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Especialistas consideram que luta global contra o tabaco está estagnada

Foto:  Época Negócios

Os esforços globais para acabar com o tabagismo estagnaram e exigem uma reforma drástica para evitar que mil milhões de pessoas morram neste século, de acordo com um novo  relatório de cinco especialistas líderes, membros da Comissão Internacional para Reactivar a Luta contra o Tabagismo.

Cerca de 1,14 mil milhões de pessoas usam o tabaco no mundo. Quase oito milhões morrem a cada ano de causas relacionadas com o tabaco. Desde a criação do tratado da Convenção-Quadro para o Controlo do Tabaco da Organização Mundial da Saúde (OMS-FCTC) há 18 anos, a demanda pelo tabaco diminuiu, mas muito lentamente e, em alguns países de baixa e média renda (PBMR), nem um pouco.

Perante este quadro, foi criada uma comissão para recomendar um conjunto de medidas para acelerar o fim do tabagismo em adultos e de outros consumos de tabaco tóxico. Presidida pelo embaixador (reformado) James K. Glassman, antigo subsecretário de Estado dos EUA para Diplomacia Pública e Assuntos Públicos, a Comissão inclui representantes da Índia, Indonésia, África do Sul e Reino Unido.

Um dos principais focos do relatório é o fracasso dos Governos e organizações internacionais em atender às necessidades específicas dos PBMR, bem como às necessidades das comunidades marginalizadas em países de renda mais alta, incluindo minorias raciais, povos indígenas, populações LGBTQ, pessoas com problemas de saúde mental e os que vivem com doenças. O relatório que examina o papel das inovações emergentes, dos médicos e das políticas proporcionais ao risco para acabar com o tabagismo, bem como uma reflexão sobre as lições tiradas da pandemia da COVID-19 para o controlo do tabaco e as formas de acabar com o uso do tabaco entre crianças/jovens, assinala que, se as tendências actuais continuarem, o número de mortes por cigarros e outras formas prejudiciais de tabaco crescerá de 100 milhões de mortes relacionadas com o tabaco no século XX para mil milhões de mortes relacionadas com o tabaco no século XXI.

“O tabagismo é o maior desafio de saúde pública no mundo hoje. Precisamos de ousadia, criatividade e reconhecimento de que as preferências do consumidor e as novas tecnologias são as forças que impulsionarão a mudança necessária. A Public Health England constatou que os cigarros electrónicos eram 95% menos nocivos do que os cigarros combustíveis. Não devemos ignorar isso. Ao vincular a melhor ciência a políticas públicas inteligentes, o flagelo do tabagismo pode ser eliminado”, disse James K. Glassman, presidente da Comissão.

O documento também descreve a pressão económica do tabaco como igualmente espantosa, já custando cerca de 6% de todos os gastos globais com saúde anualmente, cerca de meio trilhão de dólares, e só deve crescer. Pior ainda, com mais de 80% de todos os consumidores de tabaco que vivem em PBMR, estes continuarão a arcar com uma parcela desproporcional dessa pressão económica e de saúde.

Os comissários apontam para uma estagnação dos esforços de cessação e para o fracasso da OMS em tratar eficazmente a dimensão do problema. O relatório conclui que, com excepção de alguns países, a política reguladora para o tabaco é confusa, contraditória e não é baseada na melhor ciência.

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