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Ferroviário Beira: o céu é o limite

Ferroviário da Beira deixa, esta quarta-feira, Maputo com destino a Joanesburgo, África do Sul, onde de 21 a 23 de Outubro corrente vai disputar as eliminatórias da zona VI de acesso à robusta Liga Africana de Basquetebol (BAL). William Perry, o extraordinário base americano, preocupa até porque está lesionado. As próximas horas serão decisivas para se aferir se pode ou não disputar esta prova qualificativa.

Estar na elite 12 do basquetebol africano é objectivo. Evoluir na monstruosa e emoldurada Arena de Kigali, no Ruanda, é de todo prestigiante! E, financeiramente, estimulante para equilibrar contas. A vida, escreveu o outro, constrói-se com o sonho e com a determinação de o realizar. O talento está nos genes. É preciso transformar agora em sucesso.

E, em Joanesburgo, pode-se dar um passo gigantesco e abrir mais uma página dourada no basquetebol moçambicano, no geral, e do Ferroviário da Beira, em particular. Luiz Hernandez, o Augusto espanhol que colocou os “locomotivas” no topo do basquetebol moçambicano com a conquista de dois títulos (2012 e 2014) já tem a fórmula mágica para empreender em África.

Primeiro passo? Vencer, quinta-feira, o Matero Magics da Zâmbia em desafios da 1ª jornada do grupo F, divisão Oeste, das eliminatórias de acesso à Basketball Africa League, primeira colaboração da NBA para operar uma liga fora da América do Norte.

É um adversário que sucede ao Unza Pacers, conjunto que em 2019 representou a Zâmbia nas eliminatórias da zona VI de acesso à BAL, tendo perdido com o Ferroviário de Maputo (84-69) com Alvaro Masa a arrancar um duplo-duplo: 22 pontos e 13 ressaltos.

Num “team” orientado por David Mussonda, realce para os internacionais zambianos Germain Mauwe, Douglas Kandulu,  Spoican Ngoma e Chongo Chona.

Mussonda inscreveu ainda Harrison Banda, Moonga Chipili, Chongo Chona, Antoine Josephe, Frederick Kaunda, Harrison Kafunda e Paul Kashishi. Facto curioso: Matero Magics não se vai reforçar com atletas estrangeiros no ataque a impactante e milionária BAL. O que temos, cá na paróquia, afinal, para fazer mossa aos adversários?

Os “Kamikazes”, designação do Ferroviário da Beira, contam com uma estrutura formada por jogadores de selecção nacional e, acima de tudo, com rodagem internacional.

Ismael “Timo” Nurmamad, extremo com excelente mudança de direcção, arranque, tiros curtos e longos, é dos nomes mais sonantes desta equipa.

Há, outrossim, Helton Ubisse, o poste desviado da natação para o basquetebol que tanto agradece.

“Power forwad”, Ubisse ajudou, e como, o Ferroviário de Maputo a se qualificar para a edição de estreia da BAL, quando chamado a reforçar esta formação. Ubisse é determinante debaixo da zona pintada, ganha ressaltos e desgasta adversários. Joga de cara e costas para o cesto, faz o “pick and roll” e melhorou bastante a sua percentagem na linha de lances livre. Elves Honwana, que já evoluiu na Venezuela, onde esteve a estudar, é um bom defensor. Com um poder atlético notável, notabiliza-se igualmente ao nível dos tiros exteriores e boa percentagem na linha de lances livres.

Ermelindo “Mindo” Novela e Orlando “Nando” Novela, ex-joias do rival de Maputo, são jogadores que acrescentam agressividade defensiva à equipa. Internacional e com estrada, “Mindo”, mesmo não sendo um atirador nato, destaca-se na zona dos 6, 75 metros. Sexto homem, tal como referem os americanos, Ayad Munguambe, “forward”, encaixou-se muito bem na estrutura do Ferroviário da Beira. É um jogador com boa capacidade de penetração, percentagem na linha de lances livres e ousado nos arranques.

Focado na prata da casa, garante o futuro, o Ferroviário da Beira leva a Joanesburgo os jovens Célio Chirombe e Alberto Senda, eles que fizeram parte do “12” que disputou o Torneio de Apuramento à BAL.

Reserva moral, Armando “Nino” Baptista revela longevidade assinalável. “Macurungo” é o cara que pode ser utilizado como segunda opção na posição cinco.

O “power forward” Carlos Marinze, há já alguns anos integrado no CFB após representar a A Politécnica, é também segunda opção. É um jogador com poucos minutos, combativo e que dá luta nas tabelas.

Michael Murray não renovou por estar já comprometido com outro clube. O jogador, nascido em Brooklim, EUA, foi uma das peças-chave no Torneio de Apuramento à BAL, no qual o Ferroviário da Beira venceu todos os jogos.

Tanto assim foi que, no jogo 2 dos “play-offs”, contabilizou 18 pontos em 28:39 minutos na quadra. Mas há sempre opções no mercado apetecível. É neste sentido que Luiz Lopez foi buscar o “small forward” Jermel Kennedy, extremo canadense que já evoluiu no TV Langen (Alemanha), AB Contern (Luxemburgo), Porvoon Tarmo (Finlândia), Club Atlético Marne (Uruguai), CB Clavijo (Espanha), Worcester Wolves (Inglaterra), Ovarense (Portugal), Kaysersberg Ammerschwihr BCA (França), Guelph Nighthawks (Canadá), Ferro (Argentina) e Toulouse (França).

Pela sua importância, o base William Pery tira sono a Luiz Hernandez. Perry contraiu uma lesão, recentemente, e vai ser avaliado para se aferir se estará em condições de disputar a prova qualificativa. É de todo expectante que recupere, porquanto dá muita qualidade nas transições, tiros exteriores e assistências. É um base com muita qualidade, podendo acelerar e pausar o jogo!

 

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