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FAO sugere mais assistência aos pequenos agricultores em Moçambique

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) entende que Moçambique deve potenciar a agricultura familiar, de modo a garantir a segurança alimentar. A agência da ONU acredita que o país tem um potencial promissor.

Hernani Coelho da Silva, da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura em Moçambique, FAO, na sigla inglesa, fez parte de um dos painéis da MOZGROW, onde expressou a relevância da agricultura alimentar.

“A agricultura familiar é uma componente importante no contexto global da produção alimentar. Por exemplo, os dados mostram que a agricultura familiar em si contribui em mais de 50% para a disponibilidade que temos a nível global”, explicou o representante da FAO, apontando outro aspecto relevante deste modelo de prática de agricultura:
“Constitui também um factor muito determinante no que toca à situação socioeconómica, cultural e, também, da dinamização da cultura onde estão inseridos”, disse, tendo assinalado da atenção que o modelo precisa.

De acordo com dados oficiais, Moçambique tem mais de 70% da população que pratica este tipo de agricultura, mas os agregados enfrentam problemas que têm a ver com questões do acesso a sementes melhoradas, insumos e meios financeiros para a modernização das actividades que são tradicionais.

Entretanto, para além da potenciação aos pequenos agricultores, o representante da FAO cita a investigação científica como outro aspecto que deve ser aprimorado.

“Nós temos por volta de 10 zonas agro-ecológicas. Significa que em cada zona há sua característica. Agora, precisamos saber qual é a zona mais apropriada para cada actividade. É daí que não só os pequenos agricultores, mas também as instituições de investigação tornam-se envolvidas”, afirmou.

Para Silva, em meio ao imbróglio que afecta muitos países não desenvolvidos, que diz respeito à existência de produção sem a existência de mercado, nos pequenos agricultores, dois elementos podem contribuir. O especialista refere, como primeiro elemento, a organização dos agricultores.

“Um agricultor pequeno, com um hectar, produzindo menos de uma tonelada, não vai ter essa capacidade de ele próprio levar a mercadoria e vender. Então, precisa de um sistema no qual pode estar agregado e ter um bom rendimento”, explanou.

O segundo elemento seria a parceria. “Ela tem que ver com os modelos de integração já praticados em diversas partes do mundo. A parceira ou entre eles e as empresas, ou entre eles e o Estado”, ilustrou da Silva.

“Um dos problemas que nós enfrentamos em todos países que partilham mesmas características, são essas situações em que o pequeno agricultor não tem essa capacidade, quer em termos técnicos, quer em financeiros, para poder rentabilizar a sua exploração”, lamentou, apontando que os impactos têm sido as perdas excessivas na própria colheita, processamento, armazenamento, para não falar sobre a parte de cadeia de valor da sua segmentação toda a partir do produtor até ao mercado”.

Hernani da Silva da FAO Moçambique falava no painel “Agricultura Familiar e os Desafios da Segurança Alimentar”. A edição na qual participou o representante da agência da ONU foi veiculada na noite de ontem, na STV Notícias.

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