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Etiópia acusa Trump de incitar guerra com Egipto

A Etiópia denunciou, este fim-de-semana, ameaças belicistas sobre a grande barragem quase completa sobre o Rio Nilo, um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump ter dito que Egipto poderá explodir o projecto que considera uma ameaça existencial.

O ministro de relações externas da Etiópia chamou o embaixador dos Estados Unidos para buscar esclarecimentos, dizendo que “o incitamento à guerra entre Etiópia e Egipto por parte dos Estados Unidos não reflecte a longa parceria estratégica entre os dois países e constitui uma violação as leis internacionais dentre os Estados”, lê-se no comunicado.

Sem citar Donald Trump ou os Estados Unidos, o gabinete do primeiro-ministro Abiy Ahmed emitiu um comunicado em em meio a agitações populares na Etiópia sobre as declarações de Trump.

A Grande Barragem de Renascença Etíope avaliada em 4.6 biliões de dólares é um orgulho nacional que promete tirar milhões de pessoas da pobreza e transformar etíope na maior exportadora de energia em África.

“O homem não faz ideia do que está a falar”, disse o antigo primeiro-ministro Hailemariam Dessalagen, no twitter, considerando as declarações de Trump insensatas e irresponsáveis.

Trump fez este comentário, quando anunciava que o Sudão começaria a normalizar relações com Israel. O Sudão faz parte das conversações sobre a disputa da barragem com Etiópia e Egipto.

“Eles (Egipto) vão terminar por demolir a barragem. E digo isso claro e em viva voz… eles vão explodir aquela barragem. E eles têm de fazer alguma coisa”.

O presidente norte-americano, no início deste ano, disse ao Departamento Estatal para suspender milhões de dólares de ajuda a Etiópia, porcausa da disputa da barragem, uma medida que enfureceu os etíopes que acusaram os Estados Unidos de serem tendeciosos durante as conversações com Etiópia, Egipto e Sudão sobre a barragem.

Por fim, Etiópia desistiu das negociações que ocorriam nos Estados Unidos.

“Eles nunca viram esse dinheiro, ao menos que adiram ao acordo”, disse Trump, na sexta-feira.

“Comunicados ocasionais de ameaças beligerantes para forçar Etiópia a aceitar acordos injustos ainda persistem” lê-se no comunicado do gabinete do primeiro-ministro etíope.

“Estas ameaças e afrontas para soberania da Etiópia são desinformantes, improdutivas e uma clara violação das leis internacionais”.

Não houve comentários por parte do governo egípcio sobre as declarações de Trump, apesar de os Media pró-governamentais terem reportado o assunto.

Egipto tem dito repetitivamente que tem procurado uma solução diplomática sobre o assunto, mas está disposto a usar todos os meios possíveis para defender interesses do seu povo.

A Etiópia comemorou o primeiro enchimento da barragem em agosto, citando fortes chuvas, para desespero do Egipto. Mais tarde, Etiópia baniu voos sobre a barragem por receiar possíveis ataques militares por parte do Egipto.

Com recentes comentários de Trump, alguns etíopes apelam aos etíope-americanos para não votar no candidato republicano.

Preocupado com possíveis dissensos entre dois países mais populosos de África, o representante da União Europeia Josep Borrell, disse num comunicado que “agora é tempo de agir e não aumentar tensões”, acrescentando que o acordo sobre a barragem está perto do alcance.

O comunicado do gabinete de Abiy disse que as negociações com Egipto e Sudão têm mostrado avanços significativos desde que a União Africana começou a supervisionar as conversações.

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