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Eugénia Mapandzene distancia-se do esquema de lavagem de dinheiro

Foto: O País

A primeira declarante ouvida esta quinta-feira chama-se Eugénia Albertina Mapandzene. Actualmente, trabalha como advogada na MBashir e Advogados e também actua como correctora de imóveis e na área da decoração. A compra de um apartamento pela proprietária de vários imóveis na Cidade de Maputo fez com que fosse arrolada como declarante no processo que julga o “caso dívidas ocultas”.

Ao Tribunal, confirmou que, a 19 de Maio de 2015, trocou 250 mil dólares em meticais para comprar um apartamento. A troca do valor foi feita por intermédio do réu Khessaujee Pulchand que, à data dos factos, era funcionário da Africâmbios.

Pulchand teria dito à declarante que podia fazer a conversão do valor através de uma empresa, a Hydrofarma. Entretanto, o pagamento da factura não foi feito pela empresa para quem Eugénia Mapandzene mandou os dólares, senão pela empresa de Fabião Mabunda, réu no processo, a M-Moçambique Construções.

“Eu não sabia da origem do dinheiro e a mim só interessava ter o meu apartamento pago. Não conhecia a M-Moçambique Construções, nem o réu Fabião Mabunda”, revelou.

O apartamento em causa localiza-se no bairro Polana Cimento e, segundo a declarante, a M-Moçambique Construções pagou a factura sem seu conhecimento, e sim de Khessaujee Polchand, devido a um acordo entre si assinado para uma taxa de câmbio favorável.

“O câmbio estava, na altura, a 37 e ele disse-me que era possível fazer a troca a 38 meticais por cada dólar e assim foi”, disse Mapandzene.

A declarante fez saber ainda que não foi a primeira vez em que ambos fizeram uma operação de troca de moeda e que não estranhou a sua proposta de fazer a operação por via de uma empresa.

Mapandzene revelou que conheceu o réu em 2007, na Casa de Câmbios, onde era funcionário, e passou a fazer as operações de conversão directamente consigo, sempre que fosse necessário.

Quando foi ouvido pelo Tribunal, Khessaujee Polchand confirmou ter recebido, na sua conta do Millennium BIM, o equivalente a cerca de 170 mil euros, enviados pelo co-réu Fabião Mabunda, mas nega ter levantado todo o valor. Disse que a operação foi feita sob a orientação da gerência da Casa de Câmbios onde trabalhava.

De acordo com a acusação do Ministério Público, a M-Moçambique Construções terá recebido cerca de 1,5 milhões de euros de subornos da Privinvest e era usada pelo casal Leão para fazer lavagem de dinheiro.

 

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