as mulheres serem as que mais têm enfrentado o dilema do acesso aos serviços de saúde, a campanha terá ainda como uma das linhas de força que todos os cidadãos do grupo LGBT tenham o mesmo direito de acesso aos serviços e que não haja barreiras, por causa da sua orientação sexual.

Ademais, com a campanha, pretende-se ainda contribuir para que os serviços de saúde estejam preparados para acolher os homens. O programa de engajamento dos homens deve-se efectivar, garantindo que acedam aos serviços, de igual maneira que as mulheres, que têm serviços bem preparados, embora persistam muitos desafios.

A campanha terá ainda como foco, para além do acesso à saúde, a questão da violência obstétrica, melhoria dos serviços em violência baseada no género, direitos e deveres dos utentes, diversidades sexuais e masculinidades positivas.

No que diz respeito ao direito à saúde, o foco será a disponibilidade dos serviços de saúde, criando mecanismos para que o Estado cumpra o direito de provisão desses serviços públicos, sendo que foram definidas quatro dimensões: a não disponibilização, acessibilidade física, económica e o direito à informação dentro do sistema de saúde.

A coordenadora da Aliança para a Saúde, Violeta Bila, espera que, com essa campanha, haja melhorias no que diz respeito ao acesso aos serviços com qualidade e, sobretudo, humanizados para todos os cidadãos moçambicanos.

Segundo disse, a criação dessa campanha visa, essencialmente, mudar o actual quadro, caracterizado por um sistema de saúde débil e sem estratégias viáveis para o provimento de serviços cada vez melhores aos utentes.

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