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Famílias na cidade de Maputo dizem ser difícil “apertar o cinto” nos dias que correm

O país continua a registar o aumento generalizado dos preços de produtos básicos no mercado. As cidades de Maputo, Beira e Nampula é que se destacaram no agravamento dos preços de produtos alimentares.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, entre os meses de Janeiro e Fevereiro, o país registou uma inflação de preços na ordem de 2,54%, o que terá enfraquecido o poder de compra das famílias.

Foi no bairro da Mafalala onde a reportagem do Jornal “O País” encontrou Marta Ndlhalane, ou simplesmente avó Marta, como carinhosamente é tratada no seio familiar. A anciã tem um agregado de sete elementos sob seu cuidado. O seu filho mais velho e o seu marido perderam emprego devido à COVID-19.

Neste momento, uma banca de venda de diversos produtos tem sido a fonte de sobrevivência da família. Com os produtos alimentícios cada vez mais caros, a avó Marta confirma ser difícil apertar o cinto e, na sua casa, já não conseguem ter três refeições por dia.

“Basta tomarmos chá, não há mais nada, é do chá que sobrevivemos, esperamos preparar o jantar, porque não podemos cozinhar almoço e jantar, porque a comida é cara. Ao fazer assim, a comida pode acabar cedo. Tentamos ajeitar e vivemos do chá. É assim que vivemos, outros conseguem o almoço e nós não conseguimos”.

Num dos supermercados da cidade de Maputo, encontramos Júlia Soquisso, depois das compras. Júlia tem um agregado com quatro elementos, dois adultos e dois menores. Ela conta que não faz mensalmente o rancho, mas, com o actual cenário em que há pandemia da COVID-19, tendo, os preços, subido, ela teve de redimensionar o orçamento familiar.

“Altera um pouco, porque os caprichos começam a diminuir, já não se compram brinquedos todos os meses, já não se levam crianças para comerem uma pizza com mais frequência”.

Mirchen Mia, um dos jovens da capital do país, considera ser difícil enfrentar a pandemia do Coronavírus com o actual custo de vida. “Essa pandemia veio numa altura em que muitas pessoas estavam a precisar de trabalho. Muita gente perdeu emprego e os preços em nenhum momento chegaram a baixar, a tendência é de subir, então acaba dificultando o dia-a-dia das pessoas”.

Ainda de acordo com o Instituto Nacional de Estatística no período em análise, a cidade da Beira é a que registou maior subida dos preços de produtos básicos, seguida de Maputo e, por fim, Nampula.

Segundo o Banco de Moçambique, a subida dos preços de produtos, pelo sexto mês consecutivo, resulta essencialmente do aumento do preço de frutas e vegetais, causado pelas intensas chuvas que afectaram as zonas sul e centro do país.

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