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Falha do sistema informático do INATRO está a prejudicar milhares de instruendos

Foto: MMO

Escolas de Condução e candidatos a obtenção de cartas de condução estão em rota de colisão com o Instituto Nacional de Transportes Rodoviários (INATRO), devido a uma alegada avaria do sistema informático, o que afecta a realização e captação de dados e consequente realização de exames teóricos.

Clepton Chirindza, quando completou 19 anos de idade, a sua mãe presenteou-o com uma carta de condução. O que não sabia é que o que devia ser um presente se transformaria logo num martírio, uma vez que o jovem espera já há algum tempo pela realização de exames teóricos junto ao INATRO.

“Não sei dizer exactamente o que está a acontecer; quando vou à escola de condução, dizem que o problema está com INATRO e, quando vou ao INATRO, dizem que o problema está com a escola. Estou desde 2019 à espera para fazer o exame teórico”, exige resposta Chirindza.

A escola de condução, onde o jovem se inscreveu para receber instruções de condução, sacode o capote e aponta o INATRO como a fonte do problema.

“Já não temos confiança nos alunos, eles não depositam nenhuma confiança nas escolas, enquanto, na verdade, o problema não é das escolas, mas sim do INATRO para quem sempre emitimos as listas e nunca temos respostas”, defende-se Lurdes Nhabai, proprietária do estabelecimento.

A alegada avaria do sistema está a afectar milhares de pessoas a nível nacional. Dois jovens da Cidade de Maputo inscreveram-se numa escola de condução em Dezembro passado, para obter cartas de condução de modo a candidatar-se a um emprego, mas tudo está estagnado.

“De Dezembro atá agora, os nomes não saem, fiz a captação em Fevereiro, mas ainda nada… e, quando reclamamos, dizem que o INATRO é que tem problemas”, disse Felder Chamabal, cujas palavras foram secundadas por Américo Simango: “nem água vai nem água vem, dizem que o novo PCA não está a abrir excepção para os alunos realizarem exames”.

Os proprietários e instrutores das escolas de condução dizem que estão desapontados com a actuação do INATRO.  “Nós não sabemos o que está a acontecer e pedimos a quem é de direito para poder resolver. Se é incapacidade do INATRO, que eles privatizem ou façam qualquer coisa, pois há problemas sérios em todas as escolas do país”, disse Joaquim Chirinda, proprietário de uma das escolas de condução do Município da Matola.

A Associação das Escolas de Condução aponta a ineficiência e inoperância no sistema informático instalado no INATRO.

“Nós pedimos aos instruendos que façam pagamentos de exames e, quando submetemos o pedido para a sua realização, dão-nos um documento a confirmar que, de facto, foi pago o pedido de exame e o estudante pode ir realizá-lo. Entretanto, quando chega à sala, o estudante introduz os dados entregues pelo INATRO, mas o sistema não assume, rejeita a introdução dos dados e diz que o estudante não pagou e não fez o pedido de exame. E o estudante volta à escola e reclama”, esclarece Júlio Boene, representante da Associação das Escolas de Condução.

Cassamo Lala, instrutor e especialista em Educação Rodoviária, diz ser inadmissível esta forma de actuar de uma entidade pública. Avança que há situações de instruendos que são reprovados nos exames por conta de falhas do sistema.

“Quando o aluno vai fazer o seu exame teórico, encontra alguns computadores que não abrem o sistema, pois estão cansados e obsoletos. O aluno pode começar um exame e, a determinada altura, o sistema do computador bloqueia, considerando que o aluno ficou reprovado, porque não conseguiu responder a todas as perguntas, mas, nestas circunstâncias, a culpa não é do aluno, mas do sistema.”

O jornal “O País” contactou o Ministério dos Transportes e Comunicações, que tutela o Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários, e, através da assessoria de imprensa, foi remetido ao INATRO. Através do gabinete de comunicação, ficou a saber que não havia explicação a dar, mesmo depois de ter contactado telefonicamente o novo presidente do Conselho de Administração da instituição.

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