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Financiamento fácil apontado como solução para garantir trabalho para jovens

Os pensamentos foram defendidos, esta quarta-feira, pelo painel que debateu o tema sobre “Políticas para o Desenvolvimento da Juventude”, onde foi ainda vincada a necessidade de se apoiar as iniciativas empreendedoras que estão a surguir no contexto do combate à Covid-19.

Ilídio Caifaz da Internacional Youth Fundation defendeu haver uma inversão da lógica da questão de empregabilidade, em Moçambique, e no mundo no geral, principalmente com o boom da internet. Se antes as pessoas lutavam para se formar para serem empregues pelo Estado, hoje em dia, a lógica mudou completamente. Caifaz aconselhou, por isso, aos jovens a apostarem em cursos profissionalizantes. “A formação do ensino geral é menos dispendiosa para o Estado, em comparação aos cursos técnicos. O Estado está a fazer o seu esforço com a criação de cursos de curta duração para garantir ferramentas para o jovem possa entrar para o mercado de emprego. Defendo que além do ensino geral, o jovem deve procurar fazer pequenos cursos profissionalizantes para que possa, facilmente, ter o emprego, especificou o orador para depois aconselhar que o Governo crie uma política clara que verse sobre o primeiro emprego. “Temos que ter um programa específico para suprir a questão do primeiro emprego. O Governo do presidente Lula, no Brasil, teve muito sucesso porque criou programas claros e específicos. Entendo que, ao existir, esse programa, não irá abranger a todos jovens, mas os de 20-24 anos.

No mesmo pensamento alinhou Manuel Formiga, presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), que disse que a sua instituição advoga políticas da juventude que conjuguem o conhecimento científico ao saber fazer. Reiterou que como país “temos que nos reinventar para arranjar soluções para empegar os jovens. A lógica antiga de ter certificado e esperar pelo Estado está a mudar. De uns temos para cá, o Estado não faz contratações porque não tem capacidade”, justificou para depois apontar soluções. “Temos muita terra arável, que procuremos desenvolver programas nessa área, que envolvam soluções de financiamento para que o jovem tenha o seu primeiro emprego”, defendeu.

Por seu turno, Juvenal Dengo, Diector-Geral do Instituto Nacional de Emprego, disse que o crescimento populacional contribui para que o país não consiga absorver a quantidade de jovens que procuram por um emprego formal, por isso, que a formação profissional tem sido a aposta para que o jovem consiga saber fazer e daí ter o caminho para empreender ou ter acesso às empresas. “No final dos nossos cursos distribuímos kits de emprego, promovemos estágios profissionais, sendo que alguns formados conseguem o seu primeiro emprego”.

Já Egídio Simbine, Coordenador da MozTrabalha, um plataforma associada a Organização Internacional do Trabalho (OIT) defendeu que tem que se apostar no digital como uma forma de geração de emprego e na criação de iniciativas que surgem nestes tempos da Covid-19. “No Vietname, por exemplo, as empresas que mais cresceram nos últimos temos são as que estão ligadas à produção de máscaras. O Governo fez aposta nelas e deu a devida ajuda porque viu que aquele produto poderia trazer rendimentos até através da exportação. Com o crescimento da indústria, provocou a necessidade do aumentou também a mão-de-obra. Em Moçambique estão a surgir exemplos semelhantes de pequenos empreenderes ligados à soluções para o combate à Covid-19. Tem que se pensar em como se pode incentivar essas iniciativas que podem gerar trabalho para os jovens”, exemplificou para depois avançar que não basta ter emprego, há que entrar a fundo na questão. “Hoje em dia alguns sectores estão com algumas fragilidades, são os casos das senhoras que vendem nos mercados. A questão é será que elas tem acesso à segurança social? Como garantir com que essas pessoas que têm trabalho possam formalizar a sua trabalho”, terminou.

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