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FIBA-África rendida à classe de Tamara Seda

Foto: FIBA-África

É inegável. A pujante presença em grandes ligas é disso prova. O continente africano tem talentos quanto baste. A FIBA-África, outra coisa não seria de esperar, está atenta à evolução das estrelas que brilham em vários palcos mundiais. É neste sentido que, numa publicação divulgada esta quarta-feira, o organismo dirigido pelo moçambicano Aníbal Aurélio Manave faz uma viagem sobre algumas das joias da modalidade, avaliando as suas qualidades e apontando caminhos para os ganhos que se podem ter com a sua contratação.

Seleccionou, com efeito, 12 atletas com qualidades acima da média, portanto, certezas no basquetebol e talentos que ainda irão dar que falar. Provocar um “boom” no mercado de transferências do basquetebol.

Socorre-se a FIBA-África de três pontos-chave: “compre agora”, “guarde as suas acções ” e  “aproveite a oportunidade” para ter à disposição jogadoras que fazem a diferença.

E é precisamente no último ponto, facto que orgulha os moçambicanos, que se enquadra a internacional Tamara Seda, activo do Kutxabanki Araski da Espanha.

Escreve o sítio da FIBA-África que a melhor ressaltadora dos “Afrobaskets” 2019, em Dakar, Senegal, e 2021, em Yaoundé, nos Camarões, (de) mostrou “todos atributos físicos que lhe permitem ser uma grande força e influente para Moçambique na zona restrita”.

A FIBA sabe,  aliás, tem estes registos: Tamara Seda foi “rookie” no “Afrobasket” 2017, prova realizada em Bamako, Mali, saindo com médias de 9.3 pontos, 8.6 ressaltos e 0.3 assistências em 219 minutos na quadra (média de 27.4 por jogo).

E, na segunda aparição, em 2019, em Dakar,  Senegal,  fez por merecer o título de melhor ressaltadora. Os números não enganam: 11.9 ressaltos por jogo (total de 57 pontos no total), superando a concorrência da camaronesa Amina Njokou, com 9.7 ressaltos/jogo, e queniana Mercy Wanyama, com 9.0 ressaltos/jogo.

Dominou novamente nas tabelas no “Afrobasket” 2021 com 57 ressaltos, fintando, deste modo, todo um deficiente processo de preparação da selecção nacional. Talvez por isso mesmo a FIBA-África a coloque como um modelo a seguir. Que inspire os novos talentos!

“Ela é o tipo de modelo que os jovens jogadores devem seguir e precisam de admirar em Moçambique. Parece estar a crescer em termos de confiança e, mesmo com 27 anos, há muito espaço para melhorar”, destaca a FIBA-África no seu sítio.

Em 2018, Tamara Seda chegou à Espanha pela porta do CD Zamarat da primeira divisão da Espanha, tornando-se na  terceira basquetebolista moçambicana a evoluir na principal liga de basquetebol da Espanha, depois de Clarisse Machanguana (Barcelona) e Leia “Tanucha” Dongue (Gernika Bizkaia).

Ela também está, agora, a hastear a bandeira do seu país em nível de clubes, tendo feito uma segunda temporada produtiva na Espanha com Araski. Ela é o tipo de modelo que os jovens jogadores de futebol em Moçambique precisam de admirar e parece que está a crescer em confiança e, mesmo com 27 anos, há muito espaço para melhorar ainda mais.

 

AVELINA PESO TAMBÉM NA BERLINDA

Para além de Tamara Seda, a FIBA-África destaca outra basquetebolista de um país africano de língua oficial portuguesa que vale a pena investir na sua contratação. É nada mais nada menos que Avelina Peso, jogadora do D’Agosto. A propósito, escreve:  “Pode valer a pena apostar na estrela emergente do basquetebol angolano.  Peso está, agora, a dar cartas mais do que nunca com o seu estilo  agressivo e intenso em ambas as extremidades da quadra. A atleta do 1º de Agosto é dotada fisicamente, cheia de acção, e é uma das melhores razões para acreditar que Angola pode retomar, um dia, os dias de glória. Atrás de destaques da sua equipa, como Italee Lucas e Nadir Manuel, a pivot de 23 anos está a crescer na hierarquia dentro da equipa e é um dos destaques nos próximos anos”. A lista contempla, ainda, Marina Paule Owodo (Camerões), Amy Okonkwo (Nigéria), atletas igualmente com muito a dar ainda ao basquetebol.

 

SIKA KONE, YACINE DIOP E VICTORIA MACAULAY:  O PRESENTE DO FUTURO

A FIBA-África elege, ainda, o presente do futuro. Ou seja, atletas com enorme valor que têm tudo para singrar ao mais ao alto nível. A começar, pois claro, pela internacional basquetebolista maliana Sika Kone, jogdora que foi preponderante na brilhante campanha do seu país no Campeonato Mundial de basquetebol sub-19. As malianas atingiram as meias-finais da competição.

“Nenhum outro jogador africano está a destacar-se tanto agora. Foram 12 meses escaldantes, tendo liderado  o Mali no Mundial de Basquetebol feminino sub-19. Graças  às suas performances épicas, o Mali chegou às meias-finais. Também foi  impressionante no Afrobasket 2021. Atingiu grande nível  no Torneio de qualificação  para o Mundial da FIBA na Sérvia com um duplo-duplo de 16 pontos e 10 ressaltos por jogo”.

Os olheiros da WNBA não ficaram indiferentes às suas qualidades. Nem tão pouco. “Posteriormente, a WNBA esboçou um sorriso e pensa mesmo na atleta.  Há ainda mais por vir da estrela em ascensão, com os clubes da Euro League, sem dúvida, A pressionarem por seus serviços também. É uma pena que não possamos ver a sua impressionante evolução em Sydney no final deste ano”, escreve a FIBA-África.

Mas há mais estrelas cintilantes que prometem muito mais. Nadine Soliman Mohamed (Egipto), Victoria Macaulay (Nigéria) e Yacine Diop (Senegal).

 

EZINE KALU: UMA CRAQUE A TER SEMPRE EM CONTA

Foi a jogadora mais valiosa do “Afrobasket” 2019. Ezinne Kalu, talentosa base que liderou a Nigéria com média de  13 pontos, 3.2 assistências, 3 roubos de bola e 2.6 ressaltos por jogo, entra na lista dos destaques da FIBA-África no capítulo de atletas com qualidades acima da média. Ou melhor, basquetebolistas com valor inestimável cujas actuações enchem qualquer quadra. Apesar de ter falhado  por conta de uma lesão o torneio de qualificação  para o Mundial de Basquetebol, em Belgrado, Sérvia, há que manter o foco naquela que é uma das grandes estrelas de África. Espera-se, por isso, que Ezine Kalu regresse o mais breve possível às quadras para espalhar o perfume do seu basquetebol.

“Nos últimos quatro anos, ela emergiu como a jogadora que realmente faz a Nigéria funcionar, decorrente das suas boas performances na última edição do Mundial em Tenerife, ajudando a sua a equipa a conquistar títulos consecutivos do Afrobasket e chegar aos Jogos Olímpicos Tóquio 2020. Uma qualidade e jogadora comprovada, mantenham a fé com ela”, enaltece a FIBA-África.

Soraya Mohamed Degheidy (Egipto), Mariam Coulibaly (Mali) e Adaora Elonu (Nigéria) estão também listadas.

Sobre a egípcia, a FIBA-África destaca: “Que jogadora divertida! A craque egípcia pode marcar e criar em igual medida, normalmente com talento e habilidade reais  onde se destacam  triplos  e assistências atraentes. Mesmo que o Egipto desejasse um lugar no pódio no Afrobasket e ficasse aquém dos quartos-de-final, apesar dos seus 15,7 pontos por jogo, com jogadores como Degheidy podemos esperar muita qualidade”, destaca.

O organismo que gere o basquetebol africano não mede esforços para elaborar sobre a Adaora Elonu, capitã da Nigéria e MVP do “Afrobasket” 2021.

“É tão importante dentro e fora da quadra para o seu país. Às vezes, ela brilha como quando foi coroada MVP, pois a sua nação manteve a coroa do Afrobasket no ano passado. Exibições firmes e consistentes… isso é o que se pode destacar desta atleta, sendo exemplo disso a sua performance  no torneio de qualificação para o Campeonato do Mundo. Há a acrescentar a sua experiência, inteligência e maturidade  acumulada na Euro League”.

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