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FMF chama ADM e Samuel Siaw (Sião Mendes) para serem ouvidos

Ainda no âmbito do processo que envolve o Desportivo Maputo, a Associação Desportiva de Macuácua e o jogador ganês com documentação moçambicana, Samuel Sião Mendes, outrora Samuel Siaw, vai conhecer mais um capítulo já na próxima semana, concretamente a 29 de Janeiro, quando forem ouvidos parte dos envolvidos, no caso concreto os acusados pelos “alvi-negros”, o Macuácua e o jogador.

Num comunicado da Federação Moçambicana de Futebol, datado de 23 de Janeiro corrente, o Conselho Jurisdicional afirma que recebeu um recurso interposto pela Associação Desportiva de Macuácua, que impugna uma decisão do Conselho de Disciplina do órgão que tutela o futebol moçambicano, mas para uma melhor, legal e mais justa decisão, vai colher mais dados que permitem que a decisão final possa ser tomada no interesse da verdade desportiva.

No Comunicado, a Federação Moçambicana de Futebol, através do Conselho Jurisdicional, delibera que “vimos por este meio convocar um representante da ADM para se apresentar junto do CJFMF, no próximo dia 29 de Janeiro, às 12H00, na sede da FMF, para responder à questões relacionadas com o assunto epigrafado”.

Entretanto, o Conselho Jurisdicional apela para que o representante da Associação Desportiva de Macuácua seja portador de uma credencial que o autoriza responder a todas questões que forem levantadas  pelo CJFMF e que serão vinculativas a própria formação de Gaza, devendo, ainda “vir acompanhado pelo jogador Samuel Sião Mendes (jogador da ADM), bem como deverá trazer consigo todos os documentos apresentados pelo referido jogador, bem como os documentos tramitados pelo GDC”.

Aliás, querendo, segundo o comunicado, o jogador e a Associação Desportiva de Macuácua podem fazer-se acompanhar de quem o GDC julgar necessário para assistência que se julgar imprescindível.

Para já, sabe-se que tanto o Desportivo Maputo como a Associação Desportiva de Macuácua estão a preparar os seus planteis para disputarem o campeonato nacional de futebol, o Moçambola, com trabalhos de campo. Os “alvi-negros” partiram para estágio em Inhambane e a formação de Gaza continua a trabalhar no seu campo.
 
Dos factos do caso
O Desportivo Maputo apresentou uma denúncia, junto do Conselho de Disciplina da Federação Moçambicana de Futebol, em Outubro do ano passado, na qual referia que a Associação desportiva de Macuácua utilizou o jogador Samuel Sião Mendes que estava mal inscrito, devido ao facto de ter usado documentos de nacionalidade moçambicana, quando na verdade trata-se de um ganês. Ora o jogador já representou, inclusive, o próprio Desportivo Maputo, em 2016, no Moçambola, tendo realizado dois jogos, mas com documentos que comprovavam que era ganês.

Mais tarde, o jogador adquiriu a nacionalidade moçambicana, através de um Bilhete de Identidade com a qual se inscreveu pela Associação Desportiva de Macuácua, depois de ter passado pelos Amigos da Matola, e com os quais disputou o campeonato da segunda divisão da zona sul, tendo ganho a prova com 11 pontos de vantagem sobre o Desportivo Maputo.

Entretanto, depois da denúncia, o Conselho de Disciplina considerou procedentes os argumentos dos “alvi-negros” e decidiu pela retirada de todos os pontos em que o jogador em alusão efectuou ao serviço da Associação Desportiva de Macuácua, nomeadamente nove jogos, à razão de 27 pontos, o que fez com a turma de Gaza, na classificação actualizada, terminasse na sétima posição.

Poucos dias depois da decisão do Conselho de disciplina da FMF, a Associação Desportiva de Macuácua remeteu um recurso, junto do Conselho Jurisdicional, onde apela a anulação da decisão do Conselho de Disciplina, alegadamente porque no acto da inscrição do jogador não tinha como auferir da validade e autenticidade dos documentos apresentados pelo jogador, daí que o tenha utilizado. Ademais, a turma de Macuácua referiu no seu recurso que o jogador já havia alinhado pelos “alvi-negros” no Moçambola e que, por isso, não via razões para ser sancionado. Aliás, o Macuácua disse mesmo que pela complexidade do caso, mas que se apresenta de forma clara, não havia motivos para ser a colectividade a ser sancionada, mas sim o próprio jogador, que apresentou documentos não verdadeiros, quando solicitado pelo clube, para a sua inscrição.

Facto mesmo é que enquanto o Moçambola 2019 não inicia, as duas colectividades vão aguardando pelos passos subsequentes que culminarão com a decisão final do Conselho Jurisdicional da Federação Moçambicana de Futebol, após a audição que fará a Associação Desportiva de Macuácua e o jogador em alusão, Samuel Sião Mendes, na próxima terça-feira, na sede do órgão que gere o futebol moçambicano.

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