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Ferroviário da Beira pisca olho à BAL

Fotos: O País

É já no sábado em que arranca o Torneio de Apuramento às eliminatórias da Liga Africana de Basquetebol, competição que irá movimentar quatro formações, nomeadamente Ferroviário de Maputo, Costa do Sol, Desportivo e Ferroviário da Beira. O vencedor da competição irá representar o país nas eliminatórias da zona VI, a realizarem-se em Outubro, na África do Sul.

Contagem regressiva para uma das mais importantes e atractivas provas de basquetebol indígena. A “catedral” do basquetebol moçambicano está “au point” para acolher, a partir de sábado, no seu bojo, a nata da modalidade da bola ao cesto no país.

São estrelas da selecção nacional, atletas com muita estrada e vontade férrea de triunfar. E, do Chiveve, chega-nos o conjunto que aponta para o reassumir do seu protagonismo no panorama do basquetebol moçambicano – Ferroviário da Beira.

Depois de uma campanha menos conseguida na edição 2019 da Liga Moçambicana de Basquetebol Mozal, prova na qual terminou na 3ª posição após vencer a A Politécnica (104-84) no jogo dois dos “play-offs” de atribuição do terceiro lugar, o Ferroviário da Beira ambiciona a qualificação à Liga Africana de Basquetebol.

Seria ouro sobre azul, num ano de investimentos na contratação de atletas e renovação de contrato com as suas “joias”.

O desfecho improvável no último campeonato nacional, a olhar para o leque de opções no plantel acrescido às contratações dos americanos Jawan Davis (base) e Efee Odige (poste), precipitou o fecho de um ciclo de Nasir “Nelito” Salé nos “locomotivas”.

Aliás, era de todo expectável que o Ferroviário da Beira chegasse à final, tendo em conta a qualidade do plantel no qual se destaca um naipe de internacionais, quais Ismael “Timo” Nurmamad, Elton Ubisse, Elves “Stam” Honwana, Ayad Munguambe, entre outros.

Este ano, de olhos postos no primeiro lugar, o Ferroviário da Beira contratou um homem que conhece muito bem os cantos da casa – Luiz Lopes.

O espanhol chegou, viu e venceu. Em 2012, conduziu o Ferroviário da Beira ao título, ao derrotar, na final, o Maxaquene (2-1) no “play-off” da final a melhor de três jogos. O Ferroviário da Beira venceu o jogo um por quatro pontos (88-84), tendo perdido, a seguir, por 80-71. A consagração veio no jogo três com uma vitória por 89-80.

Mutombo (poste congolês) e Mitchel (americano) ajudaram, sobremaneira, os “locomotivas” a campearem, num duelo diante de um Maxaquene então orientado por Simão Mataveia.

Dois anos depois, o Ferroviário da Beira esteve, novamente, no olimpo do basquetebol moçambicano, para não variar, sob comando de Luiz Lopez. Final emocionante diante do homónimo de Maputo, jogos de loucos no pavilhão na sala de visitas do basquetebol. Entrada em força do Ferroviário da Beira com vitória por 72-62 no jogo um dos “play-offs” da final. Mas, no jogo dois, o Ferroviário de Maputo foi buscar uma desvantagem de nove pontos e venceu por 64-71.

Qual ovo de Colombo, o pavilhão do Maxaquene esteve cheio no jogo de decisão e sem espaço para sequer uma “agulha”.

Inspirados e conduzidos pelos competentíssimos americanos Jeffrey Fahnbuller e Kejuan Jhonson (que contabilizaram 42 pontos), o Ferroviário da Beira revalidou o título de campeão nacional de basquetebol sénior masculino.

E…tudo Jeffrey Fahnbuller levou: melhor marcador, ressaltador e foi considerado o MVP. No ano seguinte, ou seja, em 2015, Pio “Lingras” Matos, Augusto “Gordo” Matos, David “Mano” Canivete, Nelson “Snoop” Jossias, Igor Matavel, Paulo Sambo,Helmano Nhatitima e companhia não permitiram que o Ferroviário da Beira voltasse a fazer das suas.

Pois, no pavilhão do Maxaquene, mandou o vizinho Desportivo Maputo que, bem conduzido por Bernardo “Coach B” Massimbe, bateu, na final, o Ferroviário de Maputo (3-1) nos “play-offs” da final. Com 24 pontos no jogo decisivo, Piop Matos viria a ser considerado MVP.

O Ferroviário da Beira, esse, caiu nas meias-finais da prova! E não havia, face às expectativas, outro caminho senão mesmo não renovar o contrato com Luiz Lopes.

Veio Nasir “Nelito” Salé que, no primeiro ano, falhou o título ao perder numa final à negra com o Ferroviário de Maputo. No jogo cinco, o Ferroviário de Maputo venceu por 69-56, numa partida em que o sérvio Bojan Sekicki foi decisivo.

Já em 2017, o Ferroviário da Beira, ainda sob o comando técnico de Nasir “Nelito” Salé, redimiu-se da derrota no renovado e gigantesco pavilhão local. Os “locomotivas” do Chiveve até entraram em falso nos “play-offs”, tendo perdido por 88-66 perante o seu público.

Depois, no jogo dois, o Ferroviário da Beira empatou a série do “play-off” com uma vitória por 90-69. No jogo dois, os mais equilibrados, Ismael Nurmamad e Elton Ubisse, conduziram o Ferroviário da Beira a uma vitória por 78-74. O conjunto de Milagre “Mila”Macome (Ferroviário de Maputo) era obrigado a vencer o jogo quatro para forçar uma decisão à negra. E foi o que aconteceu, no dia 31 de Agosto de 2017, no pavilhão lotadíssimo: 67-62 foi o resultado final, vantagem para o Ferroviário de Maputo. Na decisão à negra, o Ferroviário da Beira bateu o seu homónimo de Maputo (69-58) e conquistou o título de campeão nacional. Foi o último de Nasir Salé que viria a perder a final em 2018 para o Ferroviário de Maputo (3-0) na série dos “play-offs”. Em 2019, foi com um inesperado terceiro lugar, depois de uma derrota nas meias-finais diante do Costa do Sol.

 

GÉMEOS NOVELA PARA ATACAR TÍTULOS

 

Os gémeos Orlando “Nando” e Ermelindo “Mindo” Novela, durante década e meia, fiéis ao seu “metier”, trocam, este ano, a zona baixa da capital do país por Chiveve, onde se espera uma melhoria contratual, relativamente a que lhes foi oferecida pelos campeões nacionais. Eles assinaram contrato com o Ferroviário da Beira, colocando um ponto final a uma relação de 15 anos com o Ferroviário de Maputo.

Nando e Mindo abraçam um novo desafio depois de terem conquistado vários títulos de campeão nacional e da cidade, desde que ascenderam aos seniores no Ferroviário de Maputo.

Em 2019, os gémeos foram, diga-se, determinantes para que o Ferroviário de Maputo campeasse após vitória (3-0) no “play-off” da final diante do Costa do Sol.

Os “locomotivas” venceram o jogo um por 93-76, no pavilhão da Universidade Eduardo Mondlane, e, no segundo embate, tiveram algumas dificuldades, mas superaram o seu adversário com uma vitória por 94-87, em pleno pavilhão do Maxaquene. No pavilhão da UEM, a 11 de Agosto, confirmaram a sua supremacia com um triunfo por 86-68.

Em 2018, ano em que “foi roubado” o título de MVP, Orlando Novela esteve em grande plano, ao ajudar o Ferroviário de Maputo a vencer o seu homónimo da Beira por 3-0 no play-off da final disputada em Maputo e no Chiveve.

O conjunto de Milagre Macome venceu o jogo um no pavilhão do Maxaquene por 81-76. Foi, novamente, mais esclarecido no jogo dois com vitória por três pontos: 72-69.

É preciso recuar dez anos, ou seja, até 2011 para recordar que Ermelindo Novela foi considerado MVP (jogador mais valioso) do campeonato nacional com apenas 20 anos, num conjunto na altura orientado por Carlos Aik.

Depois de sete anos, para ser mais preciso, em 2018, foi, outra vez, distinguido MVP, mas, desta feita, Campeonato da cidade, prova na qual foi, igualmente, melhor marcador.

Para além de assegurar a contratação destes atletas, o Ferroviário da Beira assegurou a permanência das suas principais unidades: Ismael Nurmamad, Elton Ubisse, Elves Honwana, Ayad Munguambe, Edilson Tivane, para além de ter contratado o poste Lote Tonela. Para a fase de apuramento à Liga Africana de Basquetebol, os “locomotivas” do Chiveve vão contar com dois atletas americanos cujos nomes deverão ser divulgados nas próximas horas.

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