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Exploração de energias renováveis em Moçambique é ainda incipiente

O Presidente da República, Filipe Nyusi, orientou, esta quarta-feira, o lançamento de “Iniciativas das Energias Renováveis” e disse que Moçambique possui um grande potencial e uma diversidade de recursos renováveis: solar, eólica, hidroeléctrica, biomassa, geotérmica, entre outros, “explorados de forma incipiente na base de pequenos sistemas fotovoltaicos isolados”.

Segundo o Chefe de Estado, sobre esta matéria, o Governo apurou que em todo o território nacional existe uma radiação elevada, consistente e “o sol é a fonte de energia mais abundante no país”.

Há igualmente 16 locais com elevado potencial eólico no centro e sul do país, disse Filipe Nyusi e explicou que “é tendo em conta este enorme potencial” que o Executivo presta “atenção ao desenvolvimento de energias renováveis”.

“Pretendemos o incremento da diversificação da localização das novas centrais e o aumento do contributo das energias renováveis para 20% na matriz energética nacional nos próximos 20 anos”, afirmou o Presidente da República e destacou a importância da energia eléctrica no desenvolvimento do país.

“A energia eléctrica promove o agro-processamento, consolida as cadeias de valor da agricultura e da aquacultura, gerando mais empregos e rendimento para as famílias rurais, com impacto positivo no bem-estar socioeconómico, um dos objectivos da nossa governação”, disse Filipe Nyusi e sublinhou a entrada em funcionamento, nos últimos anos, em “todo o país, de projectos estruturantes que ajudaram a responder aos vários desafios do sector eléctrico”.

O lançamento de “Iniciativas das Energias Renováveis”, na cidade de Maputo, decorreu no contexto do “Programa de Leilões de Energias Renováveis”. O Presidente da República visitou uma exposição de projectos já em curso no país.

De seguida, foram assinados contratos de compra e venda pela Electricidade de Moçambique e três produtores independentes de energias renováveis, dois de Cuamba, no Niassa, com 18 e 36 Megawatts pico, respectivamente, e um de Mecúfi, Cabo Delgado, com 26 Megawatts.

Como forma de viabilizar projectos novos, foram também assinados acordos de financiamentos entre o Governo e os parceiros para a assistência técnica, estudos e garantias, orçados 37 milhões de euros.

De acordo com o Presidente da República, “o contexto actual caracteriza-se por uma premente procura de recursos energéticos, a par do desafio ambiental”. Uma das razões tem a ver com o aumento da população e o crescimento rápido das zonas urbanas, o que amplia “o segmento de consumo residencial”.

A segunda razão, considerou Filipe Nyusi, tem a ver com o “crescimento económico numa base sectorial diversificada e com tendência à transformação dos nossos produtos primários rumo à industrialização, incluindo os produtos agrícolas e recursos minerais”. Este cenário está “associado a uma utilização intensiva dos meios de transporte”.

Sobre os dois aspectos acima referidos, o Chefe de Estado disse que ainda “em relação a Moçambique, as projecções indicam cerca de 8% de crescimento da procura média anual nos próximos 25 anos”.

O terceiro elemento a que o Presidente Nyusi se referiu, diz respeito ao desenvolvimento sustentável através do uso de recursos menos poluentes. No caso de África, “pela redução do uso da lenha e do carvão vegetal”.

“Estamos a trabalhar para garantir o aumento da disponibilidade da energia eléctrica, promovendo investimento público-privado em novas infra-estruturas de geração [de energia], que assegurem o incremento da capacidade instalada em pelo menos 600 Megawatts, com uma contribuição cada vez maior de energias renováveis”.

“A materialização destes projectos irá fazer face às projecções de crescimento da procura de cerca de 8% em média, ao ano, nos próximos 25 anos”, disse Nyusi e garantiu: “o Governo compromete-se a prosseguir com a expansão da rede eléctrica nacional e a desenvolver acções para o acesso da população a este recurso de grande importância”.

Nesse sentido, Nyusi revelou que a sede do posto administrativo do Alto Ligonha [distrito de Gilé, na Zambézia] está ligada à rede eléctrica nacional, desde ontem.

“Reafirmamos o que já dissemos: que vamos assegurar que até finais de 2024 mais de 10 milhões de moçambicanos possam dispor de electricidade pela primeira vez. A aposta no uso intensivo de sistemas solares residenciais será determinante para o alcance das metas estabelecidas no âmbito do ‘Programa Energia para Todos’ nas zonas rurais”.

Estão em curso outros projectos de centrais solares de produção de energia, em diferentes estágios de desenvolvimento, em vários cantos do país, decorrentes de iniciativa privada.

“O programa de leilões que hoje temos a honra de lançar é uma iniciativa inédita em Moçambique, visando a promoção de novas infra-estruturas no sector eléctrico, eu até diria que é mais uma página do legado que queremos, a transparência. É importante porque o sector privado está a aderir e ficou claro que a nossa aposta no sector privado está a surtir efeitos”, afirmou o Chefe de Estado.

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