O País – A verdade como notícia

Fiscais desmantelam mais de 10 mil armadilhas

Mais de 10 mil armadilhas foram desmanteladas pelos fiscais das áreas de conservação, durante o ano passado. Este dado foi revelado pela vice-ministra da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, Selmira da Silva por ocasião do dia dos fiscais florestais que se celebra a 13 de Julho.

No total são 10 483 armadilhas desmontadas, 556 acampamentos de furtivos e recuperadas mais de 200 armas de diversos calibres das mãos dos mais de 2400 infractores intercetados. Este facto, segundo Selmira da Silva demonstra o cometimento do país em relação a conservação da biodiversidade. Aliás, segundo a vice-ministra, todos os países devem reservar 10 porcento do seu território para a conservação, no entanto, Moçambique reserva 25 porcento.

“Ao nível global, tanto pelas convenções internacionais como pelas políticas nacionais o Governo privilegia a conservação, a defesa da vida e da natureza. E essa defesa não tem sido o trabalho fácil para os nossos fiscais”.

Para marcar o dia do fiscal que se celebra a 13 de Julho, esta terça-feira em Maputo, foram homenageados 24 fiscais que mais se destacam no exercício das suas funções nos diferentes parques do país. Selmira da Siva falando em nome do governo disse que este acto visava não só agradecer o empenho destes fiscais como também despertar a consciência de cada moçambicano sobre a importância da conservação da biodiversidade.

A vice-ministra reconheceu a dureza do trabalho dos fiscais incluído a vicissitudes por que tem passado no seu dia-a-dia incluído a perda da vida. Aliás foi nesta cerimónia homenageado o guarda-fiscal que morreu em fevereiro deste ano no confronto com os furtivos que perseguiam um elefante ferido em Manica. Prémio, a título póstumo foi entregue ao filho, tendo sido posteriormente observado um minuto de silêncio em sua memória.

Os Fiscais por seu turno mostraram-se satisfeitos pela distinção e prometeram continuar a exercer com zelo as suas actividades, apesar de estarem conscientes dos riscos que correm. Albasine Alfeu da área de conservação de Arquipélago de Bazaruto contou a sua história a nossa reportagem, que a abordagem aos furtivos e ilegais nem sempre é pacífica.

“Muitas vezes eles são muito agressivos. Mas nós temos que fazer de tudo para os dominar”, concluiu.

O sentimento foi expresso também por Fernando Acamelo, afecto a Reserva do Niassa que diz ter como maior dificuldade no seu trabalho para lidar com os emigrantes oriundos da Tanzânia devido ao tipo de armas que portam e a sua violência quando abordados pelos fiscais.

“Particularmente na Reserva do Niassa os furtivos costumam ser tanzanianos, eles trazem AK-47 para abater os animais e nós utilizamos caçadeiras“, referiu, tendo acrescentado que o animal mais procurado pelos furtivos da Tanzânia é o elefante, facto que reduziu a população daqueles paquidermes até cerca de metade nos últimos anos.

A cerimónia de premiação dos fiscais decorreu no centro de conferência Joaquim Chissano, em Maputo e foi assistida para além de guardas, por diversos gestores das áreas de conservação bem como pelos investidores naquele sector.

O dia dos fiscais de conservação da biodiversidade é celebrado há sete anos em todo o mundo. Esta é a primeira vez que a data é celebrada no país. Uma exposição retratando o dia-a-dia dos fiscais foi exibido no local.

 

Partilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on telegram
Share on whatsapp
Share on email

RELACIONADAS

+ LIDAS

Siga nos