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“Fenómeno ‘Macuácua’ pode estar por detrás dos recentes casos da COVID-19 em Maputo”, diz Hélder Martins

As fragilidades no controlo das fronteiras podem estar por detrás do aumento de casos de contaminações registadas na última semana nas províncias de Maputo e Niassa, defende Hélder Martins.

Num contexto em que as autoridades de Saúde de Moçambique antevêem uma terceira vaga de contaminações pela COVID-19, Hélder Martins, diz estar preocupado com os indicadores da última semana nas províncias de Maputo e Niassa. O especialista em saúde pública defende que o problema pode estar no fenómeno Macuácua reportado pela Stv.

“As fronteiras que temos na província de Maputo são bastante porosas. Temos duas realidades: há pessoas que passam legalmente e cumprem as exigências das autoridades como a questão dos testes de despiste da doença, mas, por outro, temos um outro fenómeno, o fenómeno Macuácua que a Stv reportou. E estou convencido de que há muitos “Macuácuas” além do que a vossa televisão apresentou no distrito de Namaacha. Acredito que a realidade de migração ilegal pode estar a acontecer em Matutuíne e Moamba. E outra província que é afectada, certo, em menor grau, é a província de Niassa. Ela tem fronteiras permeáveis com a Tanzânia e sabemos que, naquele país, a situação está descontrolada, não sabemos qual é a situação real da doença, porque não reportam casos”, defendeu.

O primeiro ministro da saúde no período pós-independência comentou, ainda, sobre a recente doação de vacinas pela China e defendeu que as autoridades moçambicanas devem fazer mais para ter imunizantes.

“Para as necessidades do país, essas 60 mil doses são uma gota no oceano, porque esta quantidade só dá para vacinar 30 mil pessoas. Essas vacinas foram doadas pelo Ministério da Defesa daquele país para o nosso ministério. Os efectivos das Forças de Defesa e Segurança são confidenciais, mas eu acredito que são mais que 30 mil pessoas. Para dizer que temos que continuar preocupados e procurar vacinas onde é possível ter. Temos de fazer a nossa pressão nas organizações internacionais para que se consiga revogar as patentes das vacinas para que haja maior produção e acessibilidade das vacinas”, descreveu.

Hélder Martins criticou, ainda, o relaxamento das medidas de prevenção, pelos moçambicanos, o que pode ser uma bomba-relógio para o controlo de uma possível terceira vaga no país.

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