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“Ferroviário de Maputo ingénuo apesar de muito talento”

O ditado “a terceira é de vez” não se fez valer para o Ferroviário de Maputo, que pela terceira vez não conseguiu vencer uma final da taça dos clubes campeões africanos em basquetebol, prova que desta vez decorreu em Luanda, Angola, entre os dias 10 e 18 de Novembro. Terminada a prova, é hora de analisar a prestação moçambicana, que entre elogios encontra algumas críticas à forma como foi abordada a trajectória final da equipa verde e branca.

Era um campeonato que já se esperara imprevisível, pois é sabido que quando os angolanos “puxam” o campeonato para a sua casa, fazem de tudo para que a taça fique entre eles. Moçambique não tem conseguido fazer disso tradição, pelo menos ao nível de básquete. O 1º de Agosto e o Inter terão apreendido a lição em relação ao estado de forma em que estava o Ferroviário de Maputo e foram trabalhar mais, tendo em conta que o nível de exigência dos adeptos angolanos é muito alto.

Só para recordar, o 1º de Agosto veio a Moçambique, ano passado, e saiu daqui algo envergonhado, pois vinha para ganhar o título e não conseguiu. Entregou o título ao Inter e ficou em terceiro lugar. Um campeão habitual quando vai a uma prova e não ganha e a seguir organiza, o intuito é vingar-se. E uma das coisas que fez foi reforçar uma posição onde ninguém esperava. A equipa tinha uma “Tanucha” em grande forma, ainda assim, foi buscar mais duas atletas fortes para a posição de poste. O 1º de Agosto foi buscar uma poste muito tecnicista, mais alta que “Tanucha”, ainda que não mais forte, criando essa dupla imbatível em áfrica no momento – Tanucha e Alicia – e que trouxe de novo a dimensão clássica do basquetebol, originalmente interpretada por homens e mulheres altos, mas o tempo vai mostrando que há espaço democrático, por causa da linha dos 6 e 25m, para outras alturas. Portanto, o 1º de Agosto tirou lições da fase preliminar em Gaborone e do campeonato anterior realizado em Maputo, e até do campeonato africano.

Caifaz defende melhor “scouting” das próximas vezes
Durante a edição semanal do programa “Ao Ataque”, que vai ao ar às segundas-feiras na STV, Ilídio Caifaz, ex-basquetista e ex-presidente da Federação Moçambicana de Basquetebol, foi contundente ao analisar o “scouting” feito pela equipa técnica “locomotiva”. Caifaz, acérrimo defensor de equipas que jogam com os tradicionais dois postes, questionou o porquê de se ter abdicado da presença na quadra da sudanesa contratada para esta prova, Sara Chan. Aliás, a atleta quase não constituiu opção para Inak Garcia, cuja aposta recaiu na argentina Gizela Vega e na “canarinha” Deolinda Gimo. Para Caifaz, Leia Dongue e a americana Alicia foram os “carrascos” do Ferroviário de Maputo na final. Dongue provou, mais uma vez, ser muito competente e ajudou a sua equipa a vencer a prova continental.

Às moçambicanas faltou fidelidade ao seu jogo, cujas apostas têm sido nas transições rápidas e tiros de fora da área. O Ferroviário de Maputo denotou muita ingenuidade, apesar do enorme talento que abunda na equipa. No cômputo geral, as “locomotivas” arriscaram em apenas quatro ocasiões, com Anabela Cossa, excelente atiradora, a não aparecer nos momentos cruciais. Apesar destes elementos, Caifaz considera que a prestação do Ferroviário de Maputo foi boa, porque só chega à final quem faz um trajecto de muito bom nível e, quanto a isso, as “locomotivas” foram exemplo, vencendo pelo caminho, e de forma ousada, o Interclube de Luanda, outro candidato ao título até então.

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