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Feministas dos PALOP debatem perspectivas da participação social, política e económica da mulher

Foto: O País

A activista Graça Machel defende a necessidade de criação de uma só voz e estabelecimento de pontes para que haja legitimidade, credibilidade e reconhecimento das várias organizações que defendem os direitos das mulheres nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa.

A Cidade de Maputo acolhe de segunda-feira até terça-feira o Fórum dos Movimentos e Colectivo de Mulheres, que junta numa única sala os movimentos feministas de todo o país e também de países como Cabo Verde, Angola, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, cujo objectivo é reflectir sobre a inclusão, desafios e perspectivas da participação social, política e económica da mulher nos respectivos países.

Intervindo no evento, a activista moçambicana Graça Machel, fez referência da necessidade de se estudar a realidade concreta da mulher em cada país-membro dos PALOP de modo que haja unanimidade na actuação e evitar generalização. A actvista focou na necessidade de interligação para os problemas, desafios e oportunidades a serem descuidadas e abranger todas as mulheres.

“A minha intervenção vai-se focar na importância da ponte, e na importância da voz. Somos ponte porquê? Porque ao reunirmo-nos aqui e falarmos da mulher ou das mulheres nós temos que ter consciência clara e profunda, que estamos a falar em nome de milhões de mulheres, não são as centenas, que nós podemos identificar através das organizações aqui presentes”, disse.

Graça Machel continuou com a sua intervenção dizendo que: “Começa em nós próprias, reconhecermos que a dignidade de toda e qualquer mulher nos nossos países e no espaço comum tem que ser conhecida primeiro, respeitada, e tem que ser valorizada”.

Graça Machel disse ainda que em Mocambique as leis existentes visando à protecção e promoção da mulher ainda não beneficiam grande parte das mulheres e voltou a referir-se que há exclusão das mulheres no acesso aos recursos.

“O acesso a recursos é um direito, da mesma maneira que as mulheres têm direito ao acesso à educação e acesso à saúde, mas o acesso aos recursos tenho ouvido muito pouco por parte das organizações feministas.”

A deputada Telmina Pereira, que orientou a sessão inaugural deste evento, em representação da presidente da Assembleia da República, destacou o envolvimento da mulher na política, bem com a participação em órgãos de tomada de decisão.

“Já crescemos bastante, mas o desafio prevalece. Mas o desafio que temos prende-se com a representação das mulheres, onde pretendemos a paridade, ou seja, 50% de mulheres e 50% de homens.”

O fórum lusófono feminista africano é organizado pelo Observatório das Mulheres que segundo Alice Banze, Directora de Women’s Academy for Africa, espera-se soluções concretas.

“Estes diálogos visam revitalizar os movimentos e, também, defender a igualdade do género e empoderamento das mulheres e raparigas com o objectivo de advogar em prol da representatividade das mulheres nos processos de tomada de decisão”.

Alguns dos participantes partilham histórias e trajectórias marcantes das suas vidas. A Embaixada do Reino dos Países Baixos em Moçambique deixou notável a sua contribuição nos programas de protecção e promoção da mulher.

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