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Esfarelar dificuldades, conquistar Ásia

Fintar a tendência de arranque tardio de preparação das selecções nacionais e fixar o olhar na Ásia – Tailândia – para sair com aura de glória.

É, para todos efeitos, a tónica de Leonel “Mabê” Manhique, seleccionador nacional, que quer montar uma equipa sedutora e vencedora para encantar o Mundo com o perfume do seu basquetebol. Há esperança.  

É preciso, urge, injectar “mola”, despertar mentes e projectar um estágio pré-competitivo fora do país que permita a selecção nacional ganhar forma para fazer face a Tailândia, Letónia e Canadá, seus adversários no grupo “A”. 

Esfarelar as dificuldades financeiras e brilhar na prova é mister. É o nome de Moçambique que estará em causa quando, de 20 a 28 de Julho de 2019, desfilar pela primeira vez na sua história no Campeonato do Mundo da categoria sub-19.

Afinal, a Tailândia não é só um destino turístico por excelência. É, pode e deve ser um ponto de lançamento de novos valores da modalidade da bola nacional no concerto das nações. Há vontade. Diz, claramente, Leonel Manhique em entrevista ao “O País”:

Ponto assente: Kendall “Kedinho” Manuel, qual “ciclone”, deixou um rasto de talento no seu primeiro contacto com a selecção nacional de basquetebol sénior masculino.

Com exibições de quebrar o joelho, o extremo do Oregon State Beavers dos EUA, esteve em destaque na segunda janela das eliminatórias para o Mundial de Basquetebol, em Dakar, Senegal, ao terminar a prova com uma média de 21.7 pontos/jogo. E o que isso tem a ver com a selecção nacional de basquetebol sub-19 que irá disputar o Mundial? Tem alguma coisa a ver sim. Porque, de resto, as gémeas Tylee e Tyra Manuel – suas irmãs- foram convocadas para a “operação Tailândia” que arrancou ontem. Espera-se que, tal como o seu “mano”, que transpirem talento quanto baste para ajudar Moçambique a ter uma digna prestação no certame.

“As duas novidades nesta convocatória são as irmãs do Kendal, neste caso a Tylee e Tyara. No passado, estas atletas foram chamadas para a selecção nacional mas não conseguiram cá estar por questões académicas. Neste momento, iremos contar com elas e, acima de tudo, com aquilo que é a sua produção ao longo desta época. A partir daí, podemos avaliar a fundo aquilo que elas nos podem oferecer para fazerem parte das 12 atletas que irão ao Mundial”, argumentou Mabê, seleccionador nacional.

Ano passado, a selecção nacional de basquetebol sub-18 superou todo um clima de improviso e falta de condições que foram desde o treinamento, na primeira fase, num campo aberto em tempo de frio e falta de subsídios, terminando o “Afrobasket” sub-18 na honrosa segunda posição. Há, naturalmente, que melhorar as condições se efectivamente quisermos fazer brilharete.

“Daquilo que é o programa que nós traçámos para a preparação desta selecção, falamos de condições básicas. Estamos a falar de campo de treino, bolas e material necessário para preparar uma selecção. E, acima de tudo, aquilo que é mais importante que pode-nos dar uma avaliação do nosso estado quando nos aproximarmos da competição: primeiro um estágio preparatório e, depois, um estágio pré-competitivo”, notou o seleccionador nacional.

Estágio para assentar arraiais

Para aferir o nível competitivo da equipa, há que fazer jogos de controlo com adversários da mesma dimensão que a Tailândia, Canadá e Letónia. Mas há que olhar para realidade do nosso basquetebol que muitas vezes é gerido na base do improviso e, regra geral, as selecções nacionais apanham por tabela: “Vamo-nos adaptar, acima de tudo, a aquilo que são as condições que a Federação Moçambicana de Basquetebol vai-nos oferecer”.

Em princípio, as atletas que evoluem no estrangeiro estarão disponíveis a partir do dia 7 de Junho para se juntar ao grupo de trabalho que terá na altura concluído a primeira etapa de preparação em solo pátrio. A Federação Moçambicana de Basquetebol entrou em contacto com as jogadoras para saber qual seria a sua disponibilidade em termos académicos e programa da época desportiva. “Uma e outra atleta poderá ir a segunda época em termos de exame, o que significa só ter disponibilidade em Julho. Fora isso, logo elas estão livres em Junho tal como aconteceu no processo de processo de preparação para o Mundial. Temos esse período para preparação. O único obstáculo, neste momento, tem a ver com a Noémia Massingue que tem um campeonato até meados de Julho. É um campeonato que dita a bolsa para ela seguir a universidade”, explicou. E concluiu o fim de raciocínio: “Antes de chegarmos lá ela terá várias opções para ganhar essa bolsa. E será a partir daí que nós iremos definir se podemos contar com ela ou não”, disse.

Para já, Espanha e República Checa são os países elegíveis para a selecção nacional cumprir um estágio pré-competitivo nas vésperas do Mundial. A FMB tem uma palavra a dizer neste processo. “Logo à priori, se vamos ao Mundial estamos a falar de equipas de outro nível. Estamos a falar de equipas com altura que é o nosso grande problema. Então, temos que encontrar equipas com maior peso e altura quando comparado aquilo que iremos encontrar no Mundial. Nós havíamos escolhido a Espanha e República Checa que apresenta selecções com outro nível de basquetebol e altura que é uma das dificuldades que iremos encontrar lá no Mundial. Vamos esperar pela resposta da Federação Moçambicana de Basquetebol. Caso contrário, iremos trabalhar dentro das condições que nos irão oferecer”.

 

 

 

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