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Falta de pescado compromete funcionamento de fábricas de processamento

As empresas de processamento de marisco na província de Nampula estão a operar muito abaixo da sua capacidade, devido à falta de pescado. O mar anda agitado devido aos ventos da época, causando escassez de peixe e outros produtos da pesca.

Com 460 km de costa, que vai de Moma a Memba, a província de Nampula, no norte, posiciona-se como um dos principais pontos de captura de pescado no país, contribuindo com 17% da produção nacional de mariscos. No distrito de Angoche existem três fábricas de processamento do pescado, mas há pouco mais de um mês que estão a operar muito abaixo da sua capacidade devido à falta de matéria-prima.

Na Yinuo, lda – uma fábrica de investidores chineses em Angoche -, o peixe serra é o único produto do mar que continua a garantir emprego para os 27 trabalhadores contratados e foi por falta de matéria-prima que 25 sazonais tiveram que ser dispensados, tal como fez saber Gabriel Basílio, um dos responsáveis.

“No período normal, antes da pandemia (da covid-19) processávamos 10 a 20 toneladas por semana, mas com esta situação a quantidade diminuiu. Agora só dependemos da compra da matéria-prima com os pescadores artesenais”, tudo porque as três embarcações que aquela empresa tem estão paradas por orientação das autoridades governamentais daquele distrito, como forma de evitar que a unidade fabril opere na plenitudo, para permitir o distanciamento social dos trabalhadores.

 

Neste momento, a Yinuo, lda processam entre 500 e 1000 quilos por dia, e vezes há em que os pescadores artesanais voltam do mar sem peixe, forçando a fábrica a para de operar.

A Diamante Mariscos, outra fábrica implantada há dez anos em Angoche, o polvo é o único marisco que faz as máquinas funcionarem, dando ocupação e salário a alguns homens e mulheres. Mais uma vez, é a falta de matéria-prima é que faz com que o trabalho seja a meio gás.

O culpado, neste caso, não é a pandemia da COVID-19, mas sim, a mãe natureza que não permite a captura do pescado, devido aos ventos característicos da época. “é derivado das monções que são do Sul; há muita ventania e muita corrente da água. Assim o peixe não vem à costa para ser capturado”, explicou Sabino Hassane, presidente do Conselho Comunitário de Pesca Artesanal em Angoche.

E para poderem desenvolver a actividade legalmente, decorre a nível nacional a campanha de licenciamento dos pescadores artesanais. Na província de Nampula estão registados 80 mil, que perfazem 90% dos profissionais da área que capturam mariscos naquele ponto do país.
“Olhando para a natureza e a situação das nossas comunidades, aquele que é encontrado a pescar sem licença é sensibilizado para aderir ao pagamento das suas licenças. Tem havido algumas penalizações, que pode ser uma multa, se passar o período estabelecido para o pagamento da licença”, explicou José Luís, técnico do sector de Pescas em Angoche.

No ano passado, Nampula conseguiu 75 mil toneladas de pescado

 

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